Quem falou que o mundo dá voltas usou, no mínimo um eufemismo. No meu caso ele está me deixando completamente zonzo!
Quem falou que estamos na era da velocidade estava de brincadeira comigo. Lembra daquele ditado: "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!"? Si non é vero é benne trovato!
Rita Lee que dizia numa música sua o fantástico verso: "Quero voltar para dentro da barriga da minha mãe!"
E eu repito umas trinta vezes por dia o slogan do Popeye "Macacos me mordam!" ou o do Robin "Santa confusão Batman, como vamos sair dessa?" Mas eu não tenho Batman nenhum. No fim disso tudo espero que terminemos como em "E o vento levou ..."
Mas ao fundo lembro-me do velho e saudoso Leão da Montanha ...
quinta-feira, setembro 28, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
Das coisas da vida
Eu tenho achado doce o gosto da desilusão. Pode parecer estranho mas é estritamente verídico. Não falo de desilusões amorosas, nem qualquer outra de tipo pueril, mas desilusão no profundo de seu significado. Renego toda e qualquer filosofia piegas de auto-ajuda que procura reafirmar o velho e batido ditado de que tudo tem seu lado bom. Não tem e pronto! Acostumemo-nos. Desilusão é desilusão, cest finit. Não é porta para nada melhor. Não é momento para introspecção. Não é espaço para aprendizado. Não é nem mesmo digno de esquecimento. Desilusão é natural. Como natural também é a tristeza, a solidão, a dor de dente, a fome, a remela e a própria morte. Simples ou complexas, as coisas são naturais. Simplesmente naturais. Como bosta de vaca. Se mexer fede, se deixar endurece e não incomoda.
Taí, conclusão in extremis: desilusão é bosta de vaca. Pensado nesse exato momento. Lembre-se apenas de que a vaca não é você, tampouco, in casu, a merda.
Assim, a constatação mais clara é: "E daí que a vaca cagou?". Não sendo em mim, e desilusão nunca tem como sujeito o desiludido, dane-se o cheiro. Acho que, por isso, a sábia língua portuguesa colocou o verbo desiludir como intransitivo. Segunda conclusão da noite: bosta de vaca é intransitivo. Tão genial quanto a primeira, diga-se de passagem.
Apenas agora me dei conta de que fica estranho fechar as pontas: Bosta de vaca tem gosto doce.
Paciência, lembre-se: é natural.
Taí, conclusão in extremis: desilusão é bosta de vaca. Pensado nesse exato momento. Lembre-se apenas de que a vaca não é você, tampouco, in casu, a merda.
Assim, a constatação mais clara é: "E daí que a vaca cagou?". Não sendo em mim, e desilusão nunca tem como sujeito o desiludido, dane-se o cheiro. Acho que, por isso, a sábia língua portuguesa colocou o verbo desiludir como intransitivo. Segunda conclusão da noite: bosta de vaca é intransitivo. Tão genial quanto a primeira, diga-se de passagem.
Apenas agora me dei conta de que fica estranho fechar as pontas: Bosta de vaca tem gosto doce.
Paciência, lembre-se: é natural.
quarta-feira, setembro 13, 2006
Rua abaixo
A menina - É por aqui a Praça XV?
O Príncipe - Não ...
Eram umas sete e meia da noite. De uma noite que começava a esfriar rapidamente em Porto Alegre, como as de inverno. Também começava a chover e as luzes do dia se perdiam em meio as nuvens e ao cair da noite. A menina ia na direção completamente contrária da que queria. A praça XV fica no centro e é conhecido ponto de sem-teto, sem-carinho, sem-cuidado, sem-nada ...
Ela, a menina, com frio, molhada e visivelmente maltratada não demonstrou qualquer sinal de agressividade, mas ainda assim era evitada pelos transeuntes. A pergunta tinha um tom melancólico que misturava um certo sentimento de falta de convicção no recebimento de uma resposta e desimportância. Como se pergunta-se ao vento onde se esconde o sol.
O Príncipe - Estás, aliás, bem longe ...
A Menina - É?
O Príncipe - Sim deves seguir a próxima avenida grande e caminhar bastante até o centro.
No mínimo, quarenta e cinco minutos de caminhada. Insólita. Solitária. Penosa. Cruel. Imoral.
Frio e chuva estavam mais do que previstos como forma de açoitar aquela alma. E parecia que ninguém se preocupava com isso. Ela mesma resignava-se a falar com sombras e a ouvir uma cidade de costas.
A Raposa - Vou te levar até a parada de ônibus e tu pegas um até o centro, de lá é mais fácil ir até a praça XV. Assim foges da chuva e do frio.
Dois reais, era o que eu tinha no bolso.
A Raposa, mesmo ela, agredida pela cena procurou acolher uma menina que parecia não enteder a reação minha. Seus olhos demonstravam o espanto que é receber uma mão estendida. Mas a Raposa não pensou no que fazia. A Menina relutava em ir até a parada de ônibus e a Raposa então compreendeu ...
A Raposa - Aqui se pega o ônibus. Você pode usar esse dinheiro para pegar o ônibus e fugir da chuva e do frio ou ir a pé por esta grande avenida até o centro.
Escolha desumana. Escolha nojenta. Nojeira que começa em cada sala de burocrata. Em cada mesa de político. Em cada assinatura carregada de poder e dinheiro e imersa em desconsideração. O entulho explode no peito dos honestos com a força de mil bombas atômicas. O frio e a chuva são seus eternos companheiros. O mísero pão que poderia ela comprar não. País asqueroso.
Desceu ela rua abaixo alguns passos. Escolha feita. Mas antes ela parou e perguntou.
A Menina - Quer de volta os dois reais? - Estendendo a mão com o dinheiro.
Não pude responder. Apenas acenei com a cabeça que não. Honestidade, ombriedade, caráter. Tudo o que falta para tanta gente. E eu então sentei no cordão da calçada e chorei. Chorei pelo por mim. Chorei pelo Brazil. Chorei pelo mundo, acredite, chorei por você. Senti vergonha de ser brasileiro. Senti vergonha de fazer parte de toda uma sociedade capitalista ocidental contemporânea. Vendo a menina se distanciar e a chuva aumentar, talvez eu quisesse me punir pelo que faço a ela. Suporto esse sistema degradante e apenas choro.
Você tem mais escolhas em outubro e em novembro para fazer. Escolhas que podem mudar as escolhas dela. E de tantas outras pessoas.
Por favor ...
O Príncipe - Não ...
Eram umas sete e meia da noite. De uma noite que começava a esfriar rapidamente em Porto Alegre, como as de inverno. Também começava a chover e as luzes do dia se perdiam em meio as nuvens e ao cair da noite. A menina ia na direção completamente contrária da que queria. A praça XV fica no centro e é conhecido ponto de sem-teto, sem-carinho, sem-cuidado, sem-nada ...
Ela, a menina, com frio, molhada e visivelmente maltratada não demonstrou qualquer sinal de agressividade, mas ainda assim era evitada pelos transeuntes. A pergunta tinha um tom melancólico que misturava um certo sentimento de falta de convicção no recebimento de uma resposta e desimportância. Como se pergunta-se ao vento onde se esconde o sol.
O Príncipe - Estás, aliás, bem longe ...
A Menina - É?
O Príncipe - Sim deves seguir a próxima avenida grande e caminhar bastante até o centro.
No mínimo, quarenta e cinco minutos de caminhada. Insólita. Solitária. Penosa. Cruel. Imoral.
Frio e chuva estavam mais do que previstos como forma de açoitar aquela alma. E parecia que ninguém se preocupava com isso. Ela mesma resignava-se a falar com sombras e a ouvir uma cidade de costas.
A Raposa - Vou te levar até a parada de ônibus e tu pegas um até o centro, de lá é mais fácil ir até a praça XV. Assim foges da chuva e do frio.
Dois reais, era o que eu tinha no bolso.
A Raposa, mesmo ela, agredida pela cena procurou acolher uma menina que parecia não enteder a reação minha. Seus olhos demonstravam o espanto que é receber uma mão estendida. Mas a Raposa não pensou no que fazia. A Menina relutava em ir até a parada de ônibus e a Raposa então compreendeu ...
A Raposa - Aqui se pega o ônibus. Você pode usar esse dinheiro para pegar o ônibus e fugir da chuva e do frio ou ir a pé por esta grande avenida até o centro.
Escolha desumana. Escolha nojenta. Nojeira que começa em cada sala de burocrata. Em cada mesa de político. Em cada assinatura carregada de poder e dinheiro e imersa em desconsideração. O entulho explode no peito dos honestos com a força de mil bombas atômicas. O frio e a chuva são seus eternos companheiros. O mísero pão que poderia ela comprar não. País asqueroso.
Desceu ela rua abaixo alguns passos. Escolha feita. Mas antes ela parou e perguntou.
A Menina - Quer de volta os dois reais? - Estendendo a mão com o dinheiro.
Não pude responder. Apenas acenei com a cabeça que não. Honestidade, ombriedade, caráter. Tudo o que falta para tanta gente. E eu então sentei no cordão da calçada e chorei. Chorei pelo por mim. Chorei pelo Brazil. Chorei pelo mundo, acredite, chorei por você. Senti vergonha de ser brasileiro. Senti vergonha de fazer parte de toda uma sociedade capitalista ocidental contemporânea. Vendo a menina se distanciar e a chuva aumentar, talvez eu quisesse me punir pelo que faço a ela. Suporto esse sistema degradante e apenas choro.
Você tem mais escolhas em outubro e em novembro para fazer. Escolhas que podem mudar as escolhas dela. E de tantas outras pessoas.
Por favor ...
quarta-feira, setembro 06, 2006
Alpes gaúchos
Porto Alegre é demais. Todo ano invento novas configurações para as roupas que tenho. Eu tenho a configuração "Sol escaldante", a "Calor abafado", a "Muita chuva e pouco sol", a "Muita chuva e muita chuva", tem também a "Friozinho fresco de carioca", a "Frio gaudério" e tinha a mais forte de todas a conhecida "Frio de renguar cusco". Essa era composta por siroulas, calça de brim (aqui no sul não se usa "jeans", isso é coisa de marica) duas meias, camiseta Hering com mangas longas, "suéter" (é chique e não bixa!) de lã fininho e aí vinha um blusão de lá grossa ou moleton grosso. Para sair na rua, era ainda necessário um bom casaco e cachecol. Essa configuração todo mundo tem de reserva. Cuida para não lavar as peças no inverno, caso um minuano de arrebalde apareça e a temperatura desmaie. Nem liga muito para cores e combinações afinal, quando o queixo bate o olho não consegue ver nada a não ser um bom chocolate quente. Depois, a grande maioria das peças fica por baixo mesmo. O famoso poncho fica guardado num local do guarda-roupa onde você precisa digitar uma senha. Ao fazer isso um alarme soa pela casa e coisinhas mais, digamos, mais sensíveis são forçadas a se recolherem seja a hora que for. Animais de estimação, crianças com menos de cinco anos e idosos com mais de sessenta e cinco e também mulheres grávidas vão para os seus quartos onde desenvolvem técnicas de guerrilha contra o frio. Essas técnicas incluem panela com alcool queimando, bolsas de água quente, cobertores elétricos, muito café quente, panos em baixo das portas e nas janelas, gatos e cachorros para os pés etc. Coisas bem conhecidas dos pampas.
Nesses últimos quinze dias, entretanto, Porto Alegre me surpreendeu. Tive que criar a configuração "Super inverno plus II com abas". É composta de siroulas, suéter, meias, calças de brim exatamente como na outra, mas agora o "improvement" fica por conta de você colocar o blusão de lã e o moleton grosso juntos, um em cima do outro. Para sair, além da jaqueta já mencionada, se sair antes das sete da manhã ou depois das sete e meia da noite leva também um cobertor. Não há muita diferença de horário então aconselho a também dormir com essa roupa, cuidando apenas para trocar as roupas íntimas. A situação é tão perigosa que tenho levado também o travasseiro caso a frente da casa congele e eu precise dormir em algum conhecido. Nesses dias a solidariedade empresta colchão mas cobertores são de uso pessoal e intransferível.
Vou terminando o post que soou a sirene de alerta para quedas bruscas de temperatura. Com isso agora pegamos direto uma pneumonia que pode avançar para tuberculose. Aqui erradicamos a gripe, ela morreu de frio.
Nesses últimos quinze dias, entretanto, Porto Alegre me surpreendeu. Tive que criar a configuração "Super inverno plus II com abas". É composta de siroulas, suéter, meias, calças de brim exatamente como na outra, mas agora o "improvement" fica por conta de você colocar o blusão de lã e o moleton grosso juntos, um em cima do outro. Para sair, além da jaqueta já mencionada, se sair antes das sete da manhã ou depois das sete e meia da noite leva também um cobertor. Não há muita diferença de horário então aconselho a também dormir com essa roupa, cuidando apenas para trocar as roupas íntimas. A situação é tão perigosa que tenho levado também o travasseiro caso a frente da casa congele e eu precise dormir em algum conhecido. Nesses dias a solidariedade empresta colchão mas cobertores são de uso pessoal e intransferível.
Vou terminando o post que soou a sirene de alerta para quedas bruscas de temperatura. Com isso agora pegamos direto uma pneumonia que pode avançar para tuberculose. Aqui erradicamos a gripe, ela morreu de frio.
quinta-feira, agosto 31, 2006
O velho Marx
Era o início dos anos 90 e meu pai tinha passado pelo vestibular ingressando no curso de economia. Tardiamente era verdade, já tinha seus 35 anos, mas muito suado. A faculdade de economia, de início, fez parte da minha vida também. Não porque eu tivesse na época interesse especial pela matéria, mas por eu partilhar um pouco da animação de meu pai. Era contato com um monte de autores renomados, nomes importantes que tinham pensado coisas importantes. Era livro que não acabava mais.
Eu, ainda no segundo grau, por muitas vezes achava aquilo tudo muito entediante. Smith? Hegel? Ricardo? Não, obrigado, já almocei. Os meses se passavam e meu pai insistia, cada dia com um escritor nome, a "bola da vez". Discussões monológicas sobre seus aprendizados, algo em mim sempre ficava. Se era o interesse dele eu não sei, mas com certeza não era do meu. Ficava ali escutando mas não ouvindo. Lembrava apenas de ficar atento às pausas de "Entendeu, filho?" às quais eu respondia "Claro, mas isso não se contrapõe ao outro autor?". Isso era a certeza para ela de que eu prestara à atenção nos dois autores e a garantia de um sorriso aberto e mais duas ou três horas de discussão.
Muitas vezes fazemos isso. Fingimos que a vida não nos machuca. Fingimos que as palavras não nos tocam ou com o desentendimento cínico e pueril ("Ãhh?) ou com uma contraposição fundada na forma e não no conteúdo ("Não vou nem discutir isso."). Assim, o barco vai correndo, a vida vai passando e os estilhaços machucam menos, além de não fazer a felicidade de quem se propõe a ferir. Muitas vezes lutar para desarmar uma bomba é, além de cansativo, muito arriscado. Se não há perigo, afastamo-nos e deixemos detonar. Meu pai falava do que lia e do que aprendia no maior interesse do mundo: passar ao filho. Outras pessoas podem se sentir ameaçadas e assim buscar briga. Lembre de deixar detonar.
Quando eu entrei na faculdade, por ironia do destino todos esses autores voltaram. Me formei em história e todos eles fizeram parte da minha vida. Os ecos do meu pai ainda estavam vivos e, de alguma forma, o destino jogou ao nosso favor. Meu e dele.
De todos os autores que li o velho Karl Marx ainda me traz recordações. Mais-valia, luta de classes, expropriações são ferramentas de aula. Quem sabe por um futuro melhor. Quem sabe ...
Dizia ele, com sapiência incrível, que preço não é igual a valor. E existe o valor de troca e o valor de uso.
Estive pensando nisso. Ciúme, alto valor de uso e baixíssimo valor de troca.
E o barco vai passando ...
Eu, ainda no segundo grau, por muitas vezes achava aquilo tudo muito entediante. Smith? Hegel? Ricardo? Não, obrigado, já almocei. Os meses se passavam e meu pai insistia, cada dia com um escritor nome, a "bola da vez". Discussões monológicas sobre seus aprendizados, algo em mim sempre ficava. Se era o interesse dele eu não sei, mas com certeza não era do meu. Ficava ali escutando mas não ouvindo. Lembrava apenas de ficar atento às pausas de "Entendeu, filho?" às quais eu respondia "Claro, mas isso não se contrapõe ao outro autor?". Isso era a certeza para ela de que eu prestara à atenção nos dois autores e a garantia de um sorriso aberto e mais duas ou três horas de discussão.
Muitas vezes fazemos isso. Fingimos que a vida não nos machuca. Fingimos que as palavras não nos tocam ou com o desentendimento cínico e pueril ("Ãhh?) ou com uma contraposição fundada na forma e não no conteúdo ("Não vou nem discutir isso."). Assim, o barco vai correndo, a vida vai passando e os estilhaços machucam menos, além de não fazer a felicidade de quem se propõe a ferir. Muitas vezes lutar para desarmar uma bomba é, além de cansativo, muito arriscado. Se não há perigo, afastamo-nos e deixemos detonar. Meu pai falava do que lia e do que aprendia no maior interesse do mundo: passar ao filho. Outras pessoas podem se sentir ameaçadas e assim buscar briga. Lembre de deixar detonar.
Quando eu entrei na faculdade, por ironia do destino todos esses autores voltaram. Me formei em história e todos eles fizeram parte da minha vida. Os ecos do meu pai ainda estavam vivos e, de alguma forma, o destino jogou ao nosso favor. Meu e dele.
De todos os autores que li o velho Karl Marx ainda me traz recordações. Mais-valia, luta de classes, expropriações são ferramentas de aula. Quem sabe por um futuro melhor. Quem sabe ...
Dizia ele, com sapiência incrível, que preço não é igual a valor. E existe o valor de troca e o valor de uso.
Estive pensando nisso. Ciúme, alto valor de uso e baixíssimo valor de troca.
E o barco vai passando ...
quarta-feira, agosto 30, 2006
Cha-la-la
Tenho tentado voltar à antiga forma. Certo que escrever também é questão de prática e tenho percebido que perdi um pouco (senão muito) da minha. Mas também é um exercício de disciplina e esforço. Outra vez li num livro ou revista que os gênios são aqueles que complementam o que recebem com o que fazem. Assim vou começar a usar a grande regra do mundo: repetir.
Perceberam como o mundo todo funciona desta maneira?
Marketing é a repetição exaustiva de afirmações que acabam se tornando verdade.
Jornalismo é a repetição contextualizada de opiniões que acabam se repetindo nos discursos afora.
Comércio é a repetição negociada de ofertas e produtos interessantes ou não que fazem repetir estruturas sociais excludentes.
Amor é a repetição verdadeira de carinhos e pensamentos que acabam por sensibilizar o ser amado.
Trabalho é a repetição de rotinas físicas ou intelectuais de modo a automatizá-las até a inconsciência
Política é a repetição cínica de ideais deslavadamente intangíveis ou inverídicos para manutenção de posições de poder.
Religião é a repetição dogmática de pensamentos insondáveis para diminuição da culpa ou expiação da dor.
Amizade é a repetição de atos e ações para criar vínculos com quem se quer criar respeito e confiança.
Saudade é a repetição dolorosa das sensações experimentadas outrora sabidamente não retornáveis.
Algumas eu repito outras eu refuto mas no fundo reputo à repetição a principal regra do mundo.
Vou escrevendo ... repetindo como um eco solitário num canion escaldante. Mais velocidade e menos distinção.
Perceberam como o mundo todo funciona desta maneira?
Marketing é a repetição exaustiva de afirmações que acabam se tornando verdade.
Jornalismo é a repetição contextualizada de opiniões que acabam se repetindo nos discursos afora.
Comércio é a repetição negociada de ofertas e produtos interessantes ou não que fazem repetir estruturas sociais excludentes.
Amor é a repetição verdadeira de carinhos e pensamentos que acabam por sensibilizar o ser amado.
Trabalho é a repetição de rotinas físicas ou intelectuais de modo a automatizá-las até a inconsciência
Política é a repetição cínica de ideais deslavadamente intangíveis ou inverídicos para manutenção de posições de poder.
Religião é a repetição dogmática de pensamentos insondáveis para diminuição da culpa ou expiação da dor.
Amizade é a repetição de atos e ações para criar vínculos com quem se quer criar respeito e confiança.
Saudade é a repetição dolorosa das sensações experimentadas outrora sabidamente não retornáveis.
Algumas eu repito outras eu refuto mas no fundo reputo à repetição a principal regra do mundo.
Vou escrevendo ... repetindo como um eco solitário num canion escaldante. Mais velocidade e menos distinção.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Justus e ridículus
Nosso mundo anda realmente de pernas para o ar. Como se não bastasse a infindável lista de desumanidades, atrocidades, desrespeitos para com semelhantes, obscenidades financeiras, corrupção em todos os níveis agora também temos a venda descarada de arrogância na televisão.
Isso é deveras estranho, pois no Brasil todas as pessoas públicas procuram se cercar de uma aura de humildade, simpatia e simplicidade. Mesmo pessoas reconhecidamente intragáveis ao menor sinal de uma câmera começam a usar o pronome "nós" ao invés do eu e a desculpar a tudo e a todos em nome de sua grandiosidade. Em qualquer canal e em qualquer tempo isso parecia uma verdade imutável.
A Record mudou isso. Colocou no ar um programa cópia de programa gringo com requintes de pedantismo, botox e laquê. Atração de impressionante falta de tato e respeito que chega a superar o Programa do Jô em suas mais asquerosas entrevistas. Aliás, Jô Soares e Roberto Justus não caberiam no mesmo prédio. Seus egos intergalácticos não suportariam essa proximidade.
Publicitário de 51 anos Roberto Justus fez carreira como atendimento de agências. Uma função não muito bem reconhecida entre os publicitários e procurada por quem tem mais tato do que criatividade. Sempre teve respaldo financeiro para suas buscas, não consolidando assim um "empreendedor" no sentido mais estrito da palavra. Ganhou uma série de prêmios muito mais políticos do que merecidos e construiu, como é a tônica nesse país, uma carreira com muito mais maquiagem do que suor.
Ao comandar o rídiculo programa não escolhe, se puderem vocês perceber, pessoas que de alguma forma tenham sua personalidade profissional formada. São sempre estudantes cujas fraquezas são facilmente percebidas e tenazmente estudadas. Atrevo-me a dizer que de início já se sabe quem será o "vencedor". Justus e sua equipe de vilania fazem propostas de jobs totalmente sem nexo e tiram daí conclusões mais estereotipadas ainda. Baseadas na "experiência" de um profissional que justifica, com sua carreira profissional, muito mais o botox do que o pedantismo que apresenta.
Recentemente, ao encontrar um rapaz que, pode ter os defeitos que tiver, teve ao menos, peito para, em um programa ao vivo, demitir o Luis XVI da televisão da Record transformou o corajoso ato em pirraça e covardia juvenil. Utilizando-se de seus "conselheiros" (bem ao tom das antigas cortes de nobres) e de sua ultra exposição na mídia, decretou a falência profissional de um rapaz por "quebra de contrato na vida". Alguém deveria explicar ao senhor Justus que a vida não é um contrato e que ele, Justus, não tem ingerência na vida de mais ninguém com exceção da sua.
Quanto mais a nossa sociedade produz ignonímias tais quais essa, que buscam "ensinar" o que nunca aprenderam e que medem a competência pela conta bancária, mais veremos frutificar a desigualdade que certamente é o mal do século XXI. Desigualdade que começa nas pequenas coisas e que acaba por falsamente transformar Justus numa espécie de Senhor Destino, conhecedor profundo de "não se sabe bem o quê" que podemos avaliar "não se sabe bem pelo quê" mas que o permite cometer atrocidades recheadas de ignorância e soberba.
Longe de fazer apologia ao rapaz, quero deixar aqui meu "urra" a uma atitude honesta a digna, competente e corajosa. O Aprendiz foi tão humilde que chegou a desnudar a carapuça do "mestre".
Que saudades do senhor Miaguy ...
Isso é deveras estranho, pois no Brasil todas as pessoas públicas procuram se cercar de uma aura de humildade, simpatia e simplicidade. Mesmo pessoas reconhecidamente intragáveis ao menor sinal de uma câmera começam a usar o pronome "nós" ao invés do eu e a desculpar a tudo e a todos em nome de sua grandiosidade. Em qualquer canal e em qualquer tempo isso parecia uma verdade imutável.
A Record mudou isso. Colocou no ar um programa cópia de programa gringo com requintes de pedantismo, botox e laquê. Atração de impressionante falta de tato e respeito que chega a superar o Programa do Jô em suas mais asquerosas entrevistas. Aliás, Jô Soares e Roberto Justus não caberiam no mesmo prédio. Seus egos intergalácticos não suportariam essa proximidade.
Publicitário de 51 anos Roberto Justus fez carreira como atendimento de agências. Uma função não muito bem reconhecida entre os publicitários e procurada por quem tem mais tato do que criatividade. Sempre teve respaldo financeiro para suas buscas, não consolidando assim um "empreendedor" no sentido mais estrito da palavra. Ganhou uma série de prêmios muito mais políticos do que merecidos e construiu, como é a tônica nesse país, uma carreira com muito mais maquiagem do que suor.
Ao comandar o rídiculo programa não escolhe, se puderem vocês perceber, pessoas que de alguma forma tenham sua personalidade profissional formada. São sempre estudantes cujas fraquezas são facilmente percebidas e tenazmente estudadas. Atrevo-me a dizer que de início já se sabe quem será o "vencedor". Justus e sua equipe de vilania fazem propostas de jobs totalmente sem nexo e tiram daí conclusões mais estereotipadas ainda. Baseadas na "experiência" de um profissional que justifica, com sua carreira profissional, muito mais o botox do que o pedantismo que apresenta.
Recentemente, ao encontrar um rapaz que, pode ter os defeitos que tiver, teve ao menos, peito para, em um programa ao vivo, demitir o Luis XVI da televisão da Record transformou o corajoso ato em pirraça e covardia juvenil. Utilizando-se de seus "conselheiros" (bem ao tom das antigas cortes de nobres) e de sua ultra exposição na mídia, decretou a falência profissional de um rapaz por "quebra de contrato na vida". Alguém deveria explicar ao senhor Justus que a vida não é um contrato e que ele, Justus, não tem ingerência na vida de mais ninguém com exceção da sua.
Quanto mais a nossa sociedade produz ignonímias tais quais essa, que buscam "ensinar" o que nunca aprenderam e que medem a competência pela conta bancária, mais veremos frutificar a desigualdade que certamente é o mal do século XXI. Desigualdade que começa nas pequenas coisas e que acaba por falsamente transformar Justus numa espécie de Senhor Destino, conhecedor profundo de "não se sabe bem o quê" que podemos avaliar "não se sabe bem pelo quê" mas que o permite cometer atrocidades recheadas de ignorância e soberba.
Longe de fazer apologia ao rapaz, quero deixar aqui meu "urra" a uma atitude honesta a digna, competente e corajosa. O Aprendiz foi tão humilde que chegou a desnudar a carapuça do "mestre".
Que saudades do senhor Miaguy ...
quarta-feira, agosto 23, 2006
Flatos e Fatos
Era para mim o último bastião da boa educação. Era como o reduto da civilização, intocável, inabalável, pétreo. Entretanto, percebi como estou antiquado.
Quando criança recebia inúmeros ensinamentos de etiqueta, bons modos. O que era "bonito" e o que não era. Tatu do nariz feio. Baba escorrendo ou fazendo "bolhinha" feio também. Mostrar sorridente o cocô para a mãe, não tem preço! Tudo isso para me transformar no ser humano reconhecido hoje como educado, aliás muito educado. Como cruzar as pernas, "obrigado", "de nada", "com licensa", "bom dia" etc. Deixe os mais velhos sentar, não interrompa quando os outros estão falando (viu mana!), não fale palavrão, como da boca fechada, não repita o que houve. E assim fui crescendo. O desrespeito a uma destas normas era seguro uma carraspana, mas nada de abominável. Tudo dependeria da situação. Em casa, alerta verde. No colégio, alerta amarelo. Em residências desconhecidas, alerta laranja. Em público, vermelhaço! Era necessário que as mães e os pais secretamente competissem sobre os dotes de ensino de cada família. Quanto mais educado os filhos, melhor. Secretamente eles fazem torneios onde levam os filhos para testarem-se mutuamente. A isso eles chamam de "aniversário de crinça" e lá tem a terrível prova do "cachorro quente empapado de molho" e a não menos terrível do "último negrinho". Essas duas, para as crianças, são um divisor de águas.
Lembro-me de um elucidativo diálogo:
A Mãe - Não pode ser amigo dele e pronto!
O Principezinho - Por quê?
A Mãe - Porque ele diz palavrão!
O Principezinho - Mas tu e o pai também dizem e eu sou amigo de vocês ...
A Mãe - Porque ele come de boca aberta!
O principezinho - Mas eu não vou ser amigo dele quando ele estiver comendo. É só quando ele estiver brincando.
A Mãe - Não pode ser amigo, já falei!!
O principezinho - Por queeeeeeÊ??!
A Mãe - Porque ele solta "pum", pronto. Ele solta "pum" na frente de todo mundo.
Acabou. Soltar "pum" na frente dos outros era demais. Ele era um pouco mais que um bixo, parafraseando um grande amigo. Era o limite. Estava feita a negativa da amizade e sustentada com sólido argumento. Ou melhor, gasoso argumento.
Depois o "pum" virou traque. Que virou "cheiroso". Que virou peido e que, mais recentemente, virou flato. Sem, contudo, mudar de essência. Fétida e discriminante em termos sociais. No colégio, segundo grau:
O Colega - Nossa!!! Professor peidaram aqui!! Não dá para aguentar ... vou sair da sala!
O Professor - Não vai não! Quem peidou?
O Colega - Foi ele!
O Príncipe - Não foi eu não! Pára!
O Colega - Foi sim, tá horrível professor. Vou sair!
O Professor - Não vai sozinho. Vão os dois. Quem peidou e quem faz escândalo!!
O Príncipe - Não fui eu!! Tô falando!
O Professor - Não interessa. Fora da sala. Expliquem pra direção depois ...
Justo pelo motivo e injusto porque eu não havia peidado. Sedimentava-se o conceito de ostracismo social através do traque. Meu conceito fechava-se. Peido era motivo de banimento social, ou seja, nunca peide em público. Registrado.
Recentemente os fatos foram outros:
Wally - Foi tu que peidou?
LA - Fui.
Wally - A tá. É que eu ia sair ali para a área para fazer isso ... para não incomodar vocês.
LA - Não precisa não. Faz aí mesmo, não tem problema. É tudo amigo mesmo.
O Príncipe - (boquiaberto assistindo a cena)
Ou seja, o peido é sinônimo de amizade, de proximidade, de coleguismo, de aceitação!
Pior ... Na casa do meu sogro. Com cachorro, sogra, cunhados, periquitos, papagaios, a nona e tudo o mais que se tem direito, todos sentados na frente da TV, de repente:
A moça linda - ÔOO Pai!!!? (Depois de espremido estampido bundal)
O Sogro - O quê?? Foi o cachorro. (Com indisfarçável sarcasmo)
O cachorro - Au, au au. RRRRrrrrrr (Negando a pretensa obviedade da afirmação)
Todo mundo cai na risada, inclusive o sogro. Meu cunhado acompanha o pai na sinfonia número 0 em peido menor, soltando o seu também e me olham.
Indisfarçável a minha vergonha. Inafastável a pressão social pela aceitação. Os olhares ficaram grudados em mim até que com toda a força do meu abdôme consegui um, segundo analistas de plantão, "peidinho de véia".
Vencido, hoje peido tentando ser aceito socialmente ...
Quando criança recebia inúmeros ensinamentos de etiqueta, bons modos. O que era "bonito" e o que não era. Tatu do nariz feio. Baba escorrendo ou fazendo "bolhinha" feio também. Mostrar sorridente o cocô para a mãe, não tem preço! Tudo isso para me transformar no ser humano reconhecido hoje como educado, aliás muito educado. Como cruzar as pernas, "obrigado", "de nada", "com licensa", "bom dia" etc. Deixe os mais velhos sentar, não interrompa quando os outros estão falando (viu mana!), não fale palavrão, como da boca fechada, não repita o que houve. E assim fui crescendo. O desrespeito a uma destas normas era seguro uma carraspana, mas nada de abominável. Tudo dependeria da situação. Em casa, alerta verde. No colégio, alerta amarelo. Em residências desconhecidas, alerta laranja. Em público, vermelhaço! Era necessário que as mães e os pais secretamente competissem sobre os dotes de ensino de cada família. Quanto mais educado os filhos, melhor. Secretamente eles fazem torneios onde levam os filhos para testarem-se mutuamente. A isso eles chamam de "aniversário de crinça" e lá tem a terrível prova do "cachorro quente empapado de molho" e a não menos terrível do "último negrinho". Essas duas, para as crianças, são um divisor de águas.
Lembro-me de um elucidativo diálogo:
A Mãe - Não pode ser amigo dele e pronto!
O Principezinho - Por quê?
A Mãe - Porque ele diz palavrão!
O Principezinho - Mas tu e o pai também dizem e eu sou amigo de vocês ...
A Mãe - Porque ele come de boca aberta!
O principezinho - Mas eu não vou ser amigo dele quando ele estiver comendo. É só quando ele estiver brincando.
A Mãe - Não pode ser amigo, já falei!!
O principezinho - Por queeeeeeÊ??!
A Mãe - Porque ele solta "pum", pronto. Ele solta "pum" na frente de todo mundo.
Acabou. Soltar "pum" na frente dos outros era demais. Ele era um pouco mais que um bixo, parafraseando um grande amigo. Era o limite. Estava feita a negativa da amizade e sustentada com sólido argumento. Ou melhor, gasoso argumento.
Depois o "pum" virou traque. Que virou "cheiroso". Que virou peido e que, mais recentemente, virou flato. Sem, contudo, mudar de essência. Fétida e discriminante em termos sociais. No colégio, segundo grau:
O Colega - Nossa!!! Professor peidaram aqui!! Não dá para aguentar ... vou sair da sala!
O Professor - Não vai não! Quem peidou?
O Colega - Foi ele!
O Príncipe - Não foi eu não! Pára!
O Colega - Foi sim, tá horrível professor. Vou sair!
O Professor - Não vai sozinho. Vão os dois. Quem peidou e quem faz escândalo!!
O Príncipe - Não fui eu!! Tô falando!
O Professor - Não interessa. Fora da sala. Expliquem pra direção depois ...
Justo pelo motivo e injusto porque eu não havia peidado. Sedimentava-se o conceito de ostracismo social através do traque. Meu conceito fechava-se. Peido era motivo de banimento social, ou seja, nunca peide em público. Registrado.
Recentemente os fatos foram outros:
Wally - Foi tu que peidou?
LA - Fui.
Wally - A tá. É que eu ia sair ali para a área para fazer isso ... para não incomodar vocês.
LA - Não precisa não. Faz aí mesmo, não tem problema. É tudo amigo mesmo.
O Príncipe - (boquiaberto assistindo a cena)
Ou seja, o peido é sinônimo de amizade, de proximidade, de coleguismo, de aceitação!
Pior ... Na casa do meu sogro. Com cachorro, sogra, cunhados, periquitos, papagaios, a nona e tudo o mais que se tem direito, todos sentados na frente da TV, de repente:
A moça linda - ÔOO Pai!!!? (Depois de espremido estampido bundal)
O Sogro - O quê?? Foi o cachorro. (Com indisfarçável sarcasmo)
O cachorro - Au, au au. RRRRrrrrrr (Negando a pretensa obviedade da afirmação)
Todo mundo cai na risada, inclusive o sogro. Meu cunhado acompanha o pai na sinfonia número 0 em peido menor, soltando o seu também e me olham.
Indisfarçável a minha vergonha. Inafastável a pressão social pela aceitação. Os olhares ficaram grudados em mim até que com toda a força do meu abdôme consegui um, segundo analistas de plantão, "peidinho de véia".
Vencido, hoje peido tentando ser aceito socialmente ...
quarta-feira, agosto 16, 2006
terça-feira, agosto 15, 2006
Reconectando
Caro Príncipe e Cara Raposa
Passei por um tempo na minha vida onde tudo era imaginação, pensei tivesse atingido o auge. Contudo, ao conhecer este endereço verifiquei que estava muito aquém do possível. Apesar de todo o meu sucesso, eu não conseguia transpor idéias com tanto carisma e sagacidade. O carisma é do príncipe ou da raposa? De qualquer forma me acostumei nos últimos meses de 2005 e nos primeiros de 2006 com essa espécie de terapia da forma e bolsa de imaginação. Confesso que não pude suportar quando, dia-a-dia, eu frequentava o blog e ele estava inerte. Sem mudanças como se congelado num mundo tão veloz como o mundo virtual. Pensei em largar tudo também, afinal se vocês podem eu estava certo de que devia. Liguei para os meus advogados, verifiquei as quebras de contrato, pensei em me refugiar em algum país de terceiro mundo fugindo do mundo que me exigia profissionalmente. Tudo era uma depressão só. Eis que, então, resolvi mandar-lhe este e-mail para pedir, ou melhor, para implorar que voltassem a escrever. Fosse a que tempo fosse. Fosse com que razão fosse. Escreva, por favor. Minha imaginação estava minguando, mas por favor, não publique esse e-mail. Talvez meus fãs não aceitem muito bem ...
Passei por um tempo na minha vida onde tudo era imaginação, pensei tivesse atingido o auge. Contudo, ao conhecer este endereço verifiquei que estava muito aquém do possível. Apesar de todo o meu sucesso, eu não conseguia transpor idéias com tanto carisma e sagacidade. O carisma é do príncipe ou da raposa? De qualquer forma me acostumei nos últimos meses de 2005 e nos primeiros de 2006 com essa espécie de terapia da forma e bolsa de imaginação. Confesso que não pude suportar quando, dia-a-dia, eu frequentava o blog e ele estava inerte. Sem mudanças como se congelado num mundo tão veloz como o mundo virtual. Pensei em largar tudo também, afinal se vocês podem eu estava certo de que devia. Liguei para os meus advogados, verifiquei as quebras de contrato, pensei em me refugiar em algum país de terceiro mundo fugindo do mundo que me exigia profissionalmente. Tudo era uma depressão só. Eis que, então, resolvi mandar-lhe este e-mail para pedir, ou melhor, para implorar que voltassem a escrever. Fosse a que tempo fosse. Fosse com que razão fosse. Escreva, por favor. Minha imaginação estava minguando, mas por favor, não publique esse e-mail. Talvez meus fãs não aceitem muito bem ...
Atenciosamente
Steven Spielberg
Caro e gostoso príncipe,
Não tens idéia do quanto me fizeste bem aparecendo e o quanto tua ida me deixou no vazio. Quase "like a virgen" na capa da "Vogue". Desasada. O mundo era só "Rain" e mesmo toda a minha religiosidade adquirida não eram suficiente para aplacar a síndrome da abstinência. Sim, seu blog era uma droga! Droga sem a qual eu não vivia. Prometo fazer um vídeo comigo. Um vídeo clipe com um monte de dançarinas lindíssimas, o que acha? Por favor volte a me fazer feliz com a ponta dos seus dedos ... Não posso ir além, minha religião não permite. Ao menos nesse horário ... Por favor não me "Evita" nunca mais.
Caro e gostoso príncipe,
Não tens idéia do quanto me fizeste bem aparecendo e o quanto tua ida me deixou no vazio. Quase "like a virgen" na capa da "Vogue". Desasada. O mundo era só "Rain" e mesmo toda a minha religiosidade adquirida não eram suficiente para aplacar a síndrome da abstinência. Sim, seu blog era uma droga! Droga sem a qual eu não vivia. Prometo fazer um vídeo comigo. Um vídeo clipe com um monte de dançarinas lindíssimas, o que acha? Por favor volte a me fazer feliz com a ponta dos seus dedos ... Não posso ir além, minha religião não permite. Ao menos nesse horário ... Por favor não me "Evita" nunca mais.
Beijos
Madonna
PS.: Raposa?! "whos that girl?"
Ei você seja lá quem for
Já coloquei todos os meus serviços de inteligência para descobrir os nomes dos dois que escreviam regularmente nesse endereço. Dou-lhe um aviso: ou voltam a escrever ou vou bombardear a capital de vocês. Pelo jeito você é brasileiro então vou avisando, se em dois dias não voltarem a escrever eu vou bombardear Buenos Aires. Arrasarei tudo.
Faça isso em nome da liberdade e da democracia do povo americano.
Hi,
Im sending to you US$ 1.000.000,00. Banking on Aruba. Come back to the web or the money will fade.
Ei você seja lá quem for
Já coloquei todos os meus serviços de inteligência para descobrir os nomes dos dois que escreviam regularmente nesse endereço. Dou-lhe um aviso: ou voltam a escrever ou vou bombardear a capital de vocês. Pelo jeito você é brasileiro então vou avisando, se em dois dias não voltarem a escrever eu vou bombardear Buenos Aires. Arrasarei tudo.
Faça isso em nome da liberdade e da democracia do povo americano.
God Bless America.
George W. Bush
Pôxa você ...
Retorna aí
é tudo tão lindo, tão brasileiro, tão baiano ...
é uma coisa de dentro, o negócio da raposa, precisa voltar ...
de onde veio essa idéia toda? é tudo tão lindo, tão brasileiro, tão ... acho que já falei isso.
De qualquer forma: "gosto de te ver correr leãozinho" ...
Corra pelo teclado ... discorra pela tela suas idéias ... Seja tropicaliente.
ou não ...
Pôxa você ...
Retorna aí
é tudo tão lindo, tão brasileiro, tão baiano ...
é uma coisa de dentro, o negócio da raposa, precisa voltar ...
de onde veio essa idéia toda? é tudo tão lindo, tão brasileiro, tão ... acho que já falei isso.
De qualquer forma: "gosto de te ver correr leãozinho" ...
Corra pelo teclado ... discorra pela tela suas idéias ... Seja tropicaliente.
ou não ...
Caetano V.
Aí mané,
Nóis iscreve do retiro. Retiro de sangue bão, tá ligado?!
Aqui só tem irmão inocente e que ficava amarrado nas letra aí. Tá fazendo falta, já é ...
o siguinte mano, nós sequestrô a gata aquela. Branquinha tá aqui miando o bixo. Se tu não voltá a inscrevê nóis te manda ela por carta, falow? Um tiquinho de cada vez ... se tu (ou tus, não sabemo) não se manifesta nós faz o que fazeu aqui em sampa de novo. Vai te nêgo comendo chumbo ... te liga intão.
Companheiro,
Não faça assim com o povo brasileiro. Um povo tão sufrido (sic, seja lá o que isso significa!) um povo que acorda com corrupção, dorme com corrupção, vai no banheiro com corrupção e acaba achando que tudo é corrupto. Eu sei que o príncipe não é. O príncipe é dos tempo de CUT no ABC. A gente tem que voltar a fazer esse Brasil pra frente. Não pode mais errar. Não se permito mais errar. Então volta a fazer essas idéias virarem piada ou lágrima. eheheheh Piada ou lágrima, parece até mot pro meu governo!
Aí mané,
Nóis iscreve do retiro. Retiro de sangue bão, tá ligado?!
Aqui só tem irmão inocente e que ficava amarrado nas letra aí. Tá fazendo falta, já é ...
o siguinte mano, nós sequestrô a gata aquela. Branquinha tá aqui miando o bixo. Se tu não voltá a inscrevê nóis te manda ela por carta, falow? Um tiquinho de cada vez ... se tu (ou tus, não sabemo) não se manifesta nós faz o que fazeu aqui em sampa de novo. Vai te nêgo comendo chumbo ... te liga intão.
Fé in Deus
Chefia PCC
Caros amigos
Está todo mundo me culpando pelo fracasso da seleção erroneamente. Está aí a culpa. Durante a copa eu não consegui motivar a equipe porque não conseguia me sentir motivado. E sabe por que não conseguia me sentir motivado? Porque esse blog estava parado, como o Roberto Carlos. Arrumando a meia. É assim, lógico como o futebol. Então vamos parar de colocar em mim toda a culpa senão a cabeçada vai rolar ...
Caros amigos
Está todo mundo me culpando pelo fracasso da seleção erroneamente. Está aí a culpa. Durante a copa eu não consegui motivar a equipe porque não conseguia me sentir motivado. E sabe por que não conseguia me sentir motivado? Porque esse blog estava parado, como o Roberto Carlos. Arrumando a meia. É assim, lógico como o futebol. Então vamos parar de colocar em mim toda a culpa senão a cabeçada vai rolar ...
Sem discriminação para com os gordos e velhos
Carlos Alberto Parreira
Companheiro,
Não faça assim com o povo brasileiro. Um povo tão sufrido (sic, seja lá o que isso significa!) um povo que acorda com corrupção, dorme com corrupção, vai no banheiro com corrupção e acaba achando que tudo é corrupto. Eu sei que o príncipe não é. O príncipe é dos tempo de CUT no ABC. A gente tem que voltar a fazer esse Brasil pra frente. Não pode mais errar. Não se permito mais errar. Então volta a fazer essas idéias virarem piada ou lágrima. eheheheh Piada ou lágrima, parece até mot pro meu governo!
Vote Lula 2006, sem paz e sem amor ...
Luis Inácio Lula da Silva
Hi,
Im sending to you US$ 1.000.000,00. Banking on Aruba. Come back to the web or the money will fade.
VTY
Gates, Bill
quarta-feira, maio 17, 2006
A tal da cama ...
O príncipe: Alô?! Cara podes fazer um favor para mim? (Pelo MSN)
O publicitário: E aí? Claro pode falar ...
O príncipe: Meu telefone tá como um Pai-de-Santo, podes pedir uma pizza para mim?
O publicitário: Sim. Manda o telefone e o que tu quer que eu mando pro teu endereço.
O príncipe: O telefone é XX XXXX-XXXX.
O publicitário: E os sabores?
O príncipe: Izola Bella, Frango Maravilha, Quatro-queijos e portuguesa.
O publicitário: Quatro-queijos, portuguesa e o que mais?
O príncipe: Izola Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Algo normal, do tipo calabreza, nem pensar?
O príncipe: Cara são bons esses sabores, Izela Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Ah, desculpa. Não vou pedir.
O príncipe: Como assim?
O publicitário: É, não vou ligar para um lugar que não sei nem se é pizzaria pedindo um "Frango Maravilha" muito menos essa tal de Izola Bella. Desculpa não tem jeito ...
O príncipe: Como assim, não entendi ...
O publicitário: Isso só pode ser sacanagem tua, não vou pedir. Imagina o que é um "frango maravilha" correndo pelado por aí ...
A raposa: Pede um "Frango Maravilha" com recheio de peperonni, e dos grandes ...
O publicitário: Vai à merda, sabores normais ou não peço ...
No fim acabamos não pedindo mesmo, mas o fato de sempre se ser arriado tem seu preço. Só para constar os sabores existem mesmo.
Num outro dia ...
O príncipe: Cara, deu um pau aqui no meu HD. Vou precisar da tua ajuda.
O publicitário: Deu pau no teu C:?
O príncipe: Vai à merda é sério, acho que perdi todos os dados.
O publicitário: Deixa ver se entendi perdeu tudo o que tinha no teu C:?
O príncipe: Pombas, é sério meu, o que posso fazer? Está dando tela azul o tempo todo.
O publicitário: Então a coisa é séria, teu C: tá com problema e tu ainda tem dado para um azul o tempo todo.
O príncipe: Caramba!!
O públicitário: Certo, certo. Falando sério. Tem que descobrir o que está dando problema,
baixa esse programa aqui. O Sandra2005 ...
A raposa: É sacanagem! É sacanagem na certa ...
Não baixei mesmo. É claro que era sacanagem. Ia aparecer um papel de parede de um travesti e o ícone do meu mouse ia virar uma bimba. Já pensou?
Fez fama? Deita na cama ...
O publicitário: E aí? Claro pode falar ...
O príncipe: Meu telefone tá como um Pai-de-Santo, podes pedir uma pizza para mim?
O publicitário: Sim. Manda o telefone e o que tu quer que eu mando pro teu endereço.
O príncipe: O telefone é XX XXXX-XXXX.
O publicitário: E os sabores?
O príncipe: Izola Bella, Frango Maravilha, Quatro-queijos e portuguesa.
O publicitário: Quatro-queijos, portuguesa e o que mais?
O príncipe: Izola Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Algo normal, do tipo calabreza, nem pensar?
O príncipe: Cara são bons esses sabores, Izela Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Ah, desculpa. Não vou pedir.
O príncipe: Como assim?
O publicitário: É, não vou ligar para um lugar que não sei nem se é pizzaria pedindo um "Frango Maravilha" muito menos essa tal de Izola Bella. Desculpa não tem jeito ...
O príncipe: Como assim, não entendi ...
O publicitário: Isso só pode ser sacanagem tua, não vou pedir. Imagina o que é um "frango maravilha" correndo pelado por aí ...
A raposa: Pede um "Frango Maravilha" com recheio de peperonni, e dos grandes ...
O publicitário: Vai à merda, sabores normais ou não peço ...
No fim acabamos não pedindo mesmo, mas o fato de sempre se ser arriado tem seu preço. Só para constar os sabores existem mesmo.
Num outro dia ...
O príncipe: Cara, deu um pau aqui no meu HD. Vou precisar da tua ajuda.
O publicitário: Deu pau no teu C:?
O príncipe: Vai à merda é sério, acho que perdi todos os dados.
O publicitário: Deixa ver se entendi perdeu tudo o que tinha no teu C:?
O príncipe: Pombas, é sério meu, o que posso fazer? Está dando tela azul o tempo todo.
O publicitário: Então a coisa é séria, teu C: tá com problema e tu ainda tem dado para um azul o tempo todo.
O príncipe: Caramba!!
O públicitário: Certo, certo. Falando sério. Tem que descobrir o que está dando problema,
baixa esse programa aqui. O Sandra2005 ...
A raposa: É sacanagem! É sacanagem na certa ...
Não baixei mesmo. É claro que era sacanagem. Ia aparecer um papel de parede de um travesti e o ícone do meu mouse ia virar uma bimba. Já pensou?
Fez fama? Deita na cama ...
quinta-feira, maio 11, 2006
A outra face
Mundo vasto esse mundo de safos ...
Olhares inóspitos de seres indiferentes.
Onde os valores não se fazem presentes,
O 'esperto' se valhe apenas de um lapso.
Antes fosse toda a matéria o único alvo!
Aviltar a alma, hoje em dia, é tão banal ...
Que o digno é visto só como um boçal,
E a sinceridade é apenas um sonho parvo.
Quero de volta o grande Dom Quixote!
Rendendo homenagens à códigos antigos,
Mas (acho) desses tempos já fizeram picote.
Nojenta gente a cultivar um ideal corroído,
Onde o honesto e de sentimentos contíguos
Desperta cambaleante e dorme consumido
Olhares inóspitos de seres indiferentes.
Onde os valores não se fazem presentes,
O 'esperto' se valhe apenas de um lapso.
Antes fosse toda a matéria o único alvo!
Aviltar a alma, hoje em dia, é tão banal ...
Que o digno é visto só como um boçal,
E a sinceridade é apenas um sonho parvo.
Quero de volta o grande Dom Quixote!
Rendendo homenagens à códigos antigos,
Mas (acho) desses tempos já fizeram picote.
Nojenta gente a cultivar um ideal corroído,
Onde o honesto e de sentimentos contíguos
Desperta cambaleante e dorme consumido
segunda-feira, maio 08, 2006
Decepção
Depois de ver a minha namorada entrar no carro com outro macho e ainda por cima levar o nosso cãozinho de estimação junto eu não suportei a dor e resolvi encher a cara ...
Tomei sem respirar seis doses de Chamyto inteiras e não contente fui fazer uma limonada para comer com fandangos ... só de raiva.
Eu sou assim ... um homem duro.
Tomei sem respirar seis doses de Chamyto inteiras e não contente fui fazer uma limonada para comer com fandangos ... só de raiva.
Eu sou assim ... um homem duro.
Desde cedo
No momento onde o Brasil parece, de novo, uma mar de lama. As pessoas dizem que o problema é cultural. Se é cultural então tem fundo na educação. Comecei a pensar sobre isso e me lembrei dos velhos tempos:
"Vovô viu a uva."
"Talita foi à vila."
"Cacá caiu da cama"
Com essa onda de modernidade hoje encontramos nas salas de aula:
"Vovô viu a vulva". (Ainda bem que só viu ...)
"Pedro viu a perereca pelada". (Será que só viu?)
"Papai gemia de dor." (Era de dor mesmo?)
Isso apenas conteúdo, digamos, quase sexual, mas em algumas salas de aula mais "politizadas" eu tenho encontrado:
"Lula não viu nada."
"O Garotinho foi preso"
"Helena gritava muito"
Na parede da sala de aula eu li:
"Corrupção: tô dentro, pra não ficar de fora!"
Crise moral, institucional, educacional e tudo mais ...
"Vovô viu a uva."
"Talita foi à vila."
"Cacá caiu da cama"
Com essa onda de modernidade hoje encontramos nas salas de aula:
"Vovô viu a vulva". (Ainda bem que só viu ...)
"Pedro viu a perereca pelada". (Será que só viu?)
"Papai gemia de dor." (Era de dor mesmo?)
Isso apenas conteúdo, digamos, quase sexual, mas em algumas salas de aula mais "politizadas" eu tenho encontrado:
"Lula não viu nada."
"O Garotinho foi preso"
"Helena gritava muito"
Na parede da sala de aula eu li:
"Corrupção: tô dentro, pra não ficar de fora!"
Crise moral, institucional, educacional e tudo mais ...
sexta-feira, maio 05, 2006
Solução
Podíamos pegar a massa de pessoas abaixo da linha da miséria no Brasil vesti-las, alimentá-las, dar instrução básica ensinar a pegar em armas e mandar para reaver o que foi tomado pela Bolívia do patrimônio da Petrobrás. Assim eles teriam comida e certamente se agarrariam a essa chance. Melhor lutar que morrer de fome. Se conseguissem reaver o patrimônio, os sobreviventes e famílias dos mortos ficariam com 50% do valor da empresa lá e fariam uma grande cooperativa para repartirem anualmente os lucros.
Detalhe interessante, mandaríamos todos os nossos políticos, na impossibilidade de distinguir o joio do trigo, uma semana antes lá para "negociarem" com o governo de Evo Morales e assistiríamos à execução sumária deles por espionagem.
O nosso judiciário seria levado como destacamento de guarda e apoio durante a ocupação das refinarias e dos pontos importantes em território boliviano. Assim, eles fariam alguma coisa da vida e veriam que a morosidade é fatal na maioria dos casos.
Kelly Key seria nossa show girl em solo boliviano sendo obrigada a cantar no meio dos combates, para manter a moral do inimigo baixa, já que destribuiremos tapa-ouvidos para os nossos soldados (obedecendo à Convenção de Genebra).
A Narcisa Tamborindeguy, o Lasier Martins, o José Barrinuevo e o Rogério Mendelski seriam destacados como jornalistas para cobrir o conflito sendo em seguida catalogados como "efeitos colaterais" do mesmo.
Garotinho seria colocado lá nos postos da inteligência brasileira, como articulador da guerra pois, se nada desse certo ele, ao menos, já teria uma Rosinha para o túmulo.
E, no momento mais simbólico dos combates, faríamos um jogo beneficente onde só poderiam entrar no estádio pessoas armadas. Uma promoção do tipo "Se ele errar acerte um tiro e ganhe um Celta" seria ventilada na cidade onde o espetáculo fosse acontecer. A peleia seria um Internacional x Corinthians. Durante o jogo os auto falantes do estádio anunciaram a promoção relâmpago: "Argentino vale dois carros!".
Cada vez mais me convenço que sou um gênio e que deveria entrar para a política ...
Detalhe interessante, mandaríamos todos os nossos políticos, na impossibilidade de distinguir o joio do trigo, uma semana antes lá para "negociarem" com o governo de Evo Morales e assistiríamos à execução sumária deles por espionagem.
O nosso judiciário seria levado como destacamento de guarda e apoio durante a ocupação das refinarias e dos pontos importantes em território boliviano. Assim, eles fariam alguma coisa da vida e veriam que a morosidade é fatal na maioria dos casos.
Kelly Key seria nossa show girl em solo boliviano sendo obrigada a cantar no meio dos combates, para manter a moral do inimigo baixa, já que destribuiremos tapa-ouvidos para os nossos soldados (obedecendo à Convenção de Genebra).
A Narcisa Tamborindeguy, o Lasier Martins, o José Barrinuevo e o Rogério Mendelski seriam destacados como jornalistas para cobrir o conflito sendo em seguida catalogados como "efeitos colaterais" do mesmo.
Garotinho seria colocado lá nos postos da inteligência brasileira, como articulador da guerra pois, se nada desse certo ele, ao menos, já teria uma Rosinha para o túmulo.
E, no momento mais simbólico dos combates, faríamos um jogo beneficente onde só poderiam entrar no estádio pessoas armadas. Uma promoção do tipo "Se ele errar acerte um tiro e ganhe um Celta" seria ventilada na cidade onde o espetáculo fosse acontecer. A peleia seria um Internacional x Corinthians. Durante o jogo os auto falantes do estádio anunciaram a promoção relâmpago: "Argentino vale dois carros!".
Cada vez mais me convenço que sou um gênio e que deveria entrar para a política ...
terça-feira, maio 02, 2006
Perfume de vida
O que nos leva a seguir adiante? Lembro-me de quando pequeno perguntar isso, de manhã, a mim mesmo. Na época um jogo da seleção, uma festa no final de semana ou um filme fartamente anunciado na mídia me davam a resposta. Eu, mesmo naquela idade, sabia ser isso totalmente infantil e imaginava que, quando adulto, eu teria outros motivos para levantar de manhã. As coisas mudaram. Hoje levanto de manhã por um happy-hour com os amigos, para secar o time contrário ao meu, mesmo que o meu não jogue, para ver com quem o Ben Silver vai terminar, ou muitas vezes por inércia. Em essência, acho que os motivos da minha infância eram muito mais profundos e que hoje eu sou um tanto mais bobo do que fora naquela época.
Entretanto, me preocupo mais pelo "porvir". Moro com minha avó e penso no porquê dela levantar. Oitenta e quatro anos, dificuldade para caminhar, incontinência urinária, dentadura em cima e em baixo, grave problema de audição e cega de um olho. De quebra, diabética. Ela me fala, de vez em quando, no sofá para a sala que, quando ela comprar, vai ser de tal forma e de tal cor. "E eu me pego pensando: que mundo maravilhoso ..."
Ela pergunta se eu tenho algo para ela arrumar, roupas para costurar dizendo que ainda não pode porque está doente mas que é para eu deixar na mesinha dela que assim que melhorar ela faz. E eu vejo como ela fala disso sem pensar no caminho terminando. Como ela pensa que realmente isso pode acontecer e como, para ela, VAI acontecer.
Hoje ela começou a me perguntar por que não voltavamos a morar em Porto Alegre? Segundo ela, morar em Caxias é ruim porque é frio. Estamos em Porto Alegre e ela mora na mesma casa a quase trinta anos. No início me preocupei de ela estar ficando senil. Agora entendo como isso pode ser uma bênção. Provavelmente sã ela não aguentasse esperar que alguém a desse banho. Provavelmente sã ela não suportasse levantar no meio de pessoas se urinando toda sem com isso se importar. Provavelmente sã ela entendesse que os estofados nunca serão comprados e as calças nunca serão serzidas. Provavelmente sã ela já teria se entregue ao rigor da vida e o brilho infantil que ainda vejo em seus olhos fosse apenas uma suposição nossa no seu velório.
Essa tênue transgressão que ela tem realizado daquilo que entendemos por realidade é um lençol de seda que embala o corpo são dela e aconchega o seu espírito cansado. O corpo que ela pensa ter e o espírito que ela sente ter. Não tenho o direito de retirar isso dela. Nem que para isso eu tenha que selar cartas com o endereço do remetente errado ...
Entretanto, me preocupo mais pelo "porvir". Moro com minha avó e penso no porquê dela levantar. Oitenta e quatro anos, dificuldade para caminhar, incontinência urinária, dentadura em cima e em baixo, grave problema de audição e cega de um olho. De quebra, diabética. Ela me fala, de vez em quando, no sofá para a sala que, quando ela comprar, vai ser de tal forma e de tal cor. "E eu me pego pensando: que mundo maravilhoso ..."
Ela pergunta se eu tenho algo para ela arrumar, roupas para costurar dizendo que ainda não pode porque está doente mas que é para eu deixar na mesinha dela que assim que melhorar ela faz. E eu vejo como ela fala disso sem pensar no caminho terminando. Como ela pensa que realmente isso pode acontecer e como, para ela, VAI acontecer.
Hoje ela começou a me perguntar por que não voltavamos a morar em Porto Alegre? Segundo ela, morar em Caxias é ruim porque é frio. Estamos em Porto Alegre e ela mora na mesma casa a quase trinta anos. No início me preocupei de ela estar ficando senil. Agora entendo como isso pode ser uma bênção. Provavelmente sã ela não aguentasse esperar que alguém a desse banho. Provavelmente sã ela não suportasse levantar no meio de pessoas se urinando toda sem com isso se importar. Provavelmente sã ela entendesse que os estofados nunca serão comprados e as calças nunca serão serzidas. Provavelmente sã ela já teria se entregue ao rigor da vida e o brilho infantil que ainda vejo em seus olhos fosse apenas uma suposição nossa no seu velório.
Essa tênue transgressão que ela tem realizado daquilo que entendemos por realidade é um lençol de seda que embala o corpo são dela e aconchega o seu espírito cansado. O corpo que ela pensa ter e o espírito que ela sente ter. Não tenho o direito de retirar isso dela. Nem que para isso eu tenha que selar cartas com o endereço do remetente errado ...
Se nevasse usava ski?
E veio o inverno. Não apenas as folhinhas amarelentas caindo terminaram mas também aqueles dias de temperaturas amenas são agora lembrança. No sul é assim num dia faz frio, no outro piora muito. Agora por exemplo eu brinquei na neve. Fiz bonequinhos de neve e joguei bolinhas de neve nos passantes. Um frio gélido que por aqui tem o sugestivo nome de "Minuano" congela minhas orelhas, mas não estou nem aí. A neve me aquece. Embora algumas pessoas não gostem das bolinhas eu ainda assim as faço. Jogo mesmo, na cara de preferência. Aqui do lado de casa tinha uma poça d'água que congelou e a molecada está jogando hókei. Trenós puxados por huskis circulam do supermercado para as casas e as correntes fazem parte dos carros a partir de hoje.
Fondue com vinho tinto e, de noite, chocolate quente. Não tenho lareira mas a calefação da minha casa está bem boa. O branco toma conta das ruas assim como o cachecóis dos pescoços. É tudo muito frio, mas ao mesmo tempo muito sereno.
Vou encerrando por aqui porque vou ter que salvar um guri que ta dentro d'água. O gelo quebrou e ele está se afogando.
Tem algumas pessoas, maldosas, incontestavelmente pessimistas que dizem que tenho mania de aumentar as coisas. Não acho. Inverno em Porto Alegre é exatamente assim como eu descrevo. Basta olhar pela minha gripe ...
Fondue com vinho tinto e, de noite, chocolate quente. Não tenho lareira mas a calefação da minha casa está bem boa. O branco toma conta das ruas assim como o cachecóis dos pescoços. É tudo muito frio, mas ao mesmo tempo muito sereno.
Vou encerrando por aqui porque vou ter que salvar um guri que ta dentro d'água. O gelo quebrou e ele está se afogando.
Tem algumas pessoas, maldosas, incontestavelmente pessimistas que dizem que tenho mania de aumentar as coisas. Não acho. Inverno em Porto Alegre é exatamente assim como eu descrevo. Basta olhar pela minha gripe ...
sexta-feira, abril 28, 2006
Nêmesis
Com a onda que eu ando tenho que me cuidar de tudo. Estou residindo numa casa onde minha posição social está abaixo de uma gata. Calma senhores a gata é do gênero Felix e não Homo. Ela ganha carne fresca e eu como o que sobrar. Ela ganha carinho e eu carrego as compras. Se eu me atraso para a janta ela come tudo. Se chego cedo tenho que deixar comida para ela, sob pena de ser defenestrado.
Ontem porém foi o dia da vingança.
Estava eu dormindo e muito cansado. Naquele tipo de sono que você não sabe onde está, nem que horas são e muito menos onde está. Perigoso mas profundamente restaurador. Estava eu nos braços de Morpheu quando uma paulada na janela me "semi-despertou". Eu não entendia o barulho e quando me dei conta que era na janela pensei serem os extra-terrestres vindo me abdusir. Relevem eu estava "bêbado de sono". O barulho não cessava e meu pânico aumentava ainda mais. A essa altura eu recobrava paulatinamente o senso da realidade, agora acreditava serem os traficantes colombianos que estavam querendo entrar na casa. Não eu não uso nem vendo drogas. Também não sei porque o medo dos traficantes. Como não parava o barulho reuni toda minha macheza e fui até a janela. Levei quase quarenta e cinco minutos para reunira a macheza, não é que ela seja muito grande é que tava bem espalhada ...
Tive que lembrar de todos os atos de bravura da minha vida e juntar todos os elogios da minha família a minha masculinidade. Feito isso abri a janela. Lá estava a desgraçada da gata, no frio do lado de fora da casa. Nada me daria mais prazer naquele momento. Não abri o vidro da janela e deixei a gata me ver dormir quentinho ... o coisa boa ...
Ontem porém foi o dia da vingança.
Estava eu dormindo e muito cansado. Naquele tipo de sono que você não sabe onde está, nem que horas são e muito menos onde está. Perigoso mas profundamente restaurador. Estava eu nos braços de Morpheu quando uma paulada na janela me "semi-despertou". Eu não entendia o barulho e quando me dei conta que era na janela pensei serem os extra-terrestres vindo me abdusir. Relevem eu estava "bêbado de sono". O barulho não cessava e meu pânico aumentava ainda mais. A essa altura eu recobrava paulatinamente o senso da realidade, agora acreditava serem os traficantes colombianos que estavam querendo entrar na casa. Não eu não uso nem vendo drogas. Também não sei porque o medo dos traficantes. Como não parava o barulho reuni toda minha macheza e fui até a janela. Levei quase quarenta e cinco minutos para reunira a macheza, não é que ela seja muito grande é que tava bem espalhada ...
Tive que lembrar de todos os atos de bravura da minha vida e juntar todos os elogios da minha família a minha masculinidade. Feito isso abri a janela. Lá estava a desgraçada da gata, no frio do lado de fora da casa. Nada me daria mais prazer naquele momento. Não abri o vidro da janela e deixei a gata me ver dormir quentinho ... o coisa boa ...
Gato Preto
É impressionante a minha capacidade de atrair pessoas canalhas. Sou um imã para elas. Isso não é papo de mulher com dor de cotovelo. Daquelas comidas e esquecidas. Isso é papo sério. Estou pensando em criar algum tipo de concurso. Algo assim:
"Sacaneie o príncipe e ganhe um Palio 0 km."
Ou melhor:
"A melhor sacanagem ao príncipe, escolhida por júri popular, ganha uma casa."
Ao menos eu poderia colocar um telefone 0300 e ganhar alguma grana.
Posso contar nos dedos as pessoas que nunca me aprontaram. Essas curiosamente são amigos.
Quem me lê deve pensar: "Se fazendo de vítima!". Antes fosse senhoras e senhores, antes fosse.
Quando eu era pequeno minha mãe dizia assim que eu me esburrachava no chão: "Levanta para cair de novo!" Ela esta certa. Só não sei se sou uma espécie de "joão-bobo" ou um Rocky Balboa. O fato é que a galera bate, e dói.
Se eu achar o desgramado gato preto que inferniza a minha vida juro que peço para alguém matar. Com essa sina era capaz de o gato me dar um "mata-leão" e eu ir para a banha ...
Um dia da caça e ... no meu caso ... o outro a gente corre!
"Sacaneie o príncipe e ganhe um Palio 0 km."
Ou melhor:
"A melhor sacanagem ao príncipe, escolhida por júri popular, ganha uma casa."
Ao menos eu poderia colocar um telefone 0300 e ganhar alguma grana.
Posso contar nos dedos as pessoas que nunca me aprontaram. Essas curiosamente são amigos.
Quem me lê deve pensar: "Se fazendo de vítima!". Antes fosse senhoras e senhores, antes fosse.
Quando eu era pequeno minha mãe dizia assim que eu me esburrachava no chão: "Levanta para cair de novo!" Ela esta certa. Só não sei se sou uma espécie de "joão-bobo" ou um Rocky Balboa. O fato é que a galera bate, e dói.
Se eu achar o desgramado gato preto que inferniza a minha vida juro que peço para alguém matar. Com essa sina era capaz de o gato me dar um "mata-leão" e eu ir para a banha ...
Um dia da caça e ... no meu caso ... o outro a gente corre!
Perspectiva
A muito tempo estava sem disposição. Em realidade era completamente cheio da vida. Algumas coisas melhoram outras são um desastre nessa curta existência. Creio que somos feitos de sonhos e quando estes se acabam nos deixamos levar pelo tempo e pela desilusão como num grande rio em direção à eternidade. Nesse caminho certamente deixamos a carne e quem sabe o que mais ...
Pois estava eu rolando rio abaixo. Mesmo com os louváveis esforços de alguns amigos e de pessoas importantes para mim, o rio era minha rota. Deixar a vida me levar não é exatamente de bom humor que devemos ir. Eu que sempre briguei por tudo estou, de certa forma, pagando o preço da briga. Rio abaixo.
Ainda não sei ao certo porque voltei a escrever. Certo sim é que preciso de perspectivas para reativar minha vida. Ela entrou num marasmo tremendo. Melhor do que num passado próximo, com certeza, mas calma e sem perspectiva. Não gosto disso. Não me sinto à vontade à deriva, ainda que seguro. Creio na existência da carne como parte integrante da vontade da alma. Uma sem a outra não existe. A outra sem a uma é queda d'água.
Enfim parece que o bote começou a se animar de novo e com isso também meu sangue volta a correr. Como um vampiro recém acordado de um torpor, preciso de tempo para me recompor, contudo inegavelmente volto.
Aos que me detestam, desculpem, preparem-se para guerra novamente. Agora sem quartel e sem trégua. Aos que de alguma maneira gostam de mim, sejam bem vindos no fogo da minha existência. Partilharemos o mate juntos, se for apenas isso que eu puder partilhar ainda sim estarei feliz.
Está na hora de separar os homens dos guris ...
Pois estava eu rolando rio abaixo. Mesmo com os louváveis esforços de alguns amigos e de pessoas importantes para mim, o rio era minha rota. Deixar a vida me levar não é exatamente de bom humor que devemos ir. Eu que sempre briguei por tudo estou, de certa forma, pagando o preço da briga. Rio abaixo.
Ainda não sei ao certo porque voltei a escrever. Certo sim é que preciso de perspectivas para reativar minha vida. Ela entrou num marasmo tremendo. Melhor do que num passado próximo, com certeza, mas calma e sem perspectiva. Não gosto disso. Não me sinto à vontade à deriva, ainda que seguro. Creio na existência da carne como parte integrante da vontade da alma. Uma sem a outra não existe. A outra sem a uma é queda d'água.
Enfim parece que o bote começou a se animar de novo e com isso também meu sangue volta a correr. Como um vampiro recém acordado de um torpor, preciso de tempo para me recompor, contudo inegavelmente volto.
Aos que me detestam, desculpem, preparem-se para guerra novamente. Agora sem quartel e sem trégua. Aos que de alguma maneira gostam de mim, sejam bem vindos no fogo da minha existência. Partilharemos o mate juntos, se for apenas isso que eu puder partilhar ainda sim estarei feliz.
Está na hora de separar os homens dos guris ...
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