Se para um é prata, para outro é ouro. Se para um é a noite, para o outro o dia. Um é energia, o outro acalento. Um vibra, emana, exacerba. O outro recebe, reflete e acalma. Se para um a ação é o sentido maior, para outro a contemplação é a essência de tudo. Se um é símbolo guerreiro, outro é o intangível de amantes. Um se levanta para o outro deitar-se. Um surge para o outro esconder-se.
Amantes, companheiros, irmãos de ordem e movimento?
Adversários, litigantes, inimigos de alma e momento?
Por quê? Por que ver o mundo como um enfrentamento de vontades? Por que ver como uma sucessão de combates? Será que se é melhor por mostrar-se melhor? Será que mais importante se torna aquele que domina?
Por que escolher entre o Sol e a Lua, se a coisa mais linda que nos é ofertado por ambos é a miríade aquarelada que se derrama por sobre o horizonte?
Sol? Lua?
Dia? Noite?
Não ... os momentos mais mágicos de ambos são aqueles em que se aceitam e se completam. Aurora e entardecer.
Consenso ... palavra mágica, até então desconhecida do meu vocabulário.
domingo, janeiro 22, 2006
quinta-feira, janeiro 19, 2006
A lonely star
"And at night you will look up at the stars. Where I live everything is so small that I cannot show you where my star is to be found. It is better, like that. My star will just be one of the stars, for you. And so you will love to watch all the stars in the heavens... they will all be your friends..."
All the world must understand it and a very unique person should know that ...
All the world must understand it and a very unique person should know that ...
Jedi
De certa forma não entendo o mundo. Aliás, de forma nenhuma. Tento, tento, tento e nada. Mulheres? Fazem parte do mundo, logo ...
Nesse meu esforço de entender tudo tenho amigos fantásticos que ajudam bastante. Uns entendem o seu mundo. Outros entendem UM mundo. Outros ainda juram que entendem, mas nada. Assim juntando caquinhos, pecinhas, coisas ditas ali e acolá, vamos fazendo uma colcha de retalhos doravante chamada de "meu mundo".
Compreender o "meu mundo" é tarefa hercúlea que só eu posso fazer. E notem a total ausência de auto-elogio aqui. Existe sim o reconhecimento de que mundos existem vários, quero entender apenas o meu. Já me daria por muito satisfeito.
Conversando com um de maus grandes amigos. Aliás tenho a sorte de ter apenas amigos inteligentes. Sorte? Não, sou muito seletivo, embora eles não ...
Se vocês não contarem a eles, eu também não conto ...
Voltando, estava eu na tarefa de entender e conversando com um amigo que é quase o mestre Yoda, eu estava explicando como vejo as coisas:
Mestre Dedé: Muito característico. Eu também faço isso direto. Argumentamos em defesa da nossa tese. O outro que nos refute. Mas humanos não fazem assim.
O Príncipe: (???)
A Raposa: (pirou de vez)
Mestre Dedé: Eles gostam de ficarem se concordando e se admirando, o quanto são interessantes e inteligentes. E o quanto os outros, sempre os outros, são idiotas alienados, estúpidos, pouco espiritualizados ...
Mestre Dedé: Somos a exceção.
A Raposa: Quer casar comigo?
Mestre Dedé: Sei que me relaciono precariamente com humanos por ter este traço. Tu compensa isso com baboseiras simpáticas.
A Raposa: (Fomos ofendidos mas estamos no lucro ...)
A Raposa: "ET, telefone, minha casa"
Mestre Dedé: Num primeiro contato tu é agradável, simpático. Depois de algum tempo tu vai se tornando professoral, vingativom conspiratório. Desagradável. Despois, se chegamos a uma terceira etapa, te vejo de uma forma bem menos armada, mais contraditória, menos professoral, dialógica. Assim tem que se passar da fase dois para a fase três.
A Raposa: Humm então quer dizer que o Príncipe anda me traindo com mais alguém. E que sexo comigo é sempre suruba ...
Tá aí ... "Se Jedi você quer ser, aprender você precisa". Vou ver se meu sabre de luz tem ainda pilha ...
Nesse meu esforço de entender tudo tenho amigos fantásticos que ajudam bastante. Uns entendem o seu mundo. Outros entendem UM mundo. Outros ainda juram que entendem, mas nada. Assim juntando caquinhos, pecinhas, coisas ditas ali e acolá, vamos fazendo uma colcha de retalhos doravante chamada de "meu mundo".
Compreender o "meu mundo" é tarefa hercúlea que só eu posso fazer. E notem a total ausência de auto-elogio aqui. Existe sim o reconhecimento de que mundos existem vários, quero entender apenas o meu. Já me daria por muito satisfeito.
Conversando com um de maus grandes amigos. Aliás tenho a sorte de ter apenas amigos inteligentes. Sorte? Não, sou muito seletivo, embora eles não ...
Se vocês não contarem a eles, eu também não conto ...
Voltando, estava eu na tarefa de entender e conversando com um amigo que é quase o mestre Yoda, eu estava explicando como vejo as coisas:
Mestre Dedé: Muito característico. Eu também faço isso direto. Argumentamos em defesa da nossa tese. O outro que nos refute. Mas humanos não fazem assim.
O Príncipe: (???)
A Raposa: (pirou de vez)
Mestre Dedé: Eles gostam de ficarem se concordando e se admirando, o quanto são interessantes e inteligentes. E o quanto os outros, sempre os outros, são idiotas alienados, estúpidos, pouco espiritualizados ...
Mestre Dedé: Somos a exceção.
A Raposa: Quer casar comigo?
Mestre Dedé: Sei que me relaciono precariamente com humanos por ter este traço. Tu compensa isso com baboseiras simpáticas.
A Raposa: (Fomos ofendidos mas estamos no lucro ...)
A Raposa: "ET, telefone, minha casa"
Mestre Dedé: Num primeiro contato tu é agradável, simpático. Depois de algum tempo tu vai se tornando professoral, vingativom conspiratório. Desagradável. Despois, se chegamos a uma terceira etapa, te vejo de uma forma bem menos armada, mais contraditória, menos professoral, dialógica. Assim tem que se passar da fase dois para a fase três.
A Raposa: Humm então quer dizer que o Príncipe anda me traindo com mais alguém. E que sexo comigo é sempre suruba ...
Tá aí ... "Se Jedi você quer ser, aprender você precisa". Vou ver se meu sabre de luz tem ainda pilha ...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Utilidade Pública
O relacionamento sadio entre amigos é uma das premissas de uma vida boa. Eu diria que tenho amigos. Mas com relação a como nos falamos é outro papo. Tenho desde os acadêmicos "Como vai mestre?" até os pornográficos "E aí, pau-no-cu?". Creio que todos temos. Bom, como sou muito de boa paz eu e alguns amigos vivemos, digamos assim, sacaneando uns aos outros. E ficou meio moeda-corrente quando não se tem mais o que dizer, o ofendido simplesmente fala: "Já te mandaram à merda hoje?". É como a aceitação tácita da piada e o pedido de vamos mudar de assunto. Aí está a coisa toda, tenho um grande, não um enorme, amigo (não pensem bobagem sobre ele, pelo que sei é bem pequenino) que é o campeão de me falar a frase. Essa semana ele foi atrás de umas novidades. Foi tão surpreendente que resolvi postar aqui:
EM INGLÊS - "already they had ordered the excrement today to you?"
EM ALEMÃO - "bereits hatten sie die Ausscheidung heute zu Ihnen bestellt?
EM FRÂNCES - "déjà ils avaient commandé l'excrément aujourd'hui à vous?
EM ITALIANO - "già avevano ordinato oggi l'escremento a voi?"
EM RUSSO - "уже они приказали экскремент сегодня к вам?" (Entendeu??)
EM HOLANDÊS - "reeds hadden zij tot het uitwerpsel vandaag aan u opdracht gegeven?"
E por último mas não menos importante, êta conhecimento hein Cris? Ou não ter o que fazer ...
EM GREGO - "ήδη είχαν διατάξει το περίττωμα σήμερα σε σας?"
Neste momento tem uma pessoa apenas no mundo que quero mandar lá ...
EM INGLÊS - "already they had ordered the excrement today to you?"
EM ALEMÃO - "bereits hatten sie die Ausscheidung heute zu Ihnen bestellt?
EM FRÂNCES - "déjà ils avaient commandé l'excrément aujourd'hui à vous?
EM ITALIANO - "già avevano ordinato oggi l'escremento a voi?"
EM RUSSO - "уже они приказали экскремент сегодня к вам?" (Entendeu??)
EM HOLANDÊS - "reeds hadden zij tot het uitwerpsel vandaag aan u opdracht gegeven?"
E por último mas não menos importante, êta conhecimento hein Cris? Ou não ter o que fazer ...
EM GREGO - "ήδη είχαν διατάξει το περίττωμα σήμερα σε σας?"
Neste momento tem uma pessoa apenas no mundo que quero mandar lá ...
terça-feira, janeiro 17, 2006
Coringa?
Minha posição é clara, mas preciso saber daqueles que lêem. Assim vou fazer a pergunta. Colocar algumas ilações e peço a manifestação de vocês.
"Pode-se ter amizade depois de se ter sexo?"
Pode-se retornar a um patamar de intimidade menor depois destes laços, literalmente, serem postos à baixo?
Com a palavra vocês ...
"Pode-se ter amizade depois de se ter sexo?"
Pode-se retornar a um patamar de intimidade menor depois destes laços, literalmente, serem postos à baixo?
Com a palavra vocês ...
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Aurora
Quando ainda o amanhecer é um doce sonho o frio encombre as pétalas. O orvalho da manhã se parece mais como uma lágrima, deixada cair ternamente. Mesmo quando se sabe ser rotina aquilo tem ar de surpresa. Sobe a luz, mansinha. A de tocadas pétalas se abrem. Felicitam à sua maneira o carinho que se revela. Como se nunca tivessem sentido e como se jamais voltassem e tê-lo. Mistério do amanhecer? Mistério do existir. Essência do co-existir. Amada se sente a pétala, cuidada se sente a rosa. Tocada de alguma forma. Da melhor forma. Sabe-se protegida pelo ponto áureo no horizonte. Irradiações de felicidade e de força. O beijo que toca a pétala é retribuído apenas com um olhar. Para o sol, que a todos aquece, pode parecer pequena a retribuição. Mas em realidade não o é. Pior seria a indiferença, disso nem mesmo ele escaparia. Um olhar, o viço da pétala como a se mostrar de felicidade. Será como sempre foi para o sol, o tudo. Mesmo distante, mesmo disforme, ainda sol. Luz travestida de esperança. Queima para sempre? Não. Queima enquanto o carinho da rosa se transforma em grata felicidade com sua chegada. Seria uma forma de queimar o que mais lhe é importante, transformando carinho em amor e ardendo como paixão.
Quando o anoitecer é uma desvelada verdade, o púrpura cobre o céu como se a rosa procurasse se jogar no horizonte. Cobrir o cândido recanto daquele que a protegeu. Chora um choro de saudade. Pranto que a noite carrega e devolve à terra. Mesmo sabendo que o ciclo retorna, a ausência toca o fundo da flor. Fecha-se ao mundo, como se a mágoa fosse primeira, fosse única e não fosse mais passar. O frio e a distância do breu que cobre a terra ajudam a fortalecer a necessidade dos acúleos. A luz do luar é uma tênue esperança que tudo, enfim tudo, pode, ainda, voltar ao normal. A flor, magoada pela solidão e assolada pela saudade, ainda pensa em relutar. "Nunca mais sol! Verás que a noite me é tão triste que não posso perdoar-te".
Surge no horizonte, eis que entremeado a nuvens brancas, como quem estende a paz, e um apoteótico turquesa como um manto real, e torna a aquecer. Sem pedir nada em troca, sem querer nada de mais. Apenas aquele olhar de novo. Diário mas único. Pequeno mas infinito. E novamente a força comburente insurge-se sobre suas veias. "Doce rosa, perdoe-me pela distância. Não o faço por consciência. São forças que me levam e a minha força que me trás. Se o teu púpura recai sobre meu berço, então deixe que minha força toque teus sentimentos."
E a rosa, ainda com ares de indignação lentamente cede. Abre-se como pela primeira vez e a lágrima do orvalho se faz de perdão. Sobe aos céus acalentando o amargurado sol.
Quando o anoitecer é uma desvelada verdade, o púrpura cobre o céu como se a rosa procurasse se jogar no horizonte. Cobrir o cândido recanto daquele que a protegeu. Chora um choro de saudade. Pranto que a noite carrega e devolve à terra. Mesmo sabendo que o ciclo retorna, a ausência toca o fundo da flor. Fecha-se ao mundo, como se a mágoa fosse primeira, fosse única e não fosse mais passar. O frio e a distância do breu que cobre a terra ajudam a fortalecer a necessidade dos acúleos. A luz do luar é uma tênue esperança que tudo, enfim tudo, pode, ainda, voltar ao normal. A flor, magoada pela solidão e assolada pela saudade, ainda pensa em relutar. "Nunca mais sol! Verás que a noite me é tão triste que não posso perdoar-te".
Surge no horizonte, eis que entremeado a nuvens brancas, como quem estende a paz, e um apoteótico turquesa como um manto real, e torna a aquecer. Sem pedir nada em troca, sem querer nada de mais. Apenas aquele olhar de novo. Diário mas único. Pequeno mas infinito. E novamente a força comburente insurge-se sobre suas veias. "Doce rosa, perdoe-me pela distância. Não o faço por consciência. São forças que me levam e a minha força que me trás. Se o teu púpura recai sobre meu berço, então deixe que minha força toque teus sentimentos."
E a rosa, ainda com ares de indignação lentamente cede. Abre-se como pela primeira vez e a lágrima do orvalho se faz de perdão. Sobe aos céus acalentando o amargurado sol.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Tam-Tam
Estou em Aspen, esquiando. Essa neve toda me inspira. Deslizo montanha abaixo, umas vezes rápido outras suavemente. Descendo vou olhando a paisagem coberta de branco. A temperatúra é por volta dos 12 graus negativos. De volta ao hotel tem um fondue me esperando e filmes, muitos filmes para ver durante a noite. O hotel é de madeira, como um grande chalé. Quartos aconchegantes com edredon. Temperatura interna é 21 graus. Mesa de sinuca, a internet por onde escrevo isso aqui. Um grupo de finlandesas que, em não compreendendo nada do que falam, a linguagem corporal diz tudo. Vai ter sexo hoje de noite. No friozinho. Com três ou quatro delas. Regado a vinho branco. Chocolate derretido e morangos. Vejo o por do sol por entre as montanhas branquinhas. O momento está chegando. Me dirijo novamente ao hotel só que estou completamente nu!!!!
As pessoas correm, desesperadamente. Não me pergunte o porquê. Façam as suas próprias conclusões. Não tenho com o que me tapar. Nu com a mão do bolso.
Quem nunca sonhou estar nu?
E com a temperatura de Porto Alegre delirar acordado é o que mais acontece. Mas uma parte podia ser verdade ... Três ... finlandesas ... sem dor de cabeça.
Que mundo cruel!
As pessoas correm, desesperadamente. Não me pergunte o porquê. Façam as suas próprias conclusões. Não tenho com o que me tapar. Nu com a mão do bolso.
Quem nunca sonhou estar nu?
E com a temperatura de Porto Alegre delirar acordado é o que mais acontece. Mas uma parte podia ser verdade ... Três ... finlandesas ... sem dor de cabeça.
Que mundo cruel!
terça-feira, janeiro 10, 2006
Nhaca
Li, em algum lugar, que a composição química do suor é igual a da urina. Mudam apenas os percentuais de formação de algumas coisas. Passei o dia de hoje "mijado" dos pés à cabeça. Porto Alegre está um inferno. Fogaça seria o demônio?
sábado, janeiro 07, 2006
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Ampulheta
Um dia conheci um menino que não soltava pipa porque não sabia, mas imaginava o seu lindo papagaio quando olhava para o céu. Que queria uma bicicleta mas não podia ter, mas tinha amigos que emprestavam a sua numa companhia cheia de cumplicidade e confiança. Que gostava de jogar bola, mas não sabia. Ainda sim era convidado porque, de alguma forma, ele era importante. Que estudava por gosto e aprendia por prazer. Que imagina por qualquer motivo e criava como mágica. Que era sempre o mais novo e imaturo, mas também era o mais educado e carinhoso. Quando lavava a louça contava as ervilhinhas que tinham sobrado da janta para que elas fossem aos pares para o ralo, que não ficassem sozinhas. Pensava se elas teriam com quem conversar, inclusive "salvando" as ímpares do cruel destino da solidão. Um menino que lia desde Monteiro Lobato até Érico Veríssimo. Um menino que queria ser na imaginação mais do que podia ser na realidade. Um menino que velava o sono de amigas doentes simplesmente por carinho e preocupação. Um menino que confiava que os pais existiam para que ele se sentisse protegido. E, Deus, como ele sentiu ...
Um menino que tinha asma, mas que adorava correr. Um menino que tinha enxaquecas homéricas e que somente dormia com o cafuné dos pais. Remédio melhor que qualquer analgésico. Um menino que era companheiro dos seus irmãos até nas brigas. Que não admitiam fizessem mal aos seus, fossem quem fossem. Amigos eram status intocáveis e "imexíveis". Um menino que nunca fora à praia e para quem uma piscina significava a certeza de horas de felicidade. Um menino que não existe mais ...
Existe um homem novo que já carrega talhos deixados pela vida.
Hoje não liga para ervilhas, desacreditou que alguém possa realmente mudar isso.
Hoje entende amizade como totalmente transitória.
Hoje é companheiro de si mesmo, na dor e na felicidade, na solidão, no desespero e na esperança.
Hoje não é importante no jogo de bola de ninguém. Virou, no máximo torcida.
Hoje estuda por gosto e ensina por mais gosto ainda.
Hoje é o mais velho e envelhecido. Amargo e desconfiado.
Hoje ainda se imagina soltando pipa ... num céu azul ... com seu filho. Filho que sonha ter.
Eu, o homem, queria mais que tudo hoje, dar um feliz aniversário ao menino. Àquele que sonhava dizer:
"Quem inventou a regra de que homem não chora ou não foi homem ou nunca sonhou. Meus parabéns guri!"
Dar-lhe-ia um abraço e um conselho: "A felicidade é a areia de uma ampulheta. A recebemos toda na infância e, por mais que tentemos, não a conseguimos reter."
Certamente ele entenderia, embora eu não ... Por quê?
Um menino que tinha asma, mas que adorava correr. Um menino que tinha enxaquecas homéricas e que somente dormia com o cafuné dos pais. Remédio melhor que qualquer analgésico. Um menino que era companheiro dos seus irmãos até nas brigas. Que não admitiam fizessem mal aos seus, fossem quem fossem. Amigos eram status intocáveis e "imexíveis". Um menino que nunca fora à praia e para quem uma piscina significava a certeza de horas de felicidade. Um menino que não existe mais ...
Existe um homem novo que já carrega talhos deixados pela vida.
Hoje não liga para ervilhas, desacreditou que alguém possa realmente mudar isso.
Hoje entende amizade como totalmente transitória.
Hoje é companheiro de si mesmo, na dor e na felicidade, na solidão, no desespero e na esperança.
Hoje não é importante no jogo de bola de ninguém. Virou, no máximo torcida.
Hoje estuda por gosto e ensina por mais gosto ainda.
Hoje é o mais velho e envelhecido. Amargo e desconfiado.
Hoje ainda se imagina soltando pipa ... num céu azul ... com seu filho. Filho que sonha ter.
Eu, o homem, queria mais que tudo hoje, dar um feliz aniversário ao menino. Àquele que sonhava dizer:
"Quem inventou a regra de que homem não chora ou não foi homem ou nunca sonhou. Meus parabéns guri!"
Dar-lhe-ia um abraço e um conselho: "A felicidade é a areia de uma ampulheta. A recebemos toda na infância e, por mais que tentemos, não a conseguimos reter."
Certamente ele entenderia, embora eu não ... Por quê?
quarta-feira, janeiro 04, 2006
E agora José?
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 virou?
Acabou a cerveja. Terminou a champanha. Ceia e docinhos se foram. Fogos se apagaram e a embriaguez cessou.
Mesma cadeira, mesma janela, mesmas pessoas, problemas ...
Quero o sonho de volta.
Vamos tentar?
10, ....
Acabou a cerveja. Terminou a champanha. Ceia e docinhos se foram. Fogos se apagaram e a embriaguez cessou.
Mesma cadeira, mesma janela, mesmas pessoas, problemas ...
Quero o sonho de volta.
Vamos tentar?
10, ....
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Vestibular
Questão 1
O que se deve dizer quando alguém descobre na sua geladeira algemas e uma lata de chantilly spray?
A) Esse mundo anda muito violento, faço isso para evitar essa onda de roubos de chantilly que anda por aí.
B) A fantasia de policial tá no quarto, quer ver?
C) Chantilly é um excelente anti-ferrugem e agora eu estou trabalhando para a polícia, não te contei?
D) Minha avó foi pega ontem à noite com quatro negrões e isso aí, tu sabe para que serve?
E) Estou de dieta isso aí é uma mensagem subliminar. Tu já viu aquelas dos filmes do Walt Disney?
O que se deve dizer quando alguém descobre na sua geladeira algemas e uma lata de chantilly spray?
A) Esse mundo anda muito violento, faço isso para evitar essa onda de roubos de chantilly que anda por aí.
B) A fantasia de policial tá no quarto, quer ver?
C) Chantilly é um excelente anti-ferrugem e agora eu estou trabalhando para a polícia, não te contei?
D) Minha avó foi pega ontem à noite com quatro negrões e isso aí, tu sabe para que serve?
E) Estou de dieta isso aí é uma mensagem subliminar. Tu já viu aquelas dos filmes do Walt Disney?
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Que Dinah que nada!!
Para quem não sabe informo: A raposa é uma excelente futuróloga. Suas respostas são tão precisas que ela já foi chamada até no Fantástico. Consegui, como grande companheiro dela, que ela desse uma palhinha para nós do que nos espera em 2006. Confiram a entrevista.
O príncipe: Bom dia Mãe Raposa do Gantuá.
A raposa: Bom dia meu querido príncipe.
O príncipe: Nosso objetivo aqui é mostrar um pouquinho dos seus dons para o pessoal que nos lê, é possível?
A raposa: Não é para o Fantástico é?
O príncipe: Não, é uma prévia exclusiva.
A raposa: Certo, vamos começar. Me dê aquela cerveja que está ali, coloque U2 no som e deixa aquela meia fedorenta aqui perto.
O príncipe: A senhora faz previsões com cerveja e U2? E para quê serve a tal da meia?
A raposa: A cerveja substitui com êxito a cachaça e o U2 o som dos atabaques. A meia é para afastar os maus espíritos.
O príncipe: Certo vamos começar com perguntas muito originais. O Brasil vai ser hexacampeão?
A raposa: Olha ... vai tentar. É certo que será uma disputa muito difícil. Todos os jogos serão ganhos com gols. E teremos adversários que farão de tudo para nos ganhar. Acredito que com grande esforço a gente consiga ganhar.
O príncipe: Se me permite, não dissesse nada que já não tenhamos em mente ... nada de novo ...
A raposa: Próxima pergunta!
O príncipe: Certo, certo. O Lula irá se reeleger?
A raposa: Bom isso dependerá de duas coisas simultaneamente. Que ele tenha mais votos que seus oponentes e que o povo vote nele. A campanha terá políticos conhecidos no Brasil todo. Uns mais, outros menos, mas todos conhecidos. Muita baixaria, muita agressão e no final e só no final que conheceremos a resposta.
O príncipe: Que será ...?
A raposa: Exatamente aquela que o povo escolher. Isso posso afirmar com certeza.
O príncipe: Certo. Quais são as perspectivas para o mundo?
A raposa: Bom. Com tanta adversidade e tanto ódio o mundo têm perspectivas bem diversas. Posso afirmar que muitas pessoas morrerão. E um número ainda maior nascerá, especialmente na China. A fome somente será resolvida com comida. E as doenças com remédios e tratamentos.
O príncipe: Sim, claro. Falando em doenças. Acharemos a cura para a AIDS ou o Câncer?
A raposa: Isso vai depender também. De um lado depende da vontade dos laboratórios farmacêuticos e do outro das pesquisas científicas. Mas creio que podemos se conseguirmos.
O príncipe: Vamos pessoalizar as perguntas. Como será o meu ano?
A raposa: Com 365 dias divididos em 12 meses. Com certeza. Digo mais, começará exatamente daqui a dois dias e terminará em 367, sem erro.
O principe: Minha vida profissional?
A raposa: Terá uma, com certeza. Até porque precisamos comer. Ela será muito trabalhosa. Muitas horas por dia fazendo a mesma coisa. No fim, mas certo que no fim do mês, vai sobrar cada vez mais tempo quando o dinheiro acabar. Posso dizer com certeza que terá muita gente fazendo o que você faz. A concorrência será grande esse ano.
O principe: E minha vida amorosa.
A raposa: Isso dependerá de dois outros fatores. O quanto de amor está disposto a dispender para você e o quanto de coração estará disposto a cicatrizar. Amar a si mesmo é o começo de uma previsão de felicidade. O prazo depende apenas do sorriso do tempo e o olhar do sol.
O principe: Algo mais tão preciso para os nossos leitores?
A raposa: Sim. Eu prevejo que estaremos todos aqui em 2006, menos os que já se forem. Olhem sempre para as previsões como uma forma idílica de dizer que o que gostaríamos pode acontecer. E o que acontece nunca pode voltar.
Não perca o tino, não perca a calma,
Não perca a vez e não perca a alma,
Seja tal que sempre seja você, seja o tal que quiser ser
Seja algo que saiba ser, ignorar faz o bom sempre se perder
Viver é colher lágrimas da vida
Transformá-las em sorrisos no tempo
Andar por sobre o pecado que avilta
E mergulhar em tudo o que se mostra com sentimento
Que o que te toca sempre te enalteça
Que o que te tange sempre te esqueça
Que o que te acolhe sempre te aqueça
Olha com os olhos de uma criança, ama com o coração de um poeta
Sofre com a alma de uma noviça e perdoa com consciência aberta
Sobre a vida, então, dança e marca teu passo como uma borboleta antes do seu ocaso.
SÊ REALMENTE MUITO FELIZ E QUE O TEU DEUS TE ABENÇÔE!
O príncipe: Bom dia Mãe Raposa do Gantuá.
A raposa: Bom dia meu querido príncipe.
O príncipe: Nosso objetivo aqui é mostrar um pouquinho dos seus dons para o pessoal que nos lê, é possível?
A raposa: Não é para o Fantástico é?
O príncipe: Não, é uma prévia exclusiva.
A raposa: Certo, vamos começar. Me dê aquela cerveja que está ali, coloque U2 no som e deixa aquela meia fedorenta aqui perto.
O príncipe: A senhora faz previsões com cerveja e U2? E para quê serve a tal da meia?
A raposa: A cerveja substitui com êxito a cachaça e o U2 o som dos atabaques. A meia é para afastar os maus espíritos.
O príncipe: Certo vamos começar com perguntas muito originais. O Brasil vai ser hexacampeão?
A raposa: Olha ... vai tentar. É certo que será uma disputa muito difícil. Todos os jogos serão ganhos com gols. E teremos adversários que farão de tudo para nos ganhar. Acredito que com grande esforço a gente consiga ganhar.
O príncipe: Se me permite, não dissesse nada que já não tenhamos em mente ... nada de novo ...
A raposa: Próxima pergunta!
O príncipe: Certo, certo. O Lula irá se reeleger?
A raposa: Bom isso dependerá de duas coisas simultaneamente. Que ele tenha mais votos que seus oponentes e que o povo vote nele. A campanha terá políticos conhecidos no Brasil todo. Uns mais, outros menos, mas todos conhecidos. Muita baixaria, muita agressão e no final e só no final que conheceremos a resposta.
O príncipe: Que será ...?
A raposa: Exatamente aquela que o povo escolher. Isso posso afirmar com certeza.
O príncipe: Certo. Quais são as perspectivas para o mundo?
A raposa: Bom. Com tanta adversidade e tanto ódio o mundo têm perspectivas bem diversas. Posso afirmar que muitas pessoas morrerão. E um número ainda maior nascerá, especialmente na China. A fome somente será resolvida com comida. E as doenças com remédios e tratamentos.
O príncipe: Sim, claro. Falando em doenças. Acharemos a cura para a AIDS ou o Câncer?
A raposa: Isso vai depender também. De um lado depende da vontade dos laboratórios farmacêuticos e do outro das pesquisas científicas. Mas creio que podemos se conseguirmos.
O príncipe: Vamos pessoalizar as perguntas. Como será o meu ano?
A raposa: Com 365 dias divididos em 12 meses. Com certeza. Digo mais, começará exatamente daqui a dois dias e terminará em 367, sem erro.
O principe: Minha vida profissional?
A raposa: Terá uma, com certeza. Até porque precisamos comer. Ela será muito trabalhosa. Muitas horas por dia fazendo a mesma coisa. No fim, mas certo que no fim do mês, vai sobrar cada vez mais tempo quando o dinheiro acabar. Posso dizer com certeza que terá muita gente fazendo o que você faz. A concorrência será grande esse ano.
O principe: E minha vida amorosa.
A raposa: Isso dependerá de dois outros fatores. O quanto de amor está disposto a dispender para você e o quanto de coração estará disposto a cicatrizar. Amar a si mesmo é o começo de uma previsão de felicidade. O prazo depende apenas do sorriso do tempo e o olhar do sol.
O principe: Algo mais tão preciso para os nossos leitores?
A raposa: Sim. Eu prevejo que estaremos todos aqui em 2006, menos os que já se forem. Olhem sempre para as previsões como uma forma idílica de dizer que o que gostaríamos pode acontecer. E o que acontece nunca pode voltar.
Não perca o tino, não perca a calma,
Não perca a vez e não perca a alma,
Seja tal que sempre seja você, seja o tal que quiser ser
Seja algo que saiba ser, ignorar faz o bom sempre se perder
Viver é colher lágrimas da vida
Transformá-las em sorrisos no tempo
Andar por sobre o pecado que avilta
E mergulhar em tudo o que se mostra com sentimento
Que o que te toca sempre te enalteça
Que o que te tange sempre te esqueça
Que o que te acolhe sempre te aqueça
Olha com os olhos de uma criança, ama com o coração de um poeta
Sofre com a alma de uma noviça e perdoa com consciência aberta
Sobre a vida, então, dança e marca teu passo como uma borboleta antes do seu ocaso.
SÊ REALMENTE MUITO FELIZ E QUE O TEU DEUS TE ABENÇÔE!
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Doppler
Hora das famigeradas retrospectivas. Nada mais chato do que retrospectiva. Erros que não podem ser desfeitos e alegrias que se esfumaçaram com o tempo. Aliás, ele é senhor de tudo. O tempo.
Longe de ser absoluto o tempo é um senhor relativo. Existem duas formas básicas de relativá-lo, uma baseando-se na distância do observador. Outra baseando-se no impacto de sua passagem.
O primeiro efeito é como um "efeito Doppler" do tempo. Quanto mais perto estamos mais defeitos vemos, quanto mais longe mais qualidades. Idealização histórica. Tudo o que nos é distante parece perfeito. Acho que por isso dizemos que as qualidades são sempre maiores que os defeitos. À distância as qualidades permanecem e os defeitos se esvaem. Não pense que isso é bom. Esse efeito causa saudade e arrependimento de coisas que não existem. Certamente não existem situações ou pessoas só com qualidades, mas acho que o cérebro acaba fazendo uma seleção do que vale a pena manter guardado. Ficam as boas. Não o culpo. O condeno.
Assim fazemos com os anos que se passaram. O 1980 foi melhor que o 1990. Doppler.
Verdade? Não, apenas efeito.
Assim fazemos com as pessoas que passaram. Essência travestida de saudade. Pessoas fantasiadas de sonhos.
O contrário também é verdadeiro. Quanto mais próximas as coisas mais nos é permitido focar os defeitos. 2005 foi horrível. Quem sabe daqui a 50 anos ele fique palatável?
Com as pessoas somos mais cruéis. O tempo passa as pessoas não. As pessoas definham ...
A crueldade é, portanto, maior. Tão maior quanto os defeitos nos parecem. Não me recordo dos defeitos das pessoas que me são distantes. Isso aumenta a saudade. Idealização em vinho e vela.
A segunda forma de relativizar o tempo é através dos seus efeitos. Uma espécie de eco temporal. Pensamos em perceber a passagem do tempo como algo total. Como se não retornasse. Negamos a transitoriedade do ser e a passamos ao tempo. Como se a ação fosse estritamente do que se passa para o que se sente. Viver não é uma sucessão de momentos e sim uma sucessão de impressões. Marcas indeléveis da violência da vida não são as rugas e sim as memórias. "O essencial é invisível aos olhos". Temos o anseio de que as memórias não se repitam. Como se pudéssemos afastar tudo o que dói. Usamos o tempo para isso. Travestimos de experiência os ecos do tempo. E ainda que não compreendamos seus sentido tentamos mudar o que vai acontecer fugindo do que aconteçeu. Nâo percebemos que a lineraridade temporal transpassa o nosso translúcido ser e nunca vamos fazer as mesmas coisas. Somos dia-a-dia diferentes. Dia-a-dia morremos um pouco e compreendemos isso de diversas formas. Também ouvimos ecos do que nunca aconteçeu. Forma uma melancólica sinfonia cujos acordes principais são uma mistura de imaginação com idealização. O final é saudade.
O mais interessante disso é que nos enganamos todos os anos pensando que esse ciclo pode, de alguma forma, ser definido externamente. Cor, cheiro, comida, companhia. Como se algo pudesse transitar entre o ecos e mudar a sinfonia.
Bem vindo 2006!
Longe de ser absoluto o tempo é um senhor relativo. Existem duas formas básicas de relativá-lo, uma baseando-se na distância do observador. Outra baseando-se no impacto de sua passagem.
O primeiro efeito é como um "efeito Doppler" do tempo. Quanto mais perto estamos mais defeitos vemos, quanto mais longe mais qualidades. Idealização histórica. Tudo o que nos é distante parece perfeito. Acho que por isso dizemos que as qualidades são sempre maiores que os defeitos. À distância as qualidades permanecem e os defeitos se esvaem. Não pense que isso é bom. Esse efeito causa saudade e arrependimento de coisas que não existem. Certamente não existem situações ou pessoas só com qualidades, mas acho que o cérebro acaba fazendo uma seleção do que vale a pena manter guardado. Ficam as boas. Não o culpo. O condeno.
Assim fazemos com os anos que se passaram. O 1980 foi melhor que o 1990. Doppler.
Verdade? Não, apenas efeito.
Assim fazemos com as pessoas que passaram. Essência travestida de saudade. Pessoas fantasiadas de sonhos.
O contrário também é verdadeiro. Quanto mais próximas as coisas mais nos é permitido focar os defeitos. 2005 foi horrível. Quem sabe daqui a 50 anos ele fique palatável?
Com as pessoas somos mais cruéis. O tempo passa as pessoas não. As pessoas definham ...
A crueldade é, portanto, maior. Tão maior quanto os defeitos nos parecem. Não me recordo dos defeitos das pessoas que me são distantes. Isso aumenta a saudade. Idealização em vinho e vela.
A segunda forma de relativizar o tempo é através dos seus efeitos. Uma espécie de eco temporal. Pensamos em perceber a passagem do tempo como algo total. Como se não retornasse. Negamos a transitoriedade do ser e a passamos ao tempo. Como se a ação fosse estritamente do que se passa para o que se sente. Viver não é uma sucessão de momentos e sim uma sucessão de impressões. Marcas indeléveis da violência da vida não são as rugas e sim as memórias. "O essencial é invisível aos olhos". Temos o anseio de que as memórias não se repitam. Como se pudéssemos afastar tudo o que dói. Usamos o tempo para isso. Travestimos de experiência os ecos do tempo. E ainda que não compreendamos seus sentido tentamos mudar o que vai acontecer fugindo do que aconteçeu. Nâo percebemos que a lineraridade temporal transpassa o nosso translúcido ser e nunca vamos fazer as mesmas coisas. Somos dia-a-dia diferentes. Dia-a-dia morremos um pouco e compreendemos isso de diversas formas. Também ouvimos ecos do que nunca aconteçeu. Forma uma melancólica sinfonia cujos acordes principais são uma mistura de imaginação com idealização. O final é saudade.
O mais interessante disso é que nos enganamos todos os anos pensando que esse ciclo pode, de alguma forma, ser definido externamente. Cor, cheiro, comida, companhia. Como se algo pudesse transitar entre o ecos e mudar a sinfonia.
Bem vindo 2006!
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Xeque-Mate
Têm pessoas que são de ouro e a gente não percebe. A vida nos dá essa possibilidade quando essas pessoas já se foram. Acho que eu, com algumas delas, estou conseguindo me antecipar aos acontecimentos. Estou conseguindo reconhecê-las quando ainda têm pérolas para me oferecer. Isso não depende de idade. Isso não depende de proximidade. Isso é uma mistura de serenidade, virtude e inteligência. Serenidade para reconhecer as pérolas. Virtude para saber aceitá-las, e inteligência para aprender com elas.
O enxadrista - A vida é gozada, eu já tive dois processos cancerígenos e me segurei. O que está acabando comigo é minha casa.
O príncipe - Tua casa? Como assim?
O enxadrista - Sim, toda vez que volto para ela e não encontro o viço de gente.
O príncipe - Solidão ...
O enxadrista - Não, solidão é algo que aprendemos a conviver. Eu falo simplesmente de silêncio, descaso e esquecimento. E tudo isso em vida.
O príncipe - De certa forma eu posso ajudar ...
O enxadrista - Quando um homem não tem mais prazer em voltar para casa ele não pertence mais a esse mundo.
O príncipe - Solidão ...
O enxadrista - Solidão é palavra bonita de poeta que mascara o vazio que a gente realmente sente. Solidão é algo. Mas ela expressa o nada.
Ele sorveu o último gole de cerveja, tocou em seu estômago, onde um outro tumor forma-se, levantou-se e me disse:
O enxadrista - Feliz Natal. Só te desejo que sempre queiras voltar para casa.
Me abraçou e meus olhos marearam. Marearam porque por um momento eu estava sem vontade de voltar para casa. Não tenho esse direito. Eu ainda não tive dois processos cancerígenos. O sol ainda nasce para mim como esperança e não como saudade.
Muito obrigado meu caro enxadrista. Espero que a nossa vida possa seguir como um reles peão, que se precipita pelo tabuleiro encarando todas as tempestades e sendo apenas um peão. Quem sabe chegue à oitava casa, onde possa ser coroado dama. Quem sabe ...
O enxadrista - A vida é gozada, eu já tive dois processos cancerígenos e me segurei. O que está acabando comigo é minha casa.
O príncipe - Tua casa? Como assim?
O enxadrista - Sim, toda vez que volto para ela e não encontro o viço de gente.
O príncipe - Solidão ...
O enxadrista - Não, solidão é algo que aprendemos a conviver. Eu falo simplesmente de silêncio, descaso e esquecimento. E tudo isso em vida.
O príncipe - De certa forma eu posso ajudar ...
O enxadrista - Quando um homem não tem mais prazer em voltar para casa ele não pertence mais a esse mundo.
O príncipe - Solidão ...
O enxadrista - Solidão é palavra bonita de poeta que mascara o vazio que a gente realmente sente. Solidão é algo. Mas ela expressa o nada.
Ele sorveu o último gole de cerveja, tocou em seu estômago, onde um outro tumor forma-se, levantou-se e me disse:
O enxadrista - Feliz Natal. Só te desejo que sempre queiras voltar para casa.
Me abraçou e meus olhos marearam. Marearam porque por um momento eu estava sem vontade de voltar para casa. Não tenho esse direito. Eu ainda não tive dois processos cancerígenos. O sol ainda nasce para mim como esperança e não como saudade.
Muito obrigado meu caro enxadrista. Espero que a nossa vida possa seguir como um reles peão, que se precipita pelo tabuleiro encarando todas as tempestades e sendo apenas um peão. Quem sabe chegue à oitava casa, onde possa ser coroado dama. Quem sabe ...
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Êta ano empacado
Esse ano está demorando mais a passar que:
- procissão religiosa
- que o windows carregando
- internet discada para fazer conexão no sábado de noite
- sala de espera de parto normal
- fila de banco dia 5
- atendimento de emergência no HPS
- sinaleira três fases
- blitz de azulzinho
- consulta atrasada de dentista
- véspera de vestibular
- último horário de ônibus
- viagem para Cuiabá também de ônibus
- xixi com pedra nos rins
- conversa de gago
- discurso de boas festas do chefe
- cantada de bêbado
- livro da Martha Medeiros ou do Paulo Coelho
- Show "inédito" do Rei
- Programa da Xuxa
- morte súbita de baiano
- mineiro com "preguiçinha"
- fofoca de tia
- por que de criança
- aplicação de banco
- noite de sexta sozinho
- noite de sábado segurando vela
- o horário das 10 às 15 na praia
- a Missa do Galo
- São Silvestre
- dor de cabeça de ressaca
- dor de cotovelo
- incomodação de ex
- encontro casado com amigo (a) mala
- mar com bandeira preta
- enjôo de grávida
- dúvida de matemática
- dia de apresentação de trabalho na faculdade
- atraso de menstruação
- apagada de carro na sinaleira
- mulher se arrumando para a noite
- homem se arrumando para viajar para a praia
- consulta de psicólogo
- análise de crédito em bancos ou lojas
- questões envolvendo o judiciário
- votação de medida urgente no plenário
- o milagre do crescimento econômico
- o milagre do cresicmento (em outro sentido é claro ...)
- espera pela "primeira vez"
- pagamento com cartão no final do mês, naquelas maquininhas que nunca sabe se vão aceitar
- música do Latino
- traque no elevador
- tinta fresca em banco
- depilação
- amor noturno de gato
- apresentação de nomes em formatura
- apresentação de resultados em empresas no final de ano
- reunião pedagógica
- reunião motivacional
- bolo de fubá no forno
Empurra que vai !!!
Se lembrarem de mais alguns, por favor coloquem ...
- procissão religiosa
- que o windows carregando
- internet discada para fazer conexão no sábado de noite
- sala de espera de parto normal
- fila de banco dia 5
- atendimento de emergência no HPS
- sinaleira três fases
- blitz de azulzinho
- consulta atrasada de dentista
- véspera de vestibular
- último horário de ônibus
- viagem para Cuiabá também de ônibus
- xixi com pedra nos rins
- conversa de gago
- discurso de boas festas do chefe
- cantada de bêbado
- livro da Martha Medeiros ou do Paulo Coelho
- Show "inédito" do Rei
- Programa da Xuxa
- morte súbita de baiano
- mineiro com "preguiçinha"
- fofoca de tia
- por que de criança
- aplicação de banco
- noite de sexta sozinho
- noite de sábado segurando vela
- o horário das 10 às 15 na praia
- a Missa do Galo
- São Silvestre
- dor de cabeça de ressaca
- dor de cotovelo
- incomodação de ex
- encontro casado com amigo (a) mala
- mar com bandeira preta
- enjôo de grávida
- dúvida de matemática
- dia de apresentação de trabalho na faculdade
- atraso de menstruação
- apagada de carro na sinaleira
- mulher se arrumando para a noite
- homem se arrumando para viajar para a praia
- consulta de psicólogo
- análise de crédito em bancos ou lojas
- questões envolvendo o judiciário
- votação de medida urgente no plenário
- o milagre do crescimento econômico
- o milagre do cresicmento (em outro sentido é claro ...)
- espera pela "primeira vez"
- pagamento com cartão no final do mês, naquelas maquininhas que nunca sabe se vão aceitar
- música do Latino
- traque no elevador
- tinta fresca em banco
- depilação
- amor noturno de gato
- apresentação de nomes em formatura
- apresentação de resultados em empresas no final de ano
- reunião pedagógica
- reunião motivacional
- bolo de fubá no forno
Empurra que vai !!!
Se lembrarem de mais alguns, por favor coloquem ...
domingo, dezembro 18, 2005
Do lado certo do papel
Sábado de noite é o pior horário para os solitários. O relógio insiste em ficar parado na mesma hora. "Hora de festa". "Hora de companhia". "Hora de qualquer coisa menos ficar sozinho". Não sai dali. Até bem mais tarde tornar-se "Hora de ir dormir". A noite de sábado é cruel com os solitários, mais cruel até que a manhã de segunda. E olha que você, nesse caso, seria o Garfield. Pior de tudo é filme de romance na TV. O roteirista da vida nunca me reserva um bom papel nas coisas do coração. Sou sempre coadjuvante, se tanto. Sempre quando vemos esses filmes a imaginação voa e nos concebe no lugar do herói. Aquele para o qual o roteirista previu o final feliz. Mesmo após todas as agruras. O roteirista diz para ele que o personagem pode fazer o quê quiser que ainda assim terá um final feliz. Mas e, se nesta encarnação, meu papel seja o do "namorado-empaca-grande-amor" que apesar de educado, querido, inteligente, bonito e que ama a mocinha (embora nunca ouçam o que ele tem a dizer) verá o "the end" sozinho e com lágrimas nos olhos? E se nesta vida meu papel for o do "amigo-mais-que-amigo-que-segura-todas" mas, apesar de companheiro, sensato, firme, lúcido e também bonito vai perder a sua companhia para dar um ar mais picante na história? E vai agüentar tudo sozinho porque histórias paralelas não podem ocupar espaço no filme.
Os filmes apesar de parecerem não são feitos de "ses".
A vida apesar de não parecer não é feita de coisas concretas.
Eu consegui descobrir o quê os mocinhos de filmes românticos "mela-cuecas" têm em comum para se darem sempre bem. Aquela coisa que todos nós deveríamos ter para conseguir a felicidade do coração. Aquela coisa que nos daria certeza de fazer o certo, mesmo que o certo seja arrombar a porta de uma outra pessoa e dar-lhe um absurdo beijo que vai selar o amor. (Ou simplesmente aparecer numa tarde de domingo, sem avisar). Sem medo de que ela chame e a polícia e você fique com cara de louco. Aquela coisa que diria que ainda podemos nos martirizar com memórias e saudades porque elas não se tornarão apenas um câncer e sim são um caminho, ainda que tortuoso, para a felicidade. Eu, pensando descobri o que os mocinhos têm para alcançar a maravilhosa felicidade regada a muita música romântica e abraços de amor:
Um roteirista.
Os filmes apesar de parecerem não são feitos de "ses".
A vida apesar de não parecer não é feita de coisas concretas.
Eu consegui descobrir o quê os mocinhos de filmes românticos "mela-cuecas" têm em comum para se darem sempre bem. Aquela coisa que todos nós deveríamos ter para conseguir a felicidade do coração. Aquela coisa que nos daria certeza de fazer o certo, mesmo que o certo seja arrombar a porta de uma outra pessoa e dar-lhe um absurdo beijo que vai selar o amor. (Ou simplesmente aparecer numa tarde de domingo, sem avisar). Sem medo de que ela chame e a polícia e você fique com cara de louco. Aquela coisa que diria que ainda podemos nos martirizar com memórias e saudades porque elas não se tornarão apenas um câncer e sim são um caminho, ainda que tortuoso, para a felicidade. Eu, pensando descobri o que os mocinhos têm para alcançar a maravilhosa felicidade regada a muita música romântica e abraços de amor:
Um roteirista.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Força Bruta
Vou fazer algo odioso agora. Um amigo meu, que também tem um blog (http://ineverdreamed.blogspot.com) esses dias postou um texto que de primeiro impacto me tocou. Entretanto, como toda a "filosofia" da rede pensando um pouco achei ele (o texto) bem parcial e como vivi muitas das coisas ali descritas acabei me sentindo atacado. Não pelo amigo, é óbvio, mas pelo conteúdo do texto que, de certa maneira, me punha em xeque. Minhas convicções, minha forma de ver o mundo etc. Como não sou de afastar peleia, vou responder o texto todo. Assim, vou reproduzir o texto e minhas partes vão estar em vermelho. Deixo a vocês a simples leitura ou a manifestação. Sei que isso não se deveria fazer, mas como disse, me senti atingido então "enquanto tiver bambu vai flecha!"
O texto
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Na verdade isso é sorte, nós fazemos a circunstância e mudamos aquilo que nos incomoda, isso é o que chamamos de ação sobre a realidade e não uma forma bem "melzinho na chupeta" de achar que "eu seguro todas". Transforme a vida em algo que você possa viver e não espere dela mais do que mágoas e desentendidos. A felicidade não é um objetivo é um processo. Isso eu chamo de Fibra.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Se você está sofrendo isso mostra que você é humano e que se inconforma com a vida. Esse é o primeiro sinal para saber que você pode mudar. Sofrimento não é sinal de estar indo "contra você" e sim um sinal de que você está indo contra aquilo que lhe imputam. Incomode-se com o mundo. Não se deixe aprisionar. Este é o melhor caminho para a eternidade. As pessoas nunca esquecem aqueles que realmente se propuseram a mudar, sofrendo ou não. Isso eu chamo de Fortaleza.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Desejar que a vida seja diferente é extremamente salutar. Virar aquelas pessoas que aceitam a realidade sem luta é morrer a cada segundo. A questão é não apenas desejar e sim levantar as bandeiras das mudanças. Uma outra amiga (http://www.caiuafisha.blogger.com.br/) escreveu esses dias no msn uma frase digna de recordação. Escreveu ela assim: "Se as coisas não mudarem eu vou ter que mudá-las ...". Simplesmente fantástico! Sentar e esperar só cria rugas e faz a bunda cair. A princípio todos vamos amadurecer, ainda que algumas pessoas teimem com a vida e sofram mas é escolha própria. A questão é como fazê-lo. Voilá! Isso eu chamo de Engrandecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Nossa essa é o cúmulo do "não tô fazendo, você também". O velho poeta* dizia: "A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro na vida". A menos que você se imagine como moléculas com movimento browniano, que se chocam ao acaso, Make you day!! Outro poeta, só que castelhano,** disse: "A oportunidade é como o ferro há que se bater enquanto quente". Ora, não é desrespeito ir atrás daquilo que se quer, principalmente com o coração. Mais uma dos poetas, esse musical***: "Eu por exemplo na paixão, mesmo que tenha que sofrer eu abro o jogo e o coração e deixo o meu barco correr". Enfim, a primeira pessoa a ser respeitada é você mesmo. Seu coração vai lhe cobrar um preço alto pelo que você poderia ter feito e as cicatrizes do que se fez ele quase não se incomoda ... Isso é o que chamo de Atividade.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável ... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor próprio.
Engraçado, ali em cima ele disse que entender essas adversidades era AMADURECIMENTO. Agora ele se livra somente do que entende por lhe fazer mal. Essas coisas não combinam. Ele se desdisse. Como se pode amadurecer sem adversidades? Eu conheço pessoas que viveram a vida inteira dentro de conchinhas protegidas pela família, ex-marido ou por criações psicológicas suas que não cresceram. Existe outra questão também. Algumas vezes, para não dizer muitas, não estamos em capacidade de dizer o que realmente nos é bom ou ruim. Outro poeta****, agora de língua inglesa: "I was once like you are now, and I know that it’s not easy, To be calm when you’ve found something going on. But take your time, think a lot, think of everything you’ve got. For you will still be here tomorrow, but your dreams may not" (Eu fui uma vez como você é agora e sei que isso não é fácil. Fique frio quando achar que algo deve ser posto de lado. Não se apresse, pense muito, pense em tudo o que você tem ou é, porque VOCÊ estará aqui amanhã mas seus SONHOS podem não.) Isso eu chamo de Sabedoria.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Bom, a "menos pior" até agora. De qualquer forma nós somos aquilo que pensamos ou sonhamos. Não abdique disso por nada nem por ninguém. Talvez aqui se faça exceção por filhos e pais. Falo talvez porque não tenho base para análise. Outro poeta#: "Sou amante do sucesso, Nele eu mando nunca peço, Eu compro o que a infância sonhou, Se errar eu não confesso, Eu sei bem quem sou ..." e uma mulher fantástica ##: "O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos." Seja do tamanho que for, não se conforme. Conformidade leva à velhice precoce e ao tortuoso caminho de esconder os sonhos. Dói demais, não faça. Isso eu chamo de Grandiosidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Em primeiro lugar humildade não existe. A humildade é uma forma travestida de vaidade ao contrário. Tirando um exemplo histórico apenas que chamamos de Cristo. Toda a outra humildade tem objetivo no reconhecimento pelos outros da pessoa como "humilde" ou a concretização de grandes atos. Não existe humildade sem ninguém para reconhecê-la, não se pode ser humilde sozinho. Gandhi fez o que fez para que a Índia conseguisse sua independência em 1947. Buda criou toda uma forma de pensar e exigia, quando vivo, reverência pela sua sapiência. A humildade verdadeira de nada serve neste mundo real e não existe per se. Ela é uma concha de vaidade ou incapacidade. Isso não quer dizer que eu defenda a soberba. Nem tanto ao céu nem, tanto à terra. Querer ter razão sempre não é poder ou dever ter razão sempre mas é saber que se busca melhorar cada dia, cada pensamento. Isso, humildade, eu chamo de Retórica ...
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Já dizia o cientista###: "O tempo não existe justamente por nunca estarmos no presente. Presente é uma intersecção de equações que existe apenas no caderno porque já passou." É, tudo é relativo. O passado é o seu maior elo com o mundo e o futuro a sua melhor estrada com o céu. Compreender o que se passou e projetar o que ainda vem pode não ser regra mas alivia muitas das injustiças do mundo e das surpresas do destino. Torna a vida palatável. Um Filósofo grego####: "Conhece-te a ti mesmo". E isso só se faz revivendo o passado e entendendo como algo que nos é de responsabilidade. Isso eu chamo de Evolução.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é.... Saber viver!!!
As frases finais mais parecem um panfleto doutrinário e poderiam vir em qualquer lugar escritas:
"Epitáfio de Dolores Cruz e Anjo (1845-1899) - Saudades de ti, querida mãe e esposa e saiba que
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é.... Saber viver! hoje ainda sinto a sua falta."
Desculpem-me mas eu não compro pela embalagem ...
*Mário Quintana
**José Hernandez - Martim Fierro
***Toquinho - Turbilhão
****Cat Stevens - Father and Son
#Aldir Blanc - Coração Pirata
##Eleannor Roosevelt - Em discurso em 1935
###Albert Einstein
####Sócrates
O texto
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Na verdade isso é sorte, nós fazemos a circunstância e mudamos aquilo que nos incomoda, isso é o que chamamos de ação sobre a realidade e não uma forma bem "melzinho na chupeta" de achar que "eu seguro todas". Transforme a vida em algo que você possa viver e não espere dela mais do que mágoas e desentendidos. A felicidade não é um objetivo é um processo. Isso eu chamo de Fibra.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Se você está sofrendo isso mostra que você é humano e que se inconforma com a vida. Esse é o primeiro sinal para saber que você pode mudar. Sofrimento não é sinal de estar indo "contra você" e sim um sinal de que você está indo contra aquilo que lhe imputam. Incomode-se com o mundo. Não se deixe aprisionar. Este é o melhor caminho para a eternidade. As pessoas nunca esquecem aqueles que realmente se propuseram a mudar, sofrendo ou não. Isso eu chamo de Fortaleza.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Desejar que a vida seja diferente é extremamente salutar. Virar aquelas pessoas que aceitam a realidade sem luta é morrer a cada segundo. A questão é não apenas desejar e sim levantar as bandeiras das mudanças. Uma outra amiga (http://www.caiuafisha.blogger.com.br/) escreveu esses dias no msn uma frase digna de recordação. Escreveu ela assim: "Se as coisas não mudarem eu vou ter que mudá-las ...". Simplesmente fantástico! Sentar e esperar só cria rugas e faz a bunda cair. A princípio todos vamos amadurecer, ainda que algumas pessoas teimem com a vida e sofram mas é escolha própria. A questão é como fazê-lo. Voilá! Isso eu chamo de Engrandecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Nossa essa é o cúmulo do "não tô fazendo, você também". O velho poeta* dizia: "A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro na vida". A menos que você se imagine como moléculas com movimento browniano, que se chocam ao acaso, Make you day!! Outro poeta, só que castelhano,** disse: "A oportunidade é como o ferro há que se bater enquanto quente". Ora, não é desrespeito ir atrás daquilo que se quer, principalmente com o coração. Mais uma dos poetas, esse musical***: "Eu por exemplo na paixão, mesmo que tenha que sofrer eu abro o jogo e o coração e deixo o meu barco correr". Enfim, a primeira pessoa a ser respeitada é você mesmo. Seu coração vai lhe cobrar um preço alto pelo que você poderia ter feito e as cicatrizes do que se fez ele quase não se incomoda ... Isso é o que chamo de Atividade.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável ... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor próprio.
Engraçado, ali em cima ele disse que entender essas adversidades era AMADURECIMENTO. Agora ele se livra somente do que entende por lhe fazer mal. Essas coisas não combinam. Ele se desdisse. Como se pode amadurecer sem adversidades? Eu conheço pessoas que viveram a vida inteira dentro de conchinhas protegidas pela família, ex-marido ou por criações psicológicas suas que não cresceram. Existe outra questão também. Algumas vezes, para não dizer muitas, não estamos em capacidade de dizer o que realmente nos é bom ou ruim. Outro poeta****, agora de língua inglesa: "I was once like you are now, and I know that it’s not easy, To be calm when you’ve found something going on. But take your time, think a lot, think of everything you’ve got. For you will still be here tomorrow, but your dreams may not" (Eu fui uma vez como você é agora e sei que isso não é fácil. Fique frio quando achar que algo deve ser posto de lado. Não se apresse, pense muito, pense em tudo o que você tem ou é, porque VOCÊ estará aqui amanhã mas seus SONHOS podem não.) Isso eu chamo de Sabedoria.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Bom, a "menos pior" até agora. De qualquer forma nós somos aquilo que pensamos ou sonhamos. Não abdique disso por nada nem por ninguém. Talvez aqui se faça exceção por filhos e pais. Falo talvez porque não tenho base para análise. Outro poeta#: "Sou amante do sucesso, Nele eu mando nunca peço, Eu compro o que a infância sonhou, Se errar eu não confesso, Eu sei bem quem sou ..." e uma mulher fantástica ##: "O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos." Seja do tamanho que for, não se conforme. Conformidade leva à velhice precoce e ao tortuoso caminho de esconder os sonhos. Dói demais, não faça. Isso eu chamo de Grandiosidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Em primeiro lugar humildade não existe. A humildade é uma forma travestida de vaidade ao contrário. Tirando um exemplo histórico apenas que chamamos de Cristo. Toda a outra humildade tem objetivo no reconhecimento pelos outros da pessoa como "humilde" ou a concretização de grandes atos. Não existe humildade sem ninguém para reconhecê-la, não se pode ser humilde sozinho. Gandhi fez o que fez para que a Índia conseguisse sua independência em 1947. Buda criou toda uma forma de pensar e exigia, quando vivo, reverência pela sua sapiência. A humildade verdadeira de nada serve neste mundo real e não existe per se. Ela é uma concha de vaidade ou incapacidade. Isso não quer dizer que eu defenda a soberba. Nem tanto ao céu nem, tanto à terra. Querer ter razão sempre não é poder ou dever ter razão sempre mas é saber que se busca melhorar cada dia, cada pensamento. Isso, humildade, eu chamo de Retórica ...
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Já dizia o cientista###: "O tempo não existe justamente por nunca estarmos no presente. Presente é uma intersecção de equações que existe apenas no caderno porque já passou." É, tudo é relativo. O passado é o seu maior elo com o mundo e o futuro a sua melhor estrada com o céu. Compreender o que se passou e projetar o que ainda vem pode não ser regra mas alivia muitas das injustiças do mundo e das surpresas do destino. Torna a vida palatável. Um Filósofo grego####: "Conhece-te a ti mesmo". E isso só se faz revivendo o passado e entendendo como algo que nos é de responsabilidade. Isso eu chamo de Evolução.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é.... Saber viver!!!
As frases finais mais parecem um panfleto doutrinário e poderiam vir em qualquer lugar escritas:
"Epitáfio de Dolores Cruz e Anjo (1845-1899) - Saudades de ti, querida mãe e esposa e saiba que
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é.... Saber viver! hoje ainda sinto a sua falta."
Desculpem-me mas eu não compro pela embalagem ...
*Mário Quintana
**José Hernandez - Martim Fierro
***Toquinho - Turbilhão
****Cat Stevens - Father and Son
#Aldir Blanc - Coração Pirata
##Eleannor Roosevelt - Em discurso em 1935
###Albert Einstein
####Sócrates
quarta-feira, dezembro 14, 2005
1, 2, 3, de Oliveira 4
A idade vem chegando. À galope. Os sinais são gritantes. E quando falo gritantes estou sendo muito real. Ontem eu estava na academia, afinal o verão está aí. Claro que tudo vai ficar bom para o verão de 2007. Bom, estava eu na academia quando um desses caras que treinam para ser trabalhador do porto ou carregador de geladeiras para prédios sem elevador pediu para usar o mesmo aparelho que eu.
Saco de músculos: Olha só meu ... a gente podia revezar nos "peso" que eu não quero catabolizar ...
A raposa: É melhor não contrariar eu gosto muito do meu pelo.
O príncipe: Certo não quero te atrapalhar de jeito nenhum.
Humilde demais para mim mas era necessário. O cara teria uma aula de jiu-jitsu depois e eu não queria deixá-lo, digamos, chateado comigo.
O problema foi que ele colocou tanto peso no aparelho que eu pensei que ia quebrar. O aparelho é óbvio. Levantava e baixava aquilo suspirando alto, pior que o Guga quando saca:
Guga: Uaannnnnnn ...
Saco de músculos: Rrrrrummmm (quando puxa) Raaaaannnn (Quando solta)
Bizarro. Demais. Mas tem mulher que gosta. Ficaram umas gurias olhando para o cara. Sei lá. de repente elas pensam em cair de um prédio e querem um cara que possa segurá-las com uma mão. Ou que o carro vai ficar sem freio numa ladeira e ele vai segurar. Não sei explicar mas elas gostam. Quando ele terminava no aparelho que eu estava ia incomodar outro ali do lado, afinal ele não queria "catabolizar". E eu levava uns dois minutos para colocar no peso que eu fazia. A cara de nojo das gurias era algo. Uma delas chegou a soltar um sonoro "Pfffff" e abriu os braços como se dissesse "Este peso até minha irmãzinha faz". Tem uma escala velada de valores na academia dependendo da quantidade de anilhas que você coloca e do tipo de Gatorade que você toma. Sem Gatorade você não é nada. Nem tente.
Nesse vai e vem de colocar pesos, eu fazia as minhas séries correndo antes que o monstro voltasse e me colocasse em situação difícil. Frente às meninas é claro. E acho que numa das vezes eu devo ter colocado anilhas a mais. Porque quando puxei algo que nunca tinha se mexido no meu corpo resolveu mexer. Algum músculo que nem sabia da própria existência resolveu doer. Eu travei todo o corpo, na mesma posição, com uma dor desgraçada. Começei a ficar vermelho de dor embora não largasse o aparelho. As meninas em volta começaram a ver algo de errado. Meu rosto começou a deformar de dor. Eu sabia que não podia soltar. Era uma questão de masculinidade. A dor passou a ser insuportável e o parrudo voltou. Neste momento eu até achei bom. Meu salvador. Com uma mão aquele "homem forte" segurou os pesos e com a outra me amparou. "Me senti protegido" eheehehe
Morrendo de dor eu saí do aparelho com cara de que está tudo bem.
O príncipe: Valeu cara, deu uma fisgadinha no meu ombro. Como é teu nome?
Saco de músculos: Oliveira, sem galho.
A raposa: Meu herói .... e fisgadinha o escambal isso está doendo pacas ...
Desde então tenho olhado bem mais para o lado esquerdo do meu apartamento. Que aliás anda muito feio. O ruim é para atravessar as ruas, é um trabalhão e tanto olhar para o outro lado sem virar o pescoço.
Na saída, entretanto, comprei meu Gatorade, lembre você não é nada sem ele ...
Saco de músculos: Olha só meu ... a gente podia revezar nos "peso" que eu não quero catabolizar ...
A raposa: É melhor não contrariar eu gosto muito do meu pelo.
O príncipe: Certo não quero te atrapalhar de jeito nenhum.
Humilde demais para mim mas era necessário. O cara teria uma aula de jiu-jitsu depois e eu não queria deixá-lo, digamos, chateado comigo.
O problema foi que ele colocou tanto peso no aparelho que eu pensei que ia quebrar. O aparelho é óbvio. Levantava e baixava aquilo suspirando alto, pior que o Guga quando saca:
Guga: Uaannnnnnn ...
Saco de músculos: Rrrrrummmm (quando puxa) Raaaaannnn (Quando solta)
Bizarro. Demais. Mas tem mulher que gosta. Ficaram umas gurias olhando para o cara. Sei lá. de repente elas pensam em cair de um prédio e querem um cara que possa segurá-las com uma mão. Ou que o carro vai ficar sem freio numa ladeira e ele vai segurar. Não sei explicar mas elas gostam. Quando ele terminava no aparelho que eu estava ia incomodar outro ali do lado, afinal ele não queria "catabolizar". E eu levava uns dois minutos para colocar no peso que eu fazia. A cara de nojo das gurias era algo. Uma delas chegou a soltar um sonoro "Pfffff" e abriu os braços como se dissesse "Este peso até minha irmãzinha faz". Tem uma escala velada de valores na academia dependendo da quantidade de anilhas que você coloca e do tipo de Gatorade que você toma. Sem Gatorade você não é nada. Nem tente.
Nesse vai e vem de colocar pesos, eu fazia as minhas séries correndo antes que o monstro voltasse e me colocasse em situação difícil. Frente às meninas é claro. E acho que numa das vezes eu devo ter colocado anilhas a mais. Porque quando puxei algo que nunca tinha se mexido no meu corpo resolveu mexer. Algum músculo que nem sabia da própria existência resolveu doer. Eu travei todo o corpo, na mesma posição, com uma dor desgraçada. Começei a ficar vermelho de dor embora não largasse o aparelho. As meninas em volta começaram a ver algo de errado. Meu rosto começou a deformar de dor. Eu sabia que não podia soltar. Era uma questão de masculinidade. A dor passou a ser insuportável e o parrudo voltou. Neste momento eu até achei bom. Meu salvador. Com uma mão aquele "homem forte" segurou os pesos e com a outra me amparou. "Me senti protegido" eheehehe
Morrendo de dor eu saí do aparelho com cara de que está tudo bem.
O príncipe: Valeu cara, deu uma fisgadinha no meu ombro. Como é teu nome?
Saco de músculos: Oliveira, sem galho.
A raposa: Meu herói .... e fisgadinha o escambal isso está doendo pacas ...
Desde então tenho olhado bem mais para o lado esquerdo do meu apartamento. Que aliás anda muito feio. O ruim é para atravessar as ruas, é um trabalhão e tanto olhar para o outro lado sem virar o pescoço.
Na saída, entretanto, comprei meu Gatorade, lembre você não é nada sem ele ...
terça-feira, dezembro 13, 2005
Anjos
| Você acredita em anjos? Uma pergunta que não tem nada de mágica. Nada de esotérica nem astral. Acreditar em anjos é tão simples como acreditar em amor, perdão, carinho etc. Nessa época as pessoas tendem a ser mais abertas e menos resilientes a essas coisas. Isso é o chamado espírito natalino que tantos erroneamente buscam origem no consumismo desenfreado. Acreditar em espírito natalíno é algo advindo do todo, ou seja, é um período onde a sociedade, por arquetípicos modelos, se coloca numa posição de introspecção. Esse momento não pode ser rompido pela ação do indivíduo, exatamente por isso que mesmo quem não gosta vai participar de um Natal. Acreditar em anjos, por outro lado, depende intrinsecamente do indivíduo, por mais que a sociedade trilhe esse caminho. Acreditar em anjos não significa crêr em seres com asas que podem tudo, que sentam-se ao lado do Senhor e etc. Significa acreditar que existem pessoas, que apesar de não poder tudo, podem tornar nossas dificuldades mais amenas ou mesmo transpassá-las. Ao fazer isso, essas pessoas tornam-se mais que humanos porque fizeram o que não fomos capazes de fazer. São, portanto, anjos. Nem todas as pessoas são anjos. Aliás, muitas delas realmente não são, apesar de parecerem (Diabolous est Dei simia). E como nossa capacidade de reconhecer esses seres é inversamente proporcional ao turvar de problemas em nosso mundo material, quando estamos no fundo do poço reclamamos que eles não aparecem. Olhai para ti como se fosse outro e reconhecerás os anjos que te estendem a mão. Também não é porque esses anjos não fazem tudo o que gostaríamos que eles não fazem nada. Quando mais atolados estamos mais miraculosas as soluções buscamos e, quase sempre, não vemos a simples ajuda que é ofertada. Anjos negados perdem seu elã e acabam tornando-se pessoas normais. Algumas vezes até demônios. Anjos são aqueles que te olham com idéias de mudanças e não com pena. São aqueles que te ajudam por carinho e não por interesse. São aqueles que te falam as verdades ainda que doa em ti e neles, se essas verdades devem ser ditas. Anjos não são os que te consolam apenas, mas aqueles que te elevam acima do que tu julgas possível, embora eles saibam que é alcançável. Esse é o vrdadeiro céu. Ser anjo não é simples e todos já o fomos alguma vez. Manter-se anjo é sublime e leva um toque divino. Tornar-se demônio é humano, apenas humano. Olha, portanto, para as pessoas que te cercam e verifica se, dentre elas, alguma tem aquele olhar diferente sobre a tua situação e sobre o teu problema. Pode ser um anjo que outrora negaste a mão. Anjos perdoam. Ouve-a, pois, e percebe que o carinho é a intenção e o amor o objetivo. Não há nada de sobre-humano nem irreal, mas sim puro e natural. Não reconhecemos anjos porque estamos sempre fugindo de demônios. Demônios que, muitas vezes, habitam apenas nosso interior e apenas lá. São dos anjos os lugares do mundo. São dos anjos os afagos do corpo. São dos anjos os sustentos do coração. Tudo parece tão pequeno quando a alma se espreme e o coração geme. Mas seguir em frente é o próposito de nossa existência. Faz, portanto, de mãos dadas com teus anjos. E, quando alguém precisar de ti como anjo, sê a mão forte que alivia pela verdade ou pelo acalento e terás certeza que somos todos um neste planeta infernal. Acredita em anjos e acredita em ti como anjo. Mas não deixe de temer aos demônios, nem mesmo àqueles que tu te transformares ... |
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