quarta-feira, maio 17, 2006

A tal da cama ...

O príncipe: Alô?! Cara podes fazer um favor para mim? (Pelo MSN)
O publicitário: E aí? Claro pode falar ...
O príncipe: Meu telefone tá como um Pai-de-Santo, podes pedir uma pizza para mim?
O publicitário: Sim. Manda o telefone e o que tu quer que eu mando pro teu endereço.
O príncipe: O telefone é XX XXXX-XXXX.
O publicitário: E os sabores?
O príncipe: Izola Bella, Frango Maravilha, Quatro-queijos e portuguesa.
O publicitário: Quatro-queijos, portuguesa e o que mais?
O príncipe: Izola Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Algo normal, do tipo calabreza, nem pensar?
O príncipe: Cara são bons esses sabores, Izela Bella e Frango Maravilha.
O publicitário: Ah, desculpa. Não vou pedir.
O príncipe: Como assim?
O publicitário: É, não vou ligar para um lugar que não sei nem se é pizzaria pedindo um "Frango Maravilha" muito menos essa tal de Izola Bella. Desculpa não tem jeito ...
O príncipe: Como assim, não entendi ...
O publicitário: Isso só pode ser sacanagem tua, não vou pedir. Imagina o que é um "frango maravilha" correndo pelado por aí ...
A raposa: Pede um "Frango Maravilha" com recheio de peperonni, e dos grandes ...
O publicitário: Vai à merda, sabores normais ou não peço ...

No fim acabamos não pedindo mesmo, mas o fato de sempre se ser arriado tem seu preço. Só para constar os sabores existem mesmo.
Num outro dia ...

O príncipe: Cara, deu um pau aqui no meu HD. Vou precisar da tua ajuda.
O publicitário: Deu pau no teu C:?
O príncipe: Vai à merda é sério, acho que perdi todos os dados.
O publicitário: Deixa ver se entendi perdeu tudo o que tinha no teu C:?
O príncipe: Pombas, é sério meu, o que posso fazer? Está dando tela azul o tempo todo.
O publicitário: Então a coisa é séria, teu C: tá com problema e tu ainda tem dado para um azul o tempo todo.
O príncipe: Caramba!!
O públicitário: Certo, certo. Falando sério. Tem que descobrir o que está dando problema,
baixa esse programa aqui. O Sandra2005 ...
A raposa: É sacanagem! É sacanagem na certa ...

Não baixei mesmo. É claro que era sacanagem. Ia aparecer um papel de parede de um travesti e o ícone do meu mouse ia virar uma bimba. Já pensou?
Fez fama? Deita na cama ...

quinta-feira, maio 11, 2006

A outra face

Mundo vasto esse mundo de safos ...
Olhares inóspitos de seres indiferentes.
Onde os valores não se fazem presentes,
O 'esperto' se valhe apenas de um lapso.

Antes fosse toda a matéria o único alvo!
Aviltar a alma, hoje em dia, é tão banal ...
Que o digno é visto só como um boçal,
E a sinceridade é apenas um sonho parvo.

Quero de volta o grande Dom Quixote!
Rendendo homenagens à códigos antigos,
Mas (acho) desses tempos já fizeram picote.

Nojenta gente a cultivar um ideal corroído,
Onde o honesto e de sentimentos contíguos
Desperta cambaleante e dorme consumido

segunda-feira, maio 08, 2006

Decepção

Depois de ver a minha namorada entrar no carro com outro macho e ainda por cima levar o nosso cãozinho de estimação junto eu não suportei a dor e resolvi encher a cara ...
Tomei sem respirar seis doses de Chamyto inteiras e não contente fui fazer uma limonada para comer com fandangos ... só de raiva.
Eu sou assim ... um homem duro.

Desde cedo

No momento onde o Brasil parece, de novo, uma mar de lama. As pessoas dizem que o problema é cultural. Se é cultural então tem fundo na educação. Comecei a pensar sobre isso e me lembrei dos velhos tempos:

"Vovô viu a uva."
"Talita foi à vila."
"Cacá caiu da cama"

Com essa onda de modernidade hoje encontramos nas salas de aula:

"Vovô viu a vulva". (Ainda bem que só viu ...)
"Pedro viu a perereca pelada". (Será que só viu?)
"Papai gemia de dor." (Era de dor mesmo?)

Isso apenas conteúdo, digamos, quase sexual, mas em algumas salas de aula mais "politizadas" eu tenho encontrado:

"Lula não viu nada."
"O Garotinho foi preso"
"Helena gritava muito"

Na parede da sala de aula eu li:
"Corrupção: tô dentro, pra não ficar de fora!"

Crise moral, institucional, educacional e tudo mais ...

sexta-feira, maio 05, 2006

Solução

Podíamos pegar a massa de pessoas abaixo da linha da miséria no Brasil vesti-las, alimentá-las, dar instrução básica ensinar a pegar em armas e mandar para reaver o que foi tomado pela Bolívia do patrimônio da Petrobrás. Assim eles teriam comida e certamente se agarrariam a essa chance. Melhor lutar que morrer de fome. Se conseguissem reaver o patrimônio, os sobreviventes e famílias dos mortos ficariam com 50% do valor da empresa lá e fariam uma grande cooperativa para repartirem anualmente os lucros.
Detalhe interessante, mandaríamos todos os nossos políticos, na impossibilidade de distinguir o joio do trigo, uma semana antes lá para "negociarem" com o governo de Evo Morales e assistiríamos à execução sumária deles por espionagem.
O nosso judiciário seria levado como destacamento de guarda e apoio durante a ocupação das refinarias e dos pontos importantes em território boliviano. Assim, eles fariam alguma coisa da vida e veriam que a morosidade é fatal na maioria dos casos.
Kelly Key seria nossa show girl em solo boliviano sendo obrigada a cantar no meio dos combates, para manter a moral do inimigo baixa, já que destribuiremos tapa-ouvidos para os nossos soldados (obedecendo à Convenção de Genebra).
A Narcisa Tamborindeguy, o Lasier Martins, o José Barrinuevo e o Rogério Mendelski seriam destacados como jornalistas para cobrir o conflito sendo em seguida catalogados como "efeitos colaterais" do mesmo.
Garotinho seria colocado lá nos postos da inteligência brasileira, como articulador da guerra pois, se nada desse certo ele, ao menos, já teria uma Rosinha para o túmulo.
E, no momento mais simbólico dos combates, faríamos um jogo beneficente onde só poderiam entrar no estádio pessoas armadas. Uma promoção do tipo "Se ele errar acerte um tiro e ganhe um Celta" seria ventilada na cidade onde o espetáculo fosse acontecer. A peleia seria um Internacional x Corinthians. Durante o jogo os auto falantes do estádio anunciaram a promoção relâmpago: "Argentino vale dois carros!".
Cada vez mais me convenço que sou um gênio e que deveria entrar para a política ...

terça-feira, maio 02, 2006

Perfume de vida

O que nos leva a seguir adiante? Lembro-me de quando pequeno perguntar isso, de manhã, a mim mesmo. Na época um jogo da seleção, uma festa no final de semana ou um filme fartamente anunciado na mídia me davam a resposta. Eu, mesmo naquela idade, sabia ser isso totalmente infantil e imaginava que, quando adulto, eu teria outros motivos para levantar de manhã. As coisas mudaram. Hoje levanto de manhã por um happy-hour com os amigos, para secar o time contrário ao meu, mesmo que o meu não jogue, para ver com quem o Ben Silver vai terminar, ou muitas vezes por inércia. Em essência, acho que os motivos da minha infância eram muito mais profundos e que hoje eu sou um tanto mais bobo do que fora naquela época.
Entretanto, me preocupo mais pelo "porvir". Moro com minha avó e penso no porquê dela levantar. Oitenta e quatro anos, dificuldade para caminhar, incontinência urinária, dentadura em cima e em baixo, grave problema de audição e cega de um olho. De quebra, diabética. Ela me fala, de vez em quando, no sofá para a sala que, quando ela comprar, vai ser de tal forma e de tal cor. "E eu me pego pensando: que mundo maravilhoso ..."
Ela pergunta se eu tenho algo para ela arrumar, roupas para costurar dizendo que ainda não pode porque está doente mas que é para eu deixar na mesinha dela que assim que melhorar ela faz. E eu vejo como ela fala disso sem pensar no caminho terminando. Como ela pensa que realmente isso pode acontecer e como, para ela, VAI acontecer.
Hoje ela começou a me perguntar por que não voltavamos a morar em Porto Alegre? Segundo ela, morar em Caxias é ruim porque é frio. Estamos em Porto Alegre e ela mora na mesma casa a quase trinta anos. No início me preocupei de ela estar ficando senil. Agora entendo como isso pode ser uma bênção. Provavelmente sã ela não aguentasse esperar que alguém a desse banho. Provavelmente sã ela não suportasse levantar no meio de pessoas se urinando toda sem com isso se importar. Provavelmente sã ela entendesse que os estofados nunca serão comprados e as calças nunca serão serzidas. Provavelmente sã ela já teria se entregue ao rigor da vida e o brilho infantil que ainda vejo em seus olhos fosse apenas uma suposição nossa no seu velório.
Essa tênue transgressão que ela tem realizado daquilo que entendemos por realidade é um lençol de seda que embala o corpo são dela e aconchega o seu espírito cansado. O corpo que ela pensa ter e o espírito que ela sente ter. Não tenho o direito de retirar isso dela. Nem que para isso eu tenha que selar cartas com o endereço do remetente errado ...

Se nevasse usava ski?

E veio o inverno. Não apenas as folhinhas amarelentas caindo terminaram mas também aqueles dias de temperaturas amenas são agora lembrança. No sul é assim num dia faz frio, no outro piora muito. Agora por exemplo eu brinquei na neve. Fiz bonequinhos de neve e joguei bolinhas de neve nos passantes. Um frio gélido que por aqui tem o sugestivo nome de "Minuano" congela minhas orelhas, mas não estou nem aí. A neve me aquece. Embora algumas pessoas não gostem das bolinhas eu ainda assim as faço. Jogo mesmo, na cara de preferência. Aqui do lado de casa tinha uma poça d'água que congelou e a molecada está jogando hókei. Trenós puxados por huskis circulam do supermercado para as casas e as correntes fazem parte dos carros a partir de hoje.
Fondue com vinho tinto e, de noite, chocolate quente. Não tenho lareira mas a calefação da minha casa está bem boa. O branco toma conta das ruas assim como o cachecóis dos pescoços. É tudo muito frio, mas ao mesmo tempo muito sereno.
Vou encerrando por aqui porque vou ter que salvar um guri que ta dentro d'água. O gelo quebrou e ele está se afogando.
Tem algumas pessoas, maldosas, incontestavelmente pessimistas que dizem que tenho mania de aumentar as coisas. Não acho. Inverno em Porto Alegre é exatamente assim como eu descrevo. Basta olhar pela minha gripe ...

sexta-feira, abril 28, 2006

Nêmesis

Com a onda que eu ando tenho que me cuidar de tudo. Estou residindo numa casa onde minha posição social está abaixo de uma gata. Calma senhores a gata é do gênero Felix e não Homo. Ela ganha carne fresca e eu como o que sobrar. Ela ganha carinho e eu carrego as compras. Se eu me atraso para a janta ela come tudo. Se chego cedo tenho que deixar comida para ela, sob pena de ser defenestrado.
Ontem porém foi o dia da vingança.
Estava eu dormindo e muito cansado. Naquele tipo de sono que você não sabe onde está, nem que horas são e muito menos onde está. Perigoso mas profundamente restaurador. Estava eu nos braços de Morpheu quando uma paulada na janela me "semi-despertou". Eu não entendia o barulho e quando me dei conta que era na janela pensei serem os extra-terrestres vindo me abdusir. Relevem eu estava "bêbado de sono". O barulho não cessava e meu pânico aumentava ainda mais. A essa altura eu recobrava paulatinamente o senso da realidade, agora acreditava serem os traficantes colombianos que estavam querendo entrar na casa. Não eu não uso nem vendo drogas. Também não sei porque o medo dos traficantes. Como não parava o barulho reuni toda minha macheza e fui até a janela. Levei quase quarenta e cinco minutos para reunira a macheza, não é que ela seja muito grande é que tava bem espalhada ...
Tive que lembrar de todos os atos de bravura da minha vida e juntar todos os elogios da minha família a minha masculinidade. Feito isso abri a janela. Lá estava a desgraçada da gata, no frio do lado de fora da casa. Nada me daria mais prazer naquele momento. Não abri o vidro da janela e deixei a gata me ver dormir quentinho ... o coisa boa ...

Gato Preto

É impressionante a minha capacidade de atrair pessoas canalhas. Sou um imã para elas. Isso não é papo de mulher com dor de cotovelo. Daquelas comidas e esquecidas. Isso é papo sério. Estou pensando em criar algum tipo de concurso. Algo assim:
"Sacaneie o príncipe e ganhe um Palio 0 km."
Ou melhor:
"A melhor sacanagem ao príncipe, escolhida por júri popular, ganha uma casa."
Ao menos eu poderia colocar um telefone 0300 e ganhar alguma grana.
Posso contar nos dedos as pessoas que nunca me aprontaram. Essas curiosamente são amigos.
Quem me lê deve pensar: "Se fazendo de vítima!". Antes fosse senhoras e senhores, antes fosse.
Quando eu era pequeno minha mãe dizia assim que eu me esburrachava no chão: "Levanta para cair de novo!" Ela esta certa. Só não sei se sou uma espécie de "joão-bobo" ou um Rocky Balboa. O fato é que a galera bate, e dói.
Se eu achar o desgramado gato preto que inferniza a minha vida juro que peço para alguém matar. Com essa sina era capaz de o gato me dar um "mata-leão" e eu ir para a banha ...
Um dia da caça e ... no meu caso ... o outro a gente corre!

Perspectiva

A muito tempo estava sem disposição. Em realidade era completamente cheio da vida. Algumas coisas melhoram outras são um desastre nessa curta existência. Creio que somos feitos de sonhos e quando estes se acabam nos deixamos levar pelo tempo e pela desilusão como num grande rio em direção à eternidade. Nesse caminho certamente deixamos a carne e quem sabe o que mais ...
Pois estava eu rolando rio abaixo. Mesmo com os louváveis esforços de alguns amigos e de pessoas importantes para mim, o rio era minha rota. Deixar a vida me levar não é exatamente de bom humor que devemos ir. Eu que sempre briguei por tudo estou, de certa forma, pagando o preço da briga. Rio abaixo.
Ainda não sei ao certo porque voltei a escrever. Certo sim é que preciso de perspectivas para reativar minha vida. Ela entrou num marasmo tremendo. Melhor do que num passado próximo, com certeza, mas calma e sem perspectiva. Não gosto disso. Não me sinto à vontade à deriva, ainda que seguro. Creio na existência da carne como parte integrante da vontade da alma. Uma sem a outra não existe. A outra sem a uma é queda d'água.
Enfim parece que o bote começou a se animar de novo e com isso também meu sangue volta a correr. Como um vampiro recém acordado de um torpor, preciso de tempo para me recompor, contudo inegavelmente volto.
Aos que me detestam, desculpem, preparem-se para guerra novamente. Agora sem quartel e sem trégua. Aos que de alguma maneira gostam de mim, sejam bem vindos no fogo da minha existência. Partilharemos o mate juntos, se for apenas isso que eu puder partilhar ainda sim estarei feliz.
Está na hora de separar os homens dos guris ...

segunda-feira, abril 17, 2006

Brasa eterna ...

Se por um minuto ou pela eternidade, tudo o que queremos é ser feliz. Extasiantemente feliz. Inebriantemente feliz. Compulsivamente feliz. Oniricamente feliz.
O grande problema é que, para mim, felicidade não é, e nem pode ser, um momento. Não gosto de coisas à conta-gotas. Felicidade é um estado quase perene que busco dia-a-dia com uma paciência que muitas vezes não tenho.
Ser feliz é saber que amanhã eu ainda o serei. Ser feliz é ser completo e completar algo com significado e importância. Tudo isso tem que ser para sempre. Esse sempre tem fulcro no indivíduo e em sua existência, não importanto o quanto ela dure.
Essas pílulas de auto-ajuda que dizem que um livro, uma música, uma bela peça de teatro podem nos fazer feliz são o mesmo que analgésicos para um dor indômita que persegue a pequenez dos indivíduos frente ao nosso tempo.
Ser feliz é saber que qualquer tempo que ainda reste será suficiente, porque já fizemos o que queríamos. Logo, ser feliz é uma luta por um objetivo ou por objetivos. E quando a manutenção for o objetivo, então chegamos ao momento onde podemos dizer que somos felizes.
Todo o resto é pura especulação. Todo o resto é pura enganação. Todo o resto é mera falácia de uma existência que costuma nos carregar para locais onde o vento uiva e o sol queima e não para uma bela praia na polinésia francesa.
Construam o castelo de sua felicidade, passo-a-passo, pedra por pedra, mas ela não estará nas pedras e sim na partilha da tua construção ...

quarta-feira, abril 12, 2006

Atchim!

Podem falar de qualquer doença, desde que não as mortais, eu ainda acho que rinite é uma desgraça. Padeço deste mal. Não é só nariz assado, devido às inúmeras vezes que temos que assoá-lo, sem efeito prático nenhum. Não é só a fungação que amola o fungador mais do que os que estão ao seu lado, embora as feições destes acabem pondo em dúvida este veredito. Acho que a pior parte é aquele ranhozinho que escorre pelo lado da narina sem que possamos fazer nada. É terrível ficamos parecendo uma crinça ranhenta. Nos sentimos a última das pessoas, nem a cacaca do nariz conseguimos manter dentro de nós. As outras pessoas pensamos ficarem sempre olhando e dizendo: "Que nojo!". Aí, no desespero de manter uma certa altivez, passamos aquele dedo no nariz. Pronto! Ninguém mais te aperta a mão, se alguém viu acha o cúmulo da falta de educação e na realidade não funciona. Tenho uma teoria, acho que na primeira vez que se passa a mão esta tem um potencial de absorção e consegue resolver o problema. Entretanto, como não pára o corrimento, na segunda vez já é aquela meleca. Para tentarmos manter as coisas em ordem e poder olhar as pessoas de frente começamos a passar o antebraço, depois o braço todo ... uma desgraça. Tive uma certa vez a oportunidade de ver o malabarismo feito por um cara que estava passando quase o cotovelo. Ao invés de fazer cara de nojo eu me solidarizei com o vivente e passei o meu também. Disse ainda: "É isso aí brow!"
Agora, porque não agüento mais esse desespero que nos coloca na fronteira do mundo civilizado e educado, quase um marginal da higiene, estou andando com uma toalha de rosto. Quando sinto vontade buzino na toalha. "Doela a quem doela". Afinal o importante é ser feliz. Só não resolvi ainda o desconforto da coceirinha do nariz ...

terça-feira, abril 11, 2006

Blue Birds

Em muitas culturas no Velho mundo pássaros azuis são sinônimo de felicidade. Talvez porque naquele ecossitema onde as temperaturas baixas imperam os pássaros coloridos são raros, ou talvez porque é muito bonito um pássaro azul mesmo e a beleza sempre fez par com a felicidade.
Quando eu tinha um coração de criança sempre tentei brigar com a natureza. Me recordo que tentava salvar todos os passarinhos que por ventura tivessem caído dos ninhos. Fossem da cor que fossem. Era sempre a mesma história. Pega, cuida, ama, assiste o definhar e sofre. E como doía.
Não é que o coração de adulto não queira ajudar, mas quando minha mãe dizia para não pegar ela estava pensando no depois. As pessoas adultas fazem isso, pensam no depois. Isso elas chamam de responsabilidade. No fundo, mas bem no fundo mesmo é medo e auto-piedade. Sentimento de auto-preservação de quem já sofreu tanto que não acredita mais nas cores dos pássaros, ou ao menos não acredita que possa, desta vez, ser diferente.
Hoje eu passo bem distante de passarinhos caídos, fecho o olho para não ver. Choro sozinho pensando no seu destino. Tenho uma vida para seguir e ela ainda me reserva inúmeras dores. Estas tendem a aumentar com o tempo, não vou dar uma mãozinha para a vida no que diz respeito a me magoar mais.
Ao mesmo tempo tenho medo. Meu passarinho azul caiu do ninho. E eu estou passando ao largo, chorando mansinho e rezando para que a vida seja boa comigo.

segunda-feira, abril 10, 2006

O tal de Judas

Sinceramente nunca vi um assunto tão bem vindo. No mesmo momento que os pesquisadores encontram um evangelho que parece redimir Judas nos deparamos com o atual Brasil. O Judas era considerado traidor e de haver entregado Jesus por trinta moedas. Nós no Brasil assistimos o trair de uma classe política inteira vendendo o Brasil, situação e oposição, cada qual a seu turno e por suas regras. O Judas tinha comido com Cristo na última ceia e o denunciou com um beijo. Os políticos, e isso vai começar em menos de um mês, vão beijar velhos e crianças e até distribuir ceia, mas o final será a mesma traição.
Mesmo gente das minhas próprias relações, me apunhalaram e ainda se sentem no direito de falar grosso. No Brasil o senso ético é diferente. Aqui vale tudo para se dar bem. E o pior é que nós não falamos nada. Somos passivos diante dessa Babel corrupta e inepta.
Ao menos uma vez o Brasil estava na vanguarda dos caminhos dos pensamentos, aqui nós já absolvemos os judas. Não este novo que está no novo evangelho, mas o velho mesmo. Não só absolvemos os judas como os invejamos. Na minha casa eu partilhei o pão e o vinho com um judas. Partilhei mesmo a falta deles. E obtive a mesma traição. Malditas trinta moedas. Mas aqui eu não vou fazer como o povo brasileiro, não vou perdoar o velho judas. E peço que não perdoem os judas que usam gravata e falam bonito. Diz o testamento que o diabo tem várias formas e lá deveria dizer também vários partidos.
Quanto ao Judas, o novo, que se deixe para a história uma história de mais de 2000 anos ...

sábado, abril 08, 2006

Pura Maldade

Algo que nos ocorre naqueles momentos de completa paz e reflexão. Algo que nos tira do sério quando tudo parece ser nada mais do que um simples momento. Não pensem que aqui vai um meloso testemunho de romance, não ...
É simples a coisa. Acabei de me dar conta de uma coisa que pode ter sido pensada antes, mas com certeza não na extensão que pretendo apresentar.
Vamos deixar de bla-bla-bla e desembuchar de vez.
Pergunta-se: para quê serve a orelha?
Certamente a maioria de vocês pensarão que serve para ouvir, afinal desde o jardim de infância que as "tias" nos ensinam que as orelhas ouvem e os olhos vêem. Eu tenho uma opinião diferente.
Já notaram como nos dá prazer quando a orelha é mordida? Isso mesmo mordida. Na realidade minha teoria é que temos orelhas para que elas sejam mordidas. Mas como por uma fatalidade genética nossa boca fica muito distante da orelha, não podemos morder-nos então precisamos de alguém. Entra em cena o conteúdo social da orelha. Temos orelhas para que possamos encontrar alguém que possa mordê-las para que nos dê isso um prazer inenarrável.
Gostaram da teoria?
Excetue-se aqui o Mike Tyson e o Evander Hollyfield, creio que aquela não foi uma boa tentativa de morder orelhas ...

sexta-feira, março 24, 2006

Uma velhinha ...

O quarto em que minha avó está é duplo. Isso quer dizer que ela fica com alguém junto. Para não dizer que é "da galera" eles chamam de "semi-privativo". O legal é dormir na cadeira para acompanhá-la. Dormir em uma cadeira é semi desobediência aos direitos humanos. Entretanto, é tão terrível a coisa que eu nem me meto a falar. A colega de quarto de minha avó é uma velinha tão velinha que se deixar a janela aberta vem um vento e apaga. Ela não fala e é cega de um olho. Eu percebi isso porque o olho é vazado. Magrinha de dar dó. Se alimenta por meio intravenoso. Uma tristeza ...
Mas o pior vem agora. Eu fiquei a noite toda lá, cuidando da minha avó. Uma outra velhinha. Ri, está gordinha, conversa, olha televisão. E ninguém veio ver a velhinha do lado. De manhã, ao menos até a uma e meia da tarde, ninguém veio para vê-la. Balbuciou umas palavras para mim, perguntando algo que não pude entender, mas pude chorar por dentro quando, em vendo que eu não a entendia, ela deixou o corpo cair, novamente, inerte na cama e uma lágrima libertou-se de sua tristeza interior tornando minha vida mais complicada.
Ela tinha uns esparadrapos colados no corpo e eu pensei que era seu nome. Já estava estupefato por alguém colar o nome da pessoa no braço, mas são tantos pacientes que eu até entendi os médicos. Não era. Dizia assim no esparadrapo. "Não puncionar, não registrar."
Não sei o que significa, mas a visão é terrível. Aos poucos descobri que ela não tem nome. Para o pessoal da enfermagem ela é a senhora do quarto 158 leito 2. Para a recepção ela é a Unimed número 071345723. Pelo que vi, para a família ela é uma memória anacrônica. Um efeito histórico com data e hora incertos para desaparecer mas com a vontade de que não ocorra tarde.
Eu descobri que existe coisa pior que a desigualdade social no mundo: desigualdade de amor.
E eu ainda não sei o nome dela ...

Pérolas pelo Tio Sam

Um dia no hospital e todas as pueris noções de igualdade são forçadas a serem postas de lado. Não há ideologia ou paixão que suporte um dia num hospital. Aliás, eu acho que o lugar mais desumano da terra é um hospital. Olha que minha avó está num dos melhores de Porto Alegre, ao menos no mais caro. Quando ela estava se internando o Gerdau estava chegando. Ele muito educado olhou para mim e disse "Boa noite"; eu, sem perder a pose, perguntei "Quem é o senhor cavalheiro?". Saí com "crasse", o cara da recepção ficou sem saber onde se enfiava. Essa gente rica acha que pode cumprimentar todo mundo assim, de graça. Claro que se ele me desse quinhentinhos eu até dizia um boa noite educado. Por milão ia um boa noite aveludado. Com dez milão eu conversava com ele uma hora. Uns cem milão e eu casava de véu e grinalda, "êta homi bão ...".

quinta-feira, março 23, 2006

Campos dourados

Eu não lido bem com a idéia de morte. Definitivamente isso me assusta. Não é fascinação, não é curiosidade é, sim, medo. E acho que acabo atraindo esse tipo de coisa. Sou daquelas pessoas que se o vivente estiver morrendo, eu chego perto, nem que seja para dar um oizinho, e ele vira morrente, na mesma hora. E o pior é que por mais que eu me afaste dela ela, a morte, parece que anda ao meu encalço. É a coisa que mais temo e parece ser a mais presente na minha vida. Tive muitas perdas familiares, não sei lidar com elas até hoje, mas agora eu cuido das minhas duas vós. Ou seja, é gente na fila que não acaba mais. Uma tem 69 e está vendendo saúde, minha irmã que o diga, a outra tem 83 e já vendeu tudo. Ainda tenho uma tia de 90 que só parece que vende, mas não entrega nada. No fim, fico eu sabendo que, mais cedo ou mais tarde, acabarei acordando e dando de cara com ela, a morte, em lençois de gente amada. Espero que seja eu recebido com um sorriso, que não sofram. Entretanto, fico me perguntando qual a diferença. Se sofrer talvez seja a última gota de vida que nos resta, então que soframos. Imediatamente lembro-me de ver parentes com câncer terminal disseminado. Não sofram, por favor. A morte, retiradas todas as lendas que dela contam, é nosso último momento de vida. Pois que seja assim então.
Sentir-se finito é sem dúvida sentir-se impotente. Saber que temos um tempo aqui é saber que não temos tempo para nada. Tudo o que nos insufla medo e o que acaba por formar a tal ética humana (se é que esse conceito existe) tem seu fundo no medo que temos dela, a tal da morte. Eu me sinto o maior medroso. Um dia, não respirar, não sentir, não ver, não ouvir ... não ... simplesmente não. Nada.
Teremos tido tempo? Teremos tido oportunidade? Teremos tido amor suficiente? Teremos tido dor suficiente?
Hoje eu vi a morte de pertinho, minha avó foi internada. Ela me deu um oizinho, a morte. Certamente isso é injusto. Ela sabe o dia que nos encontraremos, eu não. Espero que nesse último encontro às escuras, ela seja uma linda donzela loira que me convide para passear sobre o sol de uma tarde de primavera em lindos trigais dourados, cujo movimento segue o frescor do vento que se lança por sobre nós. Peço apenas dela um sorriso. O último. E, se não for pedir demais, gostaria, também, o mesmo sorriso de todos os que me virem embarcar para esse lugar.
No fundo não devemos temer o que não conhecemos, mas no fundo somos apenas humanos ... até um determinado dia.

terça-feira, março 21, 2006

A César o que é ...

O Brasil é um país terrível em termos de hábitos de consciência. É um abuso reiterado o que ocorre. No Brasil o nosso direito vai até onde o outro pode deixar de ver. Isso é assim em todos os planos. Político, social, econômico, familiar. Tudo. Achamos que podemos fazer algo a mais desde que ninguém note. Podemos nos exceder desde que não incomode ninguém. Isso serve até para bebedeira de bar. Eu posso fazer as coisas desde que não me peguem. Parece que a ética tem olhos. Se cega, não liga. Na política isso se mostra ainda mais aviltante porque ou ficamos na mão do sujo poder legislativo, seus conchavos e acordos, ou do interesseiro poder da mídia que descortina as sujeiras em nossa cara. É preciso perguntar que sujeiras estão sendo descortinadas e a quem interessa isso. Certamente a mídia mostra o que lhe convém e o faz como se mostrasse o pleno dos fatos. É revoltante. Para um exemplo olhem a repercussão do oscar esse ano e comparem no ano passado quando os direitos tinham sido comprados pelo SBT. Comparem o sucesso que os filmes do Senhor dos Anéis fez no mundo e quantas pessoas assistiram eles na televisão.
De novo a força da mídia faz e desfaz impressões. Isso não é somente poder construído e sim uma estrutura maior que está na nossa cultura. Para o brasileiro, o que não é visto não existe e não pode causar mal. Aí se abre uma tremenda brecha para tudo o que se faz de errado nesse país, mesmo em família. Ou você nunca colou tatu de nariz em baixo de classe no colégio?

segunda-feira, março 13, 2006

Dois Negrões Inc.

Estou de mudança. Isso sempre é um transtorno e no meu caso nada agradável. Já devo ter me mudado umas quinze vezes nos meus vinte e nove anos. Teve um ano que me mudei cinco vezes. Isso deveria me conceder o título de expert em mudança, não?
Nada disso, continuo o mesmo atrapalhado de sempre. Perco tudo em mudança. Já perdi cachorro e até namorada. Ambos me foram entregues depois pela empresa de mudança. Gente séria. O cachorro veio intacto, a namorada eu não sei. De qualquer forma perco coisas importantes. Assim, lembrando de um grande amigo pensei em montar a seguinte empresa: Dois Negrões Incorporated. O "incorporated" aqui não quer dizer dois pais de santo incorporados. É uma forma de tornar a coisa globalizada, transnacional. Afinal, dois negrões servem para tudo. Lembrando do meu amigo Cristiano sou obrigado a refazer a afirmação: "Quase tudo!".
Então vamos lá:
- Se você precisasse se mudar e tivesse um monte de caixas para transportar, armários para desarmar, coisas para tirar da parede, etc. você precisaria de ...
- Se você estivesse com uma pessoa te devendo uma verdadeira fortuna e você precisasse desesperadamente cobrar você precisaria de ...
- Se você tivesse uma namorada muito gata com todo mundo dando em cima e você fosse um tampinha cheio da grana você precisaria de ...
- Se você morasse num prédio com uma síndica louca e com vizinhos baderneiros que não deixam você dormir tocando música alta até as quatro da manhã você precisaria de ...
- Se você estivesse com o carro estragado numa rua deserta você precisaria de ...
- Se você tivesse numa festa e um lutador de jiu-jitsu, desses que arrumam briga por nada, resolvesse te incomodar você precisaria de ...
- Se você tivesse uma sogra que não sai do teu pé, e pensa em morar contigo. No caso seria melhor você morar com outras pessoas. Você precisaria de ...
- Se você fosse falar com o teu gerente de banco, levasse aquele xá de banco e depois ele viesse com aquela lenga-lenga de "não podemos segurar a sua conta ... " você precisaria de ...
- Se você fosse para a faculdade para pegar aquele último conceito com aquela cadeira cuja professora sofre da síndrome de Malcom (Malcomida) você precisaria se fazer acompanhar por ...
- Se você casou com uma baranga alucinada que ainda pensa que pode gastar todo o seu dinheiro você precisaria no quarto dela e de acompanhante também ...
- Se você tivesse aquela filha que é um arraso, linda, gostosa, inteligente e ainda com o seu dinheiro no bolso. Só que ela gosta de punks, góticos e raves com drogas, você precisaria de ...
- Se você fosse ao jogo do seu time e entrasse por acaso no portão da torcida do time contrário. Sair vivo dependeria da presença de ...
- Se você fosse um galã ou um cantor famoso e fosse pego de surpresa por um grupo de trinta fãs sua integridade física dependeria de ...

E por aí vai ...
Encontrei a mina de ouro, vou me tornar o Dois negrões' manager sócio-diretor. Agora só preciso dos dois workaholic para começar o maior empreendimento da terra.
Alguém se habilita??
Antes podiam me dar uma mãozinha na mudança, só para teste ...