Qual o maior medo humano? Difícil questão ...
Um monte de respostas vêm à mente, se puderes chegar à essência deste monte de respostas verás que em todas elas, digo novamente o todas, a questão é ter medo de algo que não existe materialmente. Tudo o que não podemos tocar, ver, ouvir ou sentir nos causa pânico. Todos os nossos grandes medos acabam por cair neste terreno. Podemos lutar contra qualquer coisa que exista, que possa ser ferida, destruída etc. Mas nunca, nunca poderemos lutar contra dragões que não existam. São etéreos os que nos põe medo. Morte, fantasmas, medo de não ser feliz, de não ser amado, de perder algo e por aí à fora. Tudo se encalacra na questão do "não ser", do não existir e ainda assim ter poder para modificar as coisas na nossa vida. O próprio poder de assustar é assim. Se transportarmos isso para a vida cotidiana, eu reafirmo não podemos lutar contra o que não existe. Não podemos lutar contra uma falta. Contra um sentimento que é uma mera suposição. Não se luta contra o que não existe e sim contra o criador do espectro. No final é uma luta inglória pois não tem forma de vencer. E se o contendente for alguém que te é caro a tarefa passa de hercúlea para estóica. (Sim, vamos procurar no dicionário para ver o que é isso!!!). Não se luta contra sonhos ou medos e sim contra os seus efeitos. Mas, para isso é necessário que aceitemos que eles tem efeito sobre nós. Aí pesa um pouco a nossa humildade. Definitivamente não é minha característica. Estou acostumado a lutar. Luto todos os dias bons e maus combates. Mas tenho adversários palpáveis. Me dê algo pelo quê lutar e "verás que um filho teu não foge à luta". Coloque-me diante de espectros ou coisas etéreas e eu vou fugir. A força contida em meu sangue precisa de matéria e entende sentimento. Mas gela ao encontrar um limbo dissonante que, além de tudo, ainda está anos-luz distante de mim.
Sinto. Sofro. Pasmo. Sofro. Sinto e me afasto.
Se me quiseres, não deixa! Não permitas que o medo, advindo da ignorância ou da arrogância, possa me prostrar e me tornar um cavaleiro de gelo e vento. Me mostra contra o quê. Conduza a minha mão, meu cérebro e meu coração e verás que das lágrimas de meus olhos saem forças maiores que um sol ardendo. Nesse momento perceberás do quê realmente são feitos os homens.
Do medo e da vontade de enfrentar o medo ...
quinta-feira, outubro 27, 2005
quarta-feira, outubro 26, 2005
Algodão-doce
Hoje eu quase fui papai. Quase tive uma felicidade absurda na minha vida. Quase recriei algo que perdi a algum tempo, uma família. Quase pude dizer que algo valeu nesse ano sem-fim e sem nada. Quase pude sentir o aconchego de um coração em minha alma. Quase pude abraçar algo e dizer que eu construí e que me daria muita felicidade. Quase consegui fechar um buraco no meu "querer" que havia muito estava aberto. Quase pude gritar a todos os ventos que uma parte da minha felicidade tinha voltado. Quase me senti meu pai, comigo por vir. Quase pude recomeçar o interminável e infindável ciclo da vida. Quase me senti inteiramente responsável por algo grandioso no universo. Quase pude ter a quem realmente precisasse de mim, com toda a essência da vida. Quase pude acompanhar o sonho virando realidade. Quase cuidei. Quase velei. Quase chorei. Quase prostrei. Quase embalei. Quase alimentei. Quase troquei. Quase ensinei.
Minha vida tem sido um eterno quase. Como uma corrida em que a linha de chegada sempre se afasta bruscamente quando eu a toco com o olhar. A mesma sensação eu sentia com algodão doce. Você vê grande e colorido. Sente o cheiro doce e apetitoso. Quando coloca na boca ele some. Sem deixar rastro ...
Será que um dia ele esteve ali? Será que tudo não é mera ilusão?
Só sei que as maçãs do amor, apesar de muitas vezes podres, eram reais. Podia-se até jogar no lixo.
A vida podia parar de brincar de gato-e-rato comigo. Seria pedir muito? Papai Noel?
Eu prometo me comportar.
Minha vida tem sido um eterno quase. Como uma corrida em que a linha de chegada sempre se afasta bruscamente quando eu a toco com o olhar. A mesma sensação eu sentia com algodão doce. Você vê grande e colorido. Sente o cheiro doce e apetitoso. Quando coloca na boca ele some. Sem deixar rastro ...
Será que um dia ele esteve ali? Será que tudo não é mera ilusão?
Só sei que as maçãs do amor, apesar de muitas vezes podres, eram reais. Podia-se até jogar no lixo.
A vida podia parar de brincar de gato-e-rato comigo. Seria pedir muito? Papai Noel?
Eu prometo me comportar.
terça-feira, outubro 25, 2005
Figuras
Tenho pensado muito naquilo que se pode ou não exigir das pessoas. Acho que depois de um certo tempo tomamos a palavra "amigo" como uma metonímia ou talvez uma catacrese. Eufemismo de "carência" e hipérbole de "cuidado". Sonhamos com uma ajuda quase transformando isso numa diácope humana. Paradoxo inevitável da condição individual da nossa sociedade e totalmente desamparada daquilo que chamam de psiquê . Uma sinestesia de percepções e uma paranomásia de condições? Uma elipse de nós mesmos ou uma perifrase de "ajuda"?
sábado, outubro 22, 2005
Gremlins
Pequenino, fofinho e com uma carinha de sapeca. Olhinhos levemente amendoados, uma inteligência vivaz. Carisma, meiguice, felicidade, alegria e uma capacidade de destruição semelhante ao Katrina ou ao Vilma.
Uma televisão quebrada, um computador desconfigurado, negrinho embaixo do meu travesseiro. Vidro de pimenta derrubado dentro da geladeira e até agora não achei os fósforos, estou com medo ...
Minhas cuecas e minhas meias foram parar em cabides. Minhas folhas em branco receberam afrescos do tipo Miró. Amarelos e vermelhos. Traços pós-modernos.
Estou sem tevê e com uma grande vontade de botar as minhas mãozinhas naquele pestinha. Filho da pessoa que deixa meu apartamento habitável de novo. Se o Saddam Hussein tivesse ele lá no Iraque não tinha se rendido para os americanos. Acho que numa outra encarnação ele deve ter sido um gladiador romano ou um aviador da Luftwaffe durante a segunda Guerra. Melhor, um Kamikaze.
Nesses momentos me pergunto se realmente quero ter filhos.
Ele se despediu de mim com um sorriso tão lindo que eu pensei que tinha sido uma manhã de felicidade. Na realidade foi, para o dono da eletrônica em que vou ter que consertar a tevê.
Uma televisão quebrada, um computador desconfigurado, negrinho embaixo do meu travesseiro. Vidro de pimenta derrubado dentro da geladeira e até agora não achei os fósforos, estou com medo ...
Minhas cuecas e minhas meias foram parar em cabides. Minhas folhas em branco receberam afrescos do tipo Miró. Amarelos e vermelhos. Traços pós-modernos.
Estou sem tevê e com uma grande vontade de botar as minhas mãozinhas naquele pestinha. Filho da pessoa que deixa meu apartamento habitável de novo. Se o Saddam Hussein tivesse ele lá no Iraque não tinha se rendido para os americanos. Acho que numa outra encarnação ele deve ter sido um gladiador romano ou um aviador da Luftwaffe durante a segunda Guerra. Melhor, um Kamikaze.
Nesses momentos me pergunto se realmente quero ter filhos.
Ele se despediu de mim com um sorriso tão lindo que eu pensei que tinha sido uma manhã de felicidade. Na realidade foi, para o dono da eletrônica em que vou ter que consertar a tevê.
terça-feira, outubro 18, 2005
Fora de Contexto
Já se sentiram sem pertencer a lugar nenhum? Não sem rumo nem sem estrutura, mas como se lugar nenhum fosse o que chamamos de lar? Solidão da alma. Primeiro sintoma de que algo deve ser mudado. É como se a realidade não fosse tão real e os teus sentimentos pudessem de alguma forma pervertê-la. Mas nada para chamar de casa. A ninguém pode-se recorrer, é uma questão de enquadramento. Eu não me enquadro. Hoje, qualquer lugar do mundo poderia ser minha casa. Ao mesmo tempo que nenhum deles é.
"E.T. telefone, minha casa ..."
Ninguém para atender ...
Sem telefone para tocar ...
O único alô que ouço é o que vem de dentro de mim. Sou companheiro de mim mesmo. Como sempre, aliás ...
"E.T. telefone, minha casa ..."
Ninguém para atender ...
Sem telefone para tocar ...
O único alô que ouço é o que vem de dentro de mim. Sou companheiro de mim mesmo. Como sempre, aliás ...
segunda-feira, outubro 17, 2005
Jardim de uivos
Tem pessoas que escolhemos para compartilhar coisas. Pessoas que nos são caras para compartilhar coisas que nos são caras. São flores e espinhos que por belas ou dolorosamente tristes vivem num jardim escondido em nossa alma. Cultivadas pelas lágrimas ou sorrisos de nossa fronte mas cuidadas pelos olhares e abraços daqueles que escolhemos como amigos. Um amigo é a pessoa a quem você confiaria suas flores e que não te recrimina por belas ou agressivas, por cuidadas ou não. Apenas tem a permissão de vê-las, tocá-las ...
Amigo, por mais que me sejam caras eu arranco as flores para que leves consigo. São nossas, são fruto daquilo que existe de mais sagrado dentro do espírito dos homens. Devoção. Palavra que é carregada de carinho, de cumplicidade e de respeito. Cercada de humildade, de gratidão e de orgulho pelo que se construiu.
Palavra que alguns guardam apenas ao seu Deus. Para mim as amizades são mais importantes, então não tenho problema em te ofertá-la. Sabes que aquele abraço foi o mais comovido e contido que ambos trocamos. Por que nossas condições psicológicas nos fazem turvar a espontaneidade de nossos corações? Eu queria dizer-te, sem dúvida, que tenho meus joelhos ao solo e os olhos aos céus quando lembro pelo que passamos. As lágrimas ... as lágrimas que nos correm dos olhos nesse momento são guardadas apenas aqueles que podem entrar em nosso jardim, podem tocar em nossos espinhos.
Sabes que onde teu uivo for ouvido minha força será sentida e que minha mão nunca deixará de lutar pelas tuas causas, que também são nossas.
Amizade é uma palavra que não tem fronteira, não tem tempo e não tem razão ...
Os caminhos da vida não são os mesmos do coração mas não te esqueças que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Que os teus desejos sejam mais reais e completos que a tua falta, falta que sinto e que sentirei por um bom tempo ...
Nosso rei ainda não tombou, estamos numa partida adiada onde os lances ainda não cessaram e o plano não foi definido.
Amigo, por mais que me sejam caras eu arranco as flores para que leves consigo. São nossas, são fruto daquilo que existe de mais sagrado dentro do espírito dos homens. Devoção. Palavra que é carregada de carinho, de cumplicidade e de respeito. Cercada de humildade, de gratidão e de orgulho pelo que se construiu.
Palavra que alguns guardam apenas ao seu Deus. Para mim as amizades são mais importantes, então não tenho problema em te ofertá-la. Sabes que aquele abraço foi o mais comovido e contido que ambos trocamos. Por que nossas condições psicológicas nos fazem turvar a espontaneidade de nossos corações? Eu queria dizer-te, sem dúvida, que tenho meus joelhos ao solo e os olhos aos céus quando lembro pelo que passamos. As lágrimas ... as lágrimas que nos correm dos olhos nesse momento são guardadas apenas aqueles que podem entrar em nosso jardim, podem tocar em nossos espinhos.
Sabes que onde teu uivo for ouvido minha força será sentida e que minha mão nunca deixará de lutar pelas tuas causas, que também são nossas.
Amizade é uma palavra que não tem fronteira, não tem tempo e não tem razão ...
Os caminhos da vida não são os mesmos do coração mas não te esqueças que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Que os teus desejos sejam mais reais e completos que a tua falta, falta que sinto e que sentirei por um bom tempo ...
Nosso rei ainda não tombou, estamos numa partida adiada onde os lances ainda não cessaram e o plano não foi definido.
sábado, outubro 15, 2005
Espelho de Anjos
Por que insistimos em nos colocar "no lugar dos outros"? Isso é completa insanidade. Nunca conhecemos tanto do outro para que possamos fazer isso sem incorrer em absurdos erros de interpretação. Ver os problemas dos outros com nossos olhos não é "colocar-se no lugar dele". Eu me lembro que na educação católica que recebi isso era muito importante. Era vital perceber o que o outro sentia para poder compreender seus atos. Isso nunca aconteceu e nem vai acontecer. Tem toda uma teologia, ou melhor várias, que há dois mil anos vem tentando entender as razões de um único homem. O que conseguimos com isso? Nada. No afã de entendermos a ele, fizemos guerras, genocídios, destruição. Construímos monumentos, igrejas, santuários e, ainda sim, nada. Se os atos dele, que diga-se de passagem foram muito grandiosos e eloqüentes, não foram compreendidos como podemos ter a pretensão de entender os mais próximos?
Acho que colocar-se no lugar do outro é um ato de burrice e estupidez que nos leva a uma encruzilhada. Ou sentir os problemas do outro pelos nossos olhos. O que não leva a lugar nenhum. Ou sentir os nossos problemas na situação do outro que, também, não nos leva longe.
Pode ser bonito, mas não é factível. Assim cometemos erros e prejudicamos muitas pessoas nesse desejo. Em realidade, a quem mais prejudicamos é a nós mesmos. Sempre, ao tentar entender o outro, já nos colocamos numa posição de aceitação tácita de suas razões e sentimentos. Estamos predispostos a perdoar e entender. Alguns perguntarão: E isso não é bom? Eu digo que não. Como não comprendemos a exatidão do outros, seus motivos e coisas assim, estamos em realidade NOS PERDOANDO. Num evidente processo de auto-piedade. Isso nos conduz à deterioração dos valores, pois o que pode ser feito pelo outro, entendido e perdoado por mim, passa a ser questão simples de instância. E como nos machucamos entendendo o outro. Abrindo exceções. Reiterando perdões. Digo que o outro não se importa com isso. Se assim não o fosse, ele não faria da prmeira vez. Faz buscando o nosso perdão e, como geralmente consegue, torna a fazer. Cansei e espero que tenhamos todos cansado. Proponho uma espécie de "tolerância zero" aos moldes do AA: "Não vou perdoar ninguém só por hoje!".
Acho que isso nos faria muito melhor e deixaria o mundo mais palatável. As pessoas precisam saber que nós sentimos e nos importamos também CONOSCO!
A permissividade travestida de sentimentos como perdão ou acolhimento leva à destruição das almas boas nesse mundo por fadiga psicológica. "Até o perdão cansa de perdoar" dizia o poeta. Se todos nós fizéssemos um movimento "SEM PERDÃO", logo o mundo estaria dividido entre os que sentem e os que abusam. Quem sabe nesse momento podemos nos reunir apenas com os que sentem e queimar em grandes fogueiras os que abusam?
Acho que colocar-se no lugar do outro é um ato de burrice e estupidez que nos leva a uma encruzilhada. Ou sentir os problemas do outro pelos nossos olhos. O que não leva a lugar nenhum. Ou sentir os nossos problemas na situação do outro que, também, não nos leva longe.
Pode ser bonito, mas não é factível. Assim cometemos erros e prejudicamos muitas pessoas nesse desejo. Em realidade, a quem mais prejudicamos é a nós mesmos. Sempre, ao tentar entender o outro, já nos colocamos numa posição de aceitação tácita de suas razões e sentimentos. Estamos predispostos a perdoar e entender. Alguns perguntarão: E isso não é bom? Eu digo que não. Como não comprendemos a exatidão do outros, seus motivos e coisas assim, estamos em realidade NOS PERDOANDO. Num evidente processo de auto-piedade. Isso nos conduz à deterioração dos valores, pois o que pode ser feito pelo outro, entendido e perdoado por mim, passa a ser questão simples de instância. E como nos machucamos entendendo o outro. Abrindo exceções. Reiterando perdões. Digo que o outro não se importa com isso. Se assim não o fosse, ele não faria da prmeira vez. Faz buscando o nosso perdão e, como geralmente consegue, torna a fazer. Cansei e espero que tenhamos todos cansado. Proponho uma espécie de "tolerância zero" aos moldes do AA: "Não vou perdoar ninguém só por hoje!".
Acho que isso nos faria muito melhor e deixaria o mundo mais palatável. As pessoas precisam saber que nós sentimos e nos importamos também CONOSCO!
A permissividade travestida de sentimentos como perdão ou acolhimento leva à destruição das almas boas nesse mundo por fadiga psicológica. "Até o perdão cansa de perdoar" dizia o poeta. Se todos nós fizéssemos um movimento "SEM PERDÃO", logo o mundo estaria dividido entre os que sentem e os que abusam. Quem sabe nesse momento podemos nos reunir apenas com os que sentem e queimar em grandes fogueiras os que abusam?
segunda-feira, outubro 10, 2005
Amos e Escravos
Por princípio eu acho que toda dicotomia é ineficaz como explicação racional de qualquer coisa. A vida é multifacetada e as pessoas também. A miríade de possibilidades que advém daí tornam as coisas muito complexas. Se você ainda puder percerber os pontos de vista de cada um e as diferenças de informação ou cultura então ...
Daí resta-nos a cerveja. Ela têm um poder de tornar as coisas mais claras. Tudo quase preto no branco. Isso acontece porque ela nos entorpece os pensamentos, tornando-os assim menos racionais. Tomar cerveja para tomar uma decisão importante é algo não aconselhável. O homem pode se tornar escravo da cerveja. Como, aliás, de muitas outras coisas.
Pensando nisso pude ver como existem coisas na vida onde somos ao mesmo tempo senhores e escravos. Pensamos que controlamos ou pensamos que somos controlados. Pensamos? Somos? Não?
Vamos começar pelos relacionamentos. Somos senhores ou escravos? E não falo apenas dos amorosos. Falo de todos. Até que ponto controlamos a situação, sendo assim, senhores? Quando nos tornamos escravos, sendo controlados ou levados pela maré? Como se dá essa transição?
Falando de vida profissional. Mesmo sendo um profissional de sucesso e ímpar na sua atividade, quando nos tornamos escravos? Se não do sistema de nossa própria personalidade, como querendo mais do que temos ou ser mais do que podemos? Neuroses da vida moderna ou apenas uma ambição desenfreada por fama e dinheiro? Causas internas do ser humano ou externas do modus vivendi capitalista?
E o destino? Palavra quase insondável e de difícil conceituação. Mas assim como "não há ninguém que explique" também "não há ninguém que não entenda". O destino é de alguma forma decidido externamente a nós? Temos influência? Anos de filosofia e teologia não conseguiram nos colocar um milímetro à frente nessa questão. Olhares e impressões que soam aos corações desesperados mais do que sinos de catedrais em missas dominicais. Têm eles o real poder do convencimento? Podem eles nos oferecer alguma sensata resposta?
Recaímos nos famosos livros de auto-ajuda. Literatura mesquinha de filosofia brega embalada com papel de presente sentimental revelador do inexpugnável mundo do real. Lá encontraremos coisas como: "As respostas estão dentro de você!" ou "Podemos apenas mudar a direção da vela e não do vento". No fundo essas premissas são denunciadoras da falta de capacidade de explicação do homem.
Quando os grilhões de tudo o que nos acorrenta neste mundo puderem ser transformados em rosas para serem entregues aos que verdadeiramente amamos então acho que a questão de sermos ou não escravos estará respondida. Seremos através de uma escolha consciente senhores ou escravos, como mais nos convier. Contudo, quando isso realmente acontecer, estaremos por fim livres ... E a única liberdade verdadeira que esta vida permite é, e sempre será, a morte. Então, nesse momento, do que adiantará o trabalho ou o conhecimento?
Quem souber essa resposta será amo, senhor da condição humana. Será também escravo do peso que ela traz e da responsabilidade de conhecê-la. Não há fuga. Em essência não há diferença substancial.
Daí resta-nos a cerveja. Ela têm um poder de tornar as coisas mais claras. Tudo quase preto no branco. Isso acontece porque ela nos entorpece os pensamentos, tornando-os assim menos racionais. Tomar cerveja para tomar uma decisão importante é algo não aconselhável. O homem pode se tornar escravo da cerveja. Como, aliás, de muitas outras coisas.
Pensando nisso pude ver como existem coisas na vida onde somos ao mesmo tempo senhores e escravos. Pensamos que controlamos ou pensamos que somos controlados. Pensamos? Somos? Não?
Vamos começar pelos relacionamentos. Somos senhores ou escravos? E não falo apenas dos amorosos. Falo de todos. Até que ponto controlamos a situação, sendo assim, senhores? Quando nos tornamos escravos, sendo controlados ou levados pela maré? Como se dá essa transição?
Falando de vida profissional. Mesmo sendo um profissional de sucesso e ímpar na sua atividade, quando nos tornamos escravos? Se não do sistema de nossa própria personalidade, como querendo mais do que temos ou ser mais do que podemos? Neuroses da vida moderna ou apenas uma ambição desenfreada por fama e dinheiro? Causas internas do ser humano ou externas do modus vivendi capitalista?
E o destino? Palavra quase insondável e de difícil conceituação. Mas assim como "não há ninguém que explique" também "não há ninguém que não entenda". O destino é de alguma forma decidido externamente a nós? Temos influência? Anos de filosofia e teologia não conseguiram nos colocar um milímetro à frente nessa questão. Olhares e impressões que soam aos corações desesperados mais do que sinos de catedrais em missas dominicais. Têm eles o real poder do convencimento? Podem eles nos oferecer alguma sensata resposta?
Recaímos nos famosos livros de auto-ajuda. Literatura mesquinha de filosofia brega embalada com papel de presente sentimental revelador do inexpugnável mundo do real. Lá encontraremos coisas como: "As respostas estão dentro de você!" ou "Podemos apenas mudar a direção da vela e não do vento". No fundo essas premissas são denunciadoras da falta de capacidade de explicação do homem.
Quando os grilhões de tudo o que nos acorrenta neste mundo puderem ser transformados em rosas para serem entregues aos que verdadeiramente amamos então acho que a questão de sermos ou não escravos estará respondida. Seremos através de uma escolha consciente senhores ou escravos, como mais nos convier. Contudo, quando isso realmente acontecer, estaremos por fim livres ... E a única liberdade verdadeira que esta vida permite é, e sempre será, a morte. Então, nesse momento, do que adiantará o trabalho ou o conhecimento?
Quem souber essa resposta será amo, senhor da condição humana. Será também escravo do peso que ela traz e da responsabilidade de conhecê-la. Não há fuga. Em essência não há diferença substancial.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Eu sou eu, e você?
Será que se o meu time fizer gol eu vou ter que pagar algum imposto?
Se sim, pago para quem? É imposto ou contribuição?
Será que vão abrir uma CPI para o problema dos árbitros no brasileirão?
Se sim, qual tem maior chance de acabar em pizza? A do congresso ou a do gramado?
Será que os EUA vão ser atacados por mais furacões?
Se sim, quais pobres de quais cidades serão dizimados?
Será que o Lula tenta a reeleição?
Se sim, com qual plataforma? A nova da Grandene ou a antiga que não funciona mais?
Será que vamos ver o milagre do crescimento?
Se sim, quem será o autor do feito? São Sebastião ou São Palocci?
Será que "Os dois filhos de Francisco" vai ser indicado para o Oscar?
Se sim, o que falta ainda para o dinheiro comprar? Nossa paciência, nosso silêncio ou nossa revolta?
Ando muito existencialista ...
Se sim, pago para quem? É imposto ou contribuição?
Será que vão abrir uma CPI para o problema dos árbitros no brasileirão?
Se sim, qual tem maior chance de acabar em pizza? A do congresso ou a do gramado?
Será que os EUA vão ser atacados por mais furacões?
Se sim, quais pobres de quais cidades serão dizimados?
Será que o Lula tenta a reeleição?
Se sim, com qual plataforma? A nova da Grandene ou a antiga que não funciona mais?
Será que vamos ver o milagre do crescimento?
Se sim, quem será o autor do feito? São Sebastião ou São Palocci?
Será que "Os dois filhos de Francisco" vai ser indicado para o Oscar?
Se sim, o que falta ainda para o dinheiro comprar? Nossa paciência, nosso silêncio ou nossa revolta?
Ando muito existencialista ...
"Eita"!
Comer farofa ...
Assoviando (ou seria assobiando?) ...
Tocando flauta ...
Num pé só ...
Jogando "Três Marias" ...
Lendo Sartre ...
Ouvindo Vinícius ...
Comendo quindim ...
Xingando o cachorro ...
Digitando post ...
Fugindo de dívida ...
Correndo atrás de algo e de alguém ...
Estudando muito ...
Assistindo jornais ...
Torcendo para o meu time ...
Acha que não dá para fazer tudo ao mesmo tempo?
Ah! Vem viver um pouquinho da minha vida vem ... e se vier, me avisa que eu quero tirar férias!
Eu topo qualquer outro trabalho. Por uma semana. Sol e água fresca ... só isso.
Assoviando (ou seria assobiando?) ...
Tocando flauta ...
Num pé só ...
Jogando "Três Marias" ...
Lendo Sartre ...
Ouvindo Vinícius ...
Comendo quindim ...
Xingando o cachorro ...
Digitando post ...
Fugindo de dívida ...
Correndo atrás de algo e de alguém ...
Estudando muito ...
Assistindo jornais ...
Torcendo para o meu time ...
Acha que não dá para fazer tudo ao mesmo tempo?
Ah! Vem viver um pouquinho da minha vida vem ... e se vier, me avisa que eu quero tirar férias!
Eu topo qualquer outro trabalho. Por uma semana. Sol e água fresca ... só isso.
terça-feira, outubro 04, 2005
Sê-lo ou não sê-lo ...
A vida moderna têm muitas peculiaridades. Celular é item de primeira necessidade mas teatro é luxo. Academia e leitura são formas de diferenciação social. Academia "para mais" e leitura "para menos". Maconha é "cool" e Marx é antiquado. Avril Lavigne e Eminem são "in" Frank Sinatra e Aretta Franklin são "out". Elis só é Elis por causa da Maria Rita. Corrupção é normal mas meninos de rua é absurdo. Camisinha só no carnaval, ao menos para o governo. O jornal sempre fala a verdade e a propaganda sempre mente. Carinho é só para poucas pessoas, e-mail chato, para toda a lista. Modelo é artista, mas já não temos mais artistas que sejam modelo de algo. Talento se fabrica ainda que todos iguais. Não existem mais duplas sertanejas, agora são famílias inteiras. Grupos de pagode fazem cissiparidade e continuam a vender como se estivessem juntos. Furacões acontecem nos EUA ... e no RS, SC e PR. Ser prático é bom ser imaginativo é loucura. Quem trabalha morre de fome, quem rouba morre de rir. Cada vez sobra mais mês no fim do salário. A visão que se tem sobre um problema é mais importante que sua solução. Olhem as CPI's ...
Hoje eu abri minha caixa de correio e pensei que podemos medir o nível de felicidade das pessoas pela correspondência que recebem. Assim cartas grandes e brancas não são legais. Cartas pequeninas e meio acinzentadas são menos ainda. Cartas coloridas e abertas são chatas. Cartas gordas causam muita dor de cabeça. Cartas fininhas e grandes são para serem entregues a seus advogados. Cartas de amor não existem mais. Cartas com dinheiro nem se fala ... Notícias boas não vêm por carta. Então, na realidade uma caixa de correspondência de alguém feliz é uma caixa de correspondência vazia. Sem contas, sem propaganda, sem avisos de corte, avisos de inclusão em qualquer coisa, sem informes corporativos. Coloquei durepoxi na minha caixa de correio. Vou colocar proteção elétrica nela. Ao menos vou me sentir melhor, mais feliz. Não é isso que importa? Pensamento positivo? O que os olhos não veêm o coração não sente?
Vamos tentar, mas se não der ... "Ao vencedor as batatas!"
Hoje eu abri minha caixa de correio e pensei que podemos medir o nível de felicidade das pessoas pela correspondência que recebem. Assim cartas grandes e brancas não são legais. Cartas pequeninas e meio acinzentadas são menos ainda. Cartas coloridas e abertas são chatas. Cartas gordas causam muita dor de cabeça. Cartas fininhas e grandes são para serem entregues a seus advogados. Cartas de amor não existem mais. Cartas com dinheiro nem se fala ... Notícias boas não vêm por carta. Então, na realidade uma caixa de correspondência de alguém feliz é uma caixa de correspondência vazia. Sem contas, sem propaganda, sem avisos de corte, avisos de inclusão em qualquer coisa, sem informes corporativos. Coloquei durepoxi na minha caixa de correio. Vou colocar proteção elétrica nela. Ao menos vou me sentir melhor, mais feliz. Não é isso que importa? Pensamento positivo? O que os olhos não veêm o coração não sente?
Vamos tentar, mas se não der ... "Ao vencedor as batatas!"
sábado, outubro 01, 2005
O dobro ou nada
O ano começa a descer a ladeira. Como os antigos carrinhos de rolimã. A gente passava boa parte da tarde construindo as geringonças. Lugar para sentar com conforto. Ao menos todo o que uma tábua de madeira podia permitir. O enquadramento perfeito do peso com as quatro rodinhas. Ao menos a perfeição que garotos e não engenheiros conseguiam. Cada rolamento era estudado, pequeno mas resistente. Rápido. Prata, os melhores tinham cor de prata e eram polidos até ficarem reluzentes. Tinha que ter um certo jogo de peso para que o simples movimentar do corpo pudesse manejar o "veículo" um pouco para um lado ou para outro. Isso era importante para escapar de buracos ou tentar pegar os gatos da vizinhança. Atropelar um gato com carrinho era um feito, os bichanos normalmente conseguiam se safar. Isso dava graça. A fuga desesperada do gato com cara de quem viu fantasma e a risada da galera. Bem, mas o ano embalou, lomba a baixo. "E agora José?" Seus rolimãs estão no lugar? O carrinho tem estabilidade? Você está confortável em cima dele?
Como nós na época dos carrinhos, o freio era o último a ser pensado. Ruim e nunca conseguia parar o bólido. O ano não tem mais freio. Agora é só saber se desce ou se estatela lá em baixo. Confie no trabalho para construir o carro e na sua habilidade de trocar o lado do peso para escapar dos "probleminhas". Agora sobra só isso.
Nos vemos lá em baixo, ok?
Aliás, cuidado com os gatos, eles dão azar.
Como nós na época dos carrinhos, o freio era o último a ser pensado. Ruim e nunca conseguia parar o bólido. O ano não tem mais freio. Agora é só saber se desce ou se estatela lá em baixo. Confie no trabalho para construir o carro e na sua habilidade de trocar o lado do peso para escapar dos "probleminhas". Agora sobra só isso.
Nos vemos lá em baixo, ok?
Aliás, cuidado com os gatos, eles dão azar.
quinta-feira, setembro 29, 2005
Castelos de Areia
Estava eu a pé voltando do trabalho e aproveitando um dia maravilhoso se terminava os seus agradecimentos num final de tarde não menos exuberante. Fitava o horizonte esperando o aconchego do sol, aquele momento mágico que nos faz pensar em tudo como se o tudo fosse apenas aquele momento. O vento batia em meu rosto jogando meus cabelos para trás e, por um momento, eu me abstraí do movimento urbano caótico que me cercava. Imaginei-me numa praia com aquele clima, aquele vento, aquele horizonte. A fantasia foi tão forte que eu pude sentir a areia em meus pés. Aquela sensação indescritível ...
Mais algumas ondas quebrando sobre meus pés e, de sopetão, uma buzina. Mar não buzina e siri não faz aquele barulho. O sonho esvaneceu-se sobre meus pés e levou inclusive a areia. Nestes momentos perguntamos "Será que foi só isso que a vida me reservou?". Sonhos dourados de uma existência pacata, com a felicidade me cercando por todos os lados e a compleição me ungindo com mais alegria. Às vezes penso que sou um indivíduo condenado a levantar bandeiras por toda a eternidade. A lutar sem tréguas batalhas muito grandes, todos os dias. Chega um tempo que, mesmo com vitórias e reconhecimento, os guerreiros querem virar camponeses. Tenho pensado muito sobre esse momento.
Se, porventura não todos, quantos de nós já não nos perguntamos isso?
Pensei que a pergunta correta não é sobre o que a vida me reservou e sim o que de mim eu reservei para minha vida.
Quero sentar com minha pazinha e meu baldinho e brincar na praia ...
Mais algumas ondas quebrando sobre meus pés e, de sopetão, uma buzina. Mar não buzina e siri não faz aquele barulho. O sonho esvaneceu-se sobre meus pés e levou inclusive a areia. Nestes momentos perguntamos "Será que foi só isso que a vida me reservou?". Sonhos dourados de uma existência pacata, com a felicidade me cercando por todos os lados e a compleição me ungindo com mais alegria. Às vezes penso que sou um indivíduo condenado a levantar bandeiras por toda a eternidade. A lutar sem tréguas batalhas muito grandes, todos os dias. Chega um tempo que, mesmo com vitórias e reconhecimento, os guerreiros querem virar camponeses. Tenho pensado muito sobre esse momento.
Se, porventura não todos, quantos de nós já não nos perguntamos isso?
Pensei que a pergunta correta não é sobre o que a vida me reservou e sim o que de mim eu reservei para minha vida.
Quero sentar com minha pazinha e meu baldinho e brincar na praia ...
terça-feira, setembro 27, 2005
Billy the kid
Vamos criar celeuma. VOTE SIM AO DESARMAMENTO!
É um absurdo que tenhamos que nos render aos argumentos de uma massa de pessoas que acha que ainda estamos na Idade Média. Lá, por volta dos séculos V ao XV, as coisas eram resolvidas com uma maça na mão. Sim, uma maça! Aquele delicado instrumento com uma imensa haste de metal e na ponta uma bola de uns oito kilogramas toda cheia de pontas de ferro. Hoje a coisa é bem mais civilizada. Usamos armas de fogo. Somos um primor de primatas. E tem gente que defende isso. Claro incentivadas por um lobby de empresas que vendem munição e armas e que reconhecem que isso é muito lucrativo. Países de terceiro mundo e ainda com a violência urbana em alta são o alvo preferencial destas empresas. Voilá Brèsil!
Existem alguns estudos sociológicos que as pessoas precisam saber.
Em primeiro lugar, demonstra-se que quase 80% (!) das armas aprendidas na mão dos meliantes tem registro. Ou seja, são armas que foram roubadas ou tomadas quando de assaltos e mesmo foram objeto de ações diretas contra delegacias.
Em segundo lugar, os estudos mostram que existe 30% de chance de você sofrer mais violência quando o bandido descobre a sua intenção de matá-lo. Trocando em miúdos, você tem mais chance de ser morto se estiver armado na hora de um assalto.
Em terceiro lugar, mais de 90% das pessoas que portam armas não têm condições técnicas para dar um tiro sem colocar em risco a vida de várias pessoas, inclusive a própria. Sem falar na condição psicológica. Existem muitos treinamentos sérios para o uso de arma e toda pessoa que passou por isso é bem clara em dizer que, apesar de todos os exercícios, elas, muitas vezes, não se sentem em condições de resolver no tiro. Eu já vi oficiais do exército ou da polícia apanharem de soco e não sacarem suas armas. Corretíssimos eles. Mas ninguém mais faz ... Isso é um perigo. Em quarto lugar, quase 50% dos acidentes com armas de fogo ocorrem dentro de casa. Com crianças e são fatais. Ter arma é ter uma preocupação a mais. Os bandidos vão assaltar do mesmo jeito mas você ainda tem que cuidar para o seu filho ou filha não pegar o abjeto objeto e sair brincando de mocinho e bandido. Tem que cuidar para que os seus nervos não sejam o ponto de partida da alma de sua família. Existem inúmeros relatos de pais que matam filhos à noite, pensando que eram invasores.
O argumento de que os bandidos se armam é ridículo. Um erro não justifica o outro. Desarmar bandidos é atribuição do Estado e não da sociedade. Deve haver uma forte pressão no sentido de o Estado assumir suas funções, mas você não pede para o faxineiro fazer uma operação cardíaca porque o médico não chegou ...
Depois, ninguém aqui é muito bom no gatilho para que possa justificar sua segurança com uma arma. Se for vai para a polícia, estara ajudando muito mais lá. Quem se sente mais seguro com uma arma deve fazer é terapia. Porque não sabe nem onde está se metendo. A maioria das pessoas que defendem o uso de arma, nunca estiveram em uma situação para usá-la e a maioria das que defendem o desarmamento constantemente vivem uma. É simples a escolha. O não ao desarmamento é fruto de uma visão romântica dos filmes de ação e totalmente amedrontada com relação à nossa sociedade. É como uma mistura de "Rambo" com "Quanto mais idiota melhor". Agora imagine muitas dessas misturas andando soltas pelo mundo.
É um absurdo que tenhamos que nos render aos argumentos de uma massa de pessoas que acha que ainda estamos na Idade Média. Lá, por volta dos séculos V ao XV, as coisas eram resolvidas com uma maça na mão. Sim, uma maça! Aquele delicado instrumento com uma imensa haste de metal e na ponta uma bola de uns oito kilogramas toda cheia de pontas de ferro. Hoje a coisa é bem mais civilizada. Usamos armas de fogo. Somos um primor de primatas. E tem gente que defende isso. Claro incentivadas por um lobby de empresas que vendem munição e armas e que reconhecem que isso é muito lucrativo. Países de terceiro mundo e ainda com a violência urbana em alta são o alvo preferencial destas empresas. Voilá Brèsil!
Existem alguns estudos sociológicos que as pessoas precisam saber.
Em primeiro lugar, demonstra-se que quase 80% (!) das armas aprendidas na mão dos meliantes tem registro. Ou seja, são armas que foram roubadas ou tomadas quando de assaltos e mesmo foram objeto de ações diretas contra delegacias.
Em segundo lugar, os estudos mostram que existe 30% de chance de você sofrer mais violência quando o bandido descobre a sua intenção de matá-lo. Trocando em miúdos, você tem mais chance de ser morto se estiver armado na hora de um assalto.
Em terceiro lugar, mais de 90% das pessoas que portam armas não têm condições técnicas para dar um tiro sem colocar em risco a vida de várias pessoas, inclusive a própria. Sem falar na condição psicológica. Existem muitos treinamentos sérios para o uso de arma e toda pessoa que passou por isso é bem clara em dizer que, apesar de todos os exercícios, elas, muitas vezes, não se sentem em condições de resolver no tiro. Eu já vi oficiais do exército ou da polícia apanharem de soco e não sacarem suas armas. Corretíssimos eles. Mas ninguém mais faz ... Isso é um perigo. Em quarto lugar, quase 50% dos acidentes com armas de fogo ocorrem dentro de casa. Com crianças e são fatais. Ter arma é ter uma preocupação a mais. Os bandidos vão assaltar do mesmo jeito mas você ainda tem que cuidar para o seu filho ou filha não pegar o abjeto objeto e sair brincando de mocinho e bandido. Tem que cuidar para que os seus nervos não sejam o ponto de partida da alma de sua família. Existem inúmeros relatos de pais que matam filhos à noite, pensando que eram invasores.
O argumento de que os bandidos se armam é ridículo. Um erro não justifica o outro. Desarmar bandidos é atribuição do Estado e não da sociedade. Deve haver uma forte pressão no sentido de o Estado assumir suas funções, mas você não pede para o faxineiro fazer uma operação cardíaca porque o médico não chegou ...
Depois, ninguém aqui é muito bom no gatilho para que possa justificar sua segurança com uma arma. Se for vai para a polícia, estara ajudando muito mais lá. Quem se sente mais seguro com uma arma deve fazer é terapia. Porque não sabe nem onde está se metendo. A maioria das pessoas que defendem o uso de arma, nunca estiveram em uma situação para usá-la e a maioria das que defendem o desarmamento constantemente vivem uma. É simples a escolha. O não ao desarmamento é fruto de uma visão romântica dos filmes de ação e totalmente amedrontada com relação à nossa sociedade. É como uma mistura de "Rambo" com "Quanto mais idiota melhor". Agora imagine muitas dessas misturas andando soltas pelo mundo.
Honolulu
Têm dias que não queremos sombra nem água fresca. Contudo, a cultura deste país parece apontar para a imaturidade profissional como regra de conduta. Não ser visto quando o chefe não está e ser notado por sua simpatia e eficiência quando ele está. Eu aprendi que a maturidade se adquire quando se faz qualquer coisa bem feita simplesmente pelo fato de você estar fazendo-a. Indiferente ao controle externo. Tudo o que leva o seu nome deve, necessariamente, ser bem feito.
Quem gosta de praia é surfista, que também, quando são maduros, gostam de fazer as coisas bem feitas. Muito mais aprazíveis que uma boa quantidade de pseudo-profissionais. Essa cultura do "deixa-prá-lá" apenas faz com que este país entre no status de amadorismo até naquilo que, teoricamente, faria bem. Exceções existem, graças a Deus. Essas exceções acabam virando um modelo de sucesso quando, em outros países, seriam coisas normais. Normalíssimas.
Onde compro água-de-côco? Parece que é só isso que me resta ...
Quem gosta de praia é surfista, que também, quando são maduros, gostam de fazer as coisas bem feitas. Muito mais aprazíveis que uma boa quantidade de pseudo-profissionais. Essa cultura do "deixa-prá-lá" apenas faz com que este país entre no status de amadorismo até naquilo que, teoricamente, faria bem. Exceções existem, graças a Deus. Essas exceções acabam virando um modelo de sucesso quando, em outros países, seriam coisas normais. Normalíssimas.
Onde compro água-de-côco? Parece que é só isso que me resta ...
Até a borda
"Têm dias e dias ..."
Frase clássica dentro do discurso nada-a-ver-mas-mantendo-conversa-boba-com-pessoa-chata. É o mesmo que "É a vida ...". Também serve e tem um efeito muito parecido. Aquele "ahán!" no telefone é a mesma coisa. O problema é que muitas vezes isso transborda. A capacidade nossa de aceitar esses dribles e manter uma espécie de pseudo-amizade é finita. Tem dias que até vai, mas outros onde a vontade de falar sobrepassa a vontade de ser ignorado, aí somos "chatos". O chato é uma pessoa onde os níveis de carência são maiores que o comum dos carentes. Ou seja um super-carente. Quando um super-carente acaba caindo nas armadilhas da vida urbana e moderna, como a solidão, por exemplo, temos um super-chato. Bom, por mais que a gente queira este indivíduo não fará a vida de ninguém fácil, a menos que façam a vida dele melhor. Muito melhor. Resta-nos então entender essas pessoas e tentar, na medida do nosso possível, melhorar a condição de existência desta alma. Isso se faz mais com atenção que com desprezo, com conversa do que com despiste, com apoio do que com desdém. Usas estas expressões segura-que-não-estou-nem-aí, exemplificadas no texto, apenas deixará tudo mais complicado. O chato (ou super-chato dependendo da mutação do momento) não desgrudará transformando-se num super-chato-chiclete. Agora somente um revólver resolve. Não no chato que é crime. Chaticídio. Em você mesmo, por não saber lidar com as pessoas. Aquelas pessoas que vivem reclamando que são "pára-chatos" realmente tem um problema com sua afetividade. Não sabem compartilhar aquilo que é mais importante para a humanidade. Não sabem dividir vida e sentimentos. E ainda se apresentam como salvadores de chatos. Então, quando estas sofridas criaturas grudarem em você, saiba que querem algo palpável e não uma série de conversas desconexas e sem sentido. Delimite tempo com ele, diga que tem que sair ou qualquer coisa que o valha, e durante o tempo delimitado seja o melhor amigo do mundo. Muitas vezes chatice não é uma condição per se do indivíduo e sim uma situação pontualmente marcada. Pode, portanto, ser resolvida. Boa vontade e um pouco de tempo são a chave para isso. Nunca diga "desta água não beberei" porque você, com certeza, será um chato um dia (ou vários dependendo do tamanho do "pé") e, por mais incrível que possa parecer, os chatos tem uma memória muito boa. Ou seja, você receberá de volta aquilo que tiver ofertado a um chato. E estes são, quase sempre, muito fiéis e fidedignos em suas ações. Cerveja está proibido. Chato bêbado é quase uma redundância e a possibilidade de virar um super-chato-bêbado-chiclete é assustadora. Pior que isso só se você virasse presidente de uma super-potência no planeta e fosse totalmente desqualificado para o cargo.
Frase clássica dentro do discurso nada-a-ver-mas-mantendo-conversa-boba-com-pessoa-chata. É o mesmo que "É a vida ...". Também serve e tem um efeito muito parecido. Aquele "ahán!" no telefone é a mesma coisa. O problema é que muitas vezes isso transborda. A capacidade nossa de aceitar esses dribles e manter uma espécie de pseudo-amizade é finita. Tem dias que até vai, mas outros onde a vontade de falar sobrepassa a vontade de ser ignorado, aí somos "chatos". O chato é uma pessoa onde os níveis de carência são maiores que o comum dos carentes. Ou seja um super-carente. Quando um super-carente acaba caindo nas armadilhas da vida urbana e moderna, como a solidão, por exemplo, temos um super-chato. Bom, por mais que a gente queira este indivíduo não fará a vida de ninguém fácil, a menos que façam a vida dele melhor. Muito melhor. Resta-nos então entender essas pessoas e tentar, na medida do nosso possível, melhorar a condição de existência desta alma. Isso se faz mais com atenção que com desprezo, com conversa do que com despiste, com apoio do que com desdém. Usas estas expressões segura-que-não-estou-nem-aí, exemplificadas no texto, apenas deixará tudo mais complicado. O chato (ou super-chato dependendo da mutação do momento) não desgrudará transformando-se num super-chato-chiclete. Agora somente um revólver resolve. Não no chato que é crime. Chaticídio. Em você mesmo, por não saber lidar com as pessoas. Aquelas pessoas que vivem reclamando que são "pára-chatos" realmente tem um problema com sua afetividade. Não sabem compartilhar aquilo que é mais importante para a humanidade. Não sabem dividir vida e sentimentos. E ainda se apresentam como salvadores de chatos. Então, quando estas sofridas criaturas grudarem em você, saiba que querem algo palpável e não uma série de conversas desconexas e sem sentido. Delimite tempo com ele, diga que tem que sair ou qualquer coisa que o valha, e durante o tempo delimitado seja o melhor amigo do mundo. Muitas vezes chatice não é uma condição per se do indivíduo e sim uma situação pontualmente marcada. Pode, portanto, ser resolvida. Boa vontade e um pouco de tempo são a chave para isso. Nunca diga "desta água não beberei" porque você, com certeza, será um chato um dia (ou vários dependendo do tamanho do "pé") e, por mais incrível que possa parecer, os chatos tem uma memória muito boa. Ou seja, você receberá de volta aquilo que tiver ofertado a um chato. E estes são, quase sempre, muito fiéis e fidedignos em suas ações. Cerveja está proibido. Chato bêbado é quase uma redundância e a possibilidade de virar um super-chato-bêbado-chiclete é assustadora. Pior que isso só se você virasse presidente de uma super-potência no planeta e fosse totalmente desqualificado para o cargo.
sábado, setembro 24, 2005
Arco-Íris
Podemos escrever apenas o necessário. Nada mais. Esse foi o combinado. Assunto? Branco. Existe algo mais "clean"?
Branco era ruim. Lembrava injeção. Lembrava aviso de mãe: "Não suja não!". Branco protegia branco, sorriso.
Depois passou a lembrar crayon, hidrocor e felicidade. Guache ou massinha por sobre. Branco era melhor que vermelho ou verde, ao menos na comida. Branco e amarelo no céu combinavam com verde na terra ou azul na praia.
Mais adiante, branco lembrava medo. Branco com ponto de interrogação era fatal. O amarelo, o azul e o verde escapavam janeiro a fora. Se, com interrogação, branco viesse, em branco ficaria até março. Vermelho de raiva ou verde de vergonha.
Branco com cinza no céu ... hum, dava transparente, na rua. Em branco não passava. Nem o branco dos olhos, nem o branco da pele. Branco também lembrava tubo. Tubo branco que em branca pele protegia do amarelo. Aquele ali no azul. Bom colocar a mão no branco e na branca. Espalhar bem para não ficar vermelho.
Branco passou a dizer: "Cheguei!". No escuro, quase tudo preto, poucos gostavam de branco. Agora o medo era dar branco quando deveria dar presente. Complicado. Branco vinha acompanhado de bronca. Não tinha jeito. Branco também era sonho. Sonho de amor com branco, preto, arroz e "Sim! eu aceito". Outro sonho branco era jaleco. De curar, de ensinar ou de voar. Branco com capacete. Lá longe, tentando achar o amarelo e o azul. Aqueles mesmos ... Branco cada vez mais sonho.
Teve gente que se perdeu no branco. Não branco no azul e no amarelo, mas branco que mata. Aos pouquinhos. Insistiam em sentir o perfume do branco. Perfume de morte embalado em sonho branco. Muita gente nunca voltou deste branco. Gente que entrou numa tranca, porque diziam que só levavam o branco. Não sei. Triste branco.
De repente um branco que enrola um rosinha, quase choro. Pelo branco não mas pelo rosinha que chora. Noites em branco. Olhando e cuidando para o rosinha não ficar branco. Cuidando para não ficar azul, vermelho nem verde. Rosa, não pode outra cor. Senão corre e chama outro branco, o do negócio preto no pescoço. Aquele que manda dizer "ahhh!".
Agora medo é do branco no banco. Passa finais de semana em branco, longe do bando, para evitar o banco. Medo. Rosinha já deixou o branco. Usa todas as cores, mas reluz lindamente ao branco dos meus olhos. Medo de passar em branco. Agora o branco dos olhos do que fora rosa não entendem o branco dos olhos meus. Bronca certa. De novo, vermelho de raiva.
Branco onde antes era preto. Começa aos poucos. Fio ante fio. Primeiro disfarça, compra preto. Passa. Depois aceita, engana que branco realça o verde. Olho.
Agora que branco voltou. Não dá para negar. Quero mais branco. Chega de cores. Cansado. Se passar em branco, ninguém reclamará. O branco carrega o peso das outras cores. Agora deixam-me em meu branco. Mal-de-branco. Agora dá sempre branco. Com tudo, com todos. Nem os que rosa foram, envoltos nos meus brancos, conseguem me ver longe do branco. Não adianta o vermelho de raiva nem o verde de vergonha.
Os brancos esperam pelo preto. Definitivo. Sonham encontrar tudo branco com um senhor de branco e com asas brancas. Sonho branco que desfarça o medo do preto. Branco agora pesa. Tem todas as cores. Passado passou. Agora último branco ... dos olhos dos que rosa foram, envoltos em lágrimas que levarei para o branco. Ali perto do azul e do amarelo. Um último pedido? Chega de branco. Quero todas as cores sobre mim. Do Azul ao Carmim, todas. Esparramadas enquanto embarco quem sabe para onde? Quem sabe com quem? Sei apenas o porquê: porque sim!
Branco era ruim. Lembrava injeção. Lembrava aviso de mãe: "Não suja não!". Branco protegia branco, sorriso.
Depois passou a lembrar crayon, hidrocor e felicidade. Guache ou massinha por sobre. Branco era melhor que vermelho ou verde, ao menos na comida. Branco e amarelo no céu combinavam com verde na terra ou azul na praia.
Mais adiante, branco lembrava medo. Branco com ponto de interrogação era fatal. O amarelo, o azul e o verde escapavam janeiro a fora. Se, com interrogação, branco viesse, em branco ficaria até março. Vermelho de raiva ou verde de vergonha.
Branco com cinza no céu ... hum, dava transparente, na rua. Em branco não passava. Nem o branco dos olhos, nem o branco da pele. Branco também lembrava tubo. Tubo branco que em branca pele protegia do amarelo. Aquele ali no azul. Bom colocar a mão no branco e na branca. Espalhar bem para não ficar vermelho.
Branco passou a dizer: "Cheguei!". No escuro, quase tudo preto, poucos gostavam de branco. Agora o medo era dar branco quando deveria dar presente. Complicado. Branco vinha acompanhado de bronca. Não tinha jeito. Branco também era sonho. Sonho de amor com branco, preto, arroz e "Sim! eu aceito". Outro sonho branco era jaleco. De curar, de ensinar ou de voar. Branco com capacete. Lá longe, tentando achar o amarelo e o azul. Aqueles mesmos ... Branco cada vez mais sonho.
Teve gente que se perdeu no branco. Não branco no azul e no amarelo, mas branco que mata. Aos pouquinhos. Insistiam em sentir o perfume do branco. Perfume de morte embalado em sonho branco. Muita gente nunca voltou deste branco. Gente que entrou numa tranca, porque diziam que só levavam o branco. Não sei. Triste branco.
De repente um branco que enrola um rosinha, quase choro. Pelo branco não mas pelo rosinha que chora. Noites em branco. Olhando e cuidando para o rosinha não ficar branco. Cuidando para não ficar azul, vermelho nem verde. Rosa, não pode outra cor. Senão corre e chama outro branco, o do negócio preto no pescoço. Aquele que manda dizer "ahhh!".
Agora medo é do branco no banco. Passa finais de semana em branco, longe do bando, para evitar o banco. Medo. Rosinha já deixou o branco. Usa todas as cores, mas reluz lindamente ao branco dos meus olhos. Medo de passar em branco. Agora o branco dos olhos do que fora rosa não entendem o branco dos olhos meus. Bronca certa. De novo, vermelho de raiva.
Branco onde antes era preto. Começa aos poucos. Fio ante fio. Primeiro disfarça, compra preto. Passa. Depois aceita, engana que branco realça o verde. Olho.
Agora que branco voltou. Não dá para negar. Quero mais branco. Chega de cores. Cansado. Se passar em branco, ninguém reclamará. O branco carrega o peso das outras cores. Agora deixam-me em meu branco. Mal-de-branco. Agora dá sempre branco. Com tudo, com todos. Nem os que rosa foram, envoltos nos meus brancos, conseguem me ver longe do branco. Não adianta o vermelho de raiva nem o verde de vergonha.
Os brancos esperam pelo preto. Definitivo. Sonham encontrar tudo branco com um senhor de branco e com asas brancas. Sonho branco que desfarça o medo do preto. Branco agora pesa. Tem todas as cores. Passado passou. Agora último branco ... dos olhos dos que rosa foram, envoltos em lágrimas que levarei para o branco. Ali perto do azul e do amarelo. Um último pedido? Chega de branco. Quero todas as cores sobre mim. Do Azul ao Carmim, todas. Esparramadas enquanto embarco quem sabe para onde? Quem sabe com quem? Sei apenas o porquê: porque sim!
Ecos e reflexos
Que somos um amontoado de experiências disformes e conjecturas desancadas entrelaçadas, mal e porcamente, por uma coisa chamada tempo, é certo. Que este tempo é construído através do pesar dos segundos sobre o penar dos nossos ombros, também. Mas existem coisas que nos são proferidas e que tem o poder patológico de penetrar nas experiências e afetar as conjecturas de uma forma que o tempo apenas poderá diluir, embora jamais purificar. Não são palavras, são adagas que te corroem a alma e alcançam tua tez, fazendo com que este ser humano, construído sobre sólidos alicerces, torne-se um amontoado desancado de revolta e raiva. Como isso é possível? Porque, de alguma forma, somos feitos de espaços que, ao não serem preenchidos, nos fazem parecer um Empire State sobre dois cavaletes. Quem nos ama, conhece nossas fraquezas e reconhece esses espaços sem dono nem razão. Atingí-los não é problema. Por isso somos vulneráveis no amor. Quem não nos conhece tenta, desatinadamente, através de saraivadas de impropérios atingir as vulnerabilidades. Às vezes acertam. E só Deus sabe o esforço que é conter o grito dentro de nossos lábios e as chamas dentro de nossos olhos. Corrosão de indignação e explosão de revolta contidas pela vontade de não permitir mais dor. Apenas lembre que toda busca desenfreada por fragilidades com o intuito da agressão obedece ao padrão psicológico reconhecido pelo agressor. Em realidade, o agressor sempre procura atacar com aquilo que ele julga mais violento. Ele ataca com a sua dor. Com as suas experiências. Com as próprias chagas. Isso não diminui nossa dor, mas pode oferecer uma maravilhosa linha de compreensão e contraposição. Apenas saiba que a diferença entre a vespa e a rosa não é a dor, e sim a natureza da picada.
quarta-feira, setembro 21, 2005
Baboseiras
Depois de me achar por demais profundo e tautológico eu resolvi escrever sobre bobagens. Não sobre política interna brasileira, nem sobre política externa americana que são bobagens muito grandes. Não podia ser sobre fidelidade masculina nem sobre idiossincrasias femininas, que não terminaríamos de escrever de tanta bobagem. Não podia ser sobre fatalidades sexuais dos homens e nem sobre rompantes sentimentais de mulheres. Nada sobre a pobreza de espírito da elite ou sobre a solidariedade do povo. Assim, pensei em escrever sobre o porquê a grama cresce. Um tema muito recorrente nos pensamentos dos completamente sem nada para fazer ou pensar. Definitivamente, essa não é minha condição atual, mas pode servir como um excelente exercício. Então vamos à pergunta: Porquê a grama cresce?
O biológo - A grama cresce porque é um ser autótrofo e depende apenas de luz solar, água e poucos nutrientes para reproduzir-se e ser utllizada como alimento para uma vasta cadeia de animais. Mantendo ascendente o fluxo de energia nos níveis tróficos.
O psicólogo - A grama cresce em função da punção de vida que existe em demasia fazendo com que o ser, no caso a grama, projete o seu interesse de existir, no sentido kantiano, acima de morrer, no sentido sartriano.
O advogado - Não há lei que proíba o crescimento mas, em caso de estar incomodando podemos tentar processar por dano moral, na medida que esses indivíduos normalmente escondem muitos cocôs que acabamos por pisar.
O engenheiro - Cresce porque a área lhe permite na mesma proporção que a energia depositada pelo sol pode ser reconfigurada em matéria orgânica onde podemos inclusive medir a massa. Mas se não for isso, avisa que a gente refaz os cálculos.
O estudante - Olha, se ela cresce deixa ela. Ninguém tem nada a ver com isso!
O maconheiro - Cresce para esconder a erva brow. Essa é única e efetiva razão. Pior é que Às vezes cresce mais que a erva e eu acabo fumando grama mesmo. Até dá um certo barato.
O político - Cresce porque o povo brasileiro, com o sentido de coletividade, através do pacto social não suporta mais que não cresça. Todos queremos o milagre do crescimento. Mas o mais importante é a divisão. Da propina, dos lucros ilegais, das culpas etc.
A loira - Na real, cresce para que eu não arranhe muito as costas quando eu vou para o campo. Exatamente como a toalhinha, na praia ...
A síndica - Cresce para que o inútil do zelador possa tirar dinheiro do condomínio e para que os moradores possam levar os seus inúteis bichinhos de estimação para fazer as inúteis necessidades. Ô gente inútil.
O zelador - Cresce para que a ditadora da síndica possa me incomodar todos os dias querendo que eu regue e corte tudo. Inútil porque cresce de novo.
O jogador de futebol - Cresce ali onde o zagueiro não vai, então é por ali que eu vou. Pode ver que onde o zagueiro vai a grama não. Isso até tenho que dizer para o professor ... porque o importante são os três pontos.
Como eu disse só bobagem. Idiotices, mas com uma lição importante. Com ou sem bobagem, com ou sem sentido, como ou sem que notemos a grama continua crescendo ...
Exatamente como o tempo, inexorável.
O biológo - A grama cresce porque é um ser autótrofo e depende apenas de luz solar, água e poucos nutrientes para reproduzir-se e ser utllizada como alimento para uma vasta cadeia de animais. Mantendo ascendente o fluxo de energia nos níveis tróficos.
O psicólogo - A grama cresce em função da punção de vida que existe em demasia fazendo com que o ser, no caso a grama, projete o seu interesse de existir, no sentido kantiano, acima de morrer, no sentido sartriano.
O advogado - Não há lei que proíba o crescimento mas, em caso de estar incomodando podemos tentar processar por dano moral, na medida que esses indivíduos normalmente escondem muitos cocôs que acabamos por pisar.
O engenheiro - Cresce porque a área lhe permite na mesma proporção que a energia depositada pelo sol pode ser reconfigurada em matéria orgânica onde podemos inclusive medir a massa. Mas se não for isso, avisa que a gente refaz os cálculos.
O estudante - Olha, se ela cresce deixa ela. Ninguém tem nada a ver com isso!
O maconheiro - Cresce para esconder a erva brow. Essa é única e efetiva razão. Pior é que Às vezes cresce mais que a erva e eu acabo fumando grama mesmo. Até dá um certo barato.
O político - Cresce porque o povo brasileiro, com o sentido de coletividade, através do pacto social não suporta mais que não cresça. Todos queremos o milagre do crescimento. Mas o mais importante é a divisão. Da propina, dos lucros ilegais, das culpas etc.
A loira - Na real, cresce para que eu não arranhe muito as costas quando eu vou para o campo. Exatamente como a toalhinha, na praia ...
A síndica - Cresce para que o inútil do zelador possa tirar dinheiro do condomínio e para que os moradores possam levar os seus inúteis bichinhos de estimação para fazer as inúteis necessidades. Ô gente inútil.
O zelador - Cresce para que a ditadora da síndica possa me incomodar todos os dias querendo que eu regue e corte tudo. Inútil porque cresce de novo.
O jogador de futebol - Cresce ali onde o zagueiro não vai, então é por ali que eu vou. Pode ver que onde o zagueiro vai a grama não. Isso até tenho que dizer para o professor ... porque o importante são os três pontos.
Como eu disse só bobagem. Idiotices, mas com uma lição importante. Com ou sem bobagem, com ou sem sentido, como ou sem que notemos a grama continua crescendo ...
Exatamente como o tempo, inexorável.
terça-feira, setembro 20, 2005
Em tempo de guerra ...
Tem coisas que a gente aprende com o tempo, outras que aprende apanhando. Definitivamente a arte da esquiva através das palavras requer um certo conhecimento de filosofia, raciocínio rápido e reflexos mais ainda. Normalmente depois de uma maravilhosa "paulada" no ego vem uma velocíssima "mão nazoreia" que, se te pega, simplesmente te mata. Tá bom, exagerei mas um telefone ocupado e um "nunca mais reproduzirás comigo!" é certo. Inteligência nos ajuda em diversos pontos, mas o uso dela é algo temerário em alguns momentos. Ciente disso, esse guerrilheiro do coração utiliza, de vez em quando, a internet para evitar os choques físicos e manter a pontaria. Era muita prepotência. Demais. Mas aí a gente baixa do jeito que pode, sem perder a classe. Lembrando do grande Che "iHay que endurescer-se pero sin perder la ternura jamás!"
A gata - Jesus resolveu ser generoso contigo ...
O príncipe - Como?
A raposa - (É um xaveco imbecil, deixa que eu resolvo!)
A gata - Me colocou no teu caminho.
A raposa - Putz ...
A gata - Tu estavas imerso na escuridão.
A raposa - Isso se chama generosidade no teu mundo? Para mim é Karma. Em relacionamentos eu sempre tenho que me ferrar. Eu sempre pego a mais feia, a mais burra e a mais complicada. Sempre!
A gata - Pois é, mas um dia Deus olha para a gente, e chegou o teu momento.
A raposa - Sério? Tu falou mesmo com a Luana Piovani? Ela está caída por mim?
A gata - Não, ela decidiu que iria se afastar, porque não tem como concorrer comigo. Desistiu coitadinha.
A raposa - Viu, é o tal Karma. Diz para ela que eu não pego só mulher feia. Que tu foi uma exceção. Concordo que uma exceção bem elucidativa, mas foi uma exceção.
A raposa - Luana!!!! Luana!!!!
A gata - Sim, chegamos à conclusão que este teu tempo passou. Entraste na era das Deusas, começando comigo.
A raposa - Sério?! Que bom. Agora me diz onde estão elas? As deusas? Rápido antes que alguém pegue ...
A gata - Esta que vos fala, abriu a tua temporada.
A raposa - A é? Então chama a baranga que tava falando comigo até agora que eu mesmo quero avisar para ela. Para que ela não sofra, muito ...
A gata - Palhaço!!
Ufa! Passou perto, mas prepotência não dá ... Senão imagina como a Catherine Zeta-Jones ia falar comigo?
A gata - Jesus resolveu ser generoso contigo ...
O príncipe - Como?
A raposa - (É um xaveco imbecil, deixa que eu resolvo!)
A gata - Me colocou no teu caminho.
A raposa - Putz ...
A gata - Tu estavas imerso na escuridão.
A raposa - Isso se chama generosidade no teu mundo? Para mim é Karma. Em relacionamentos eu sempre tenho que me ferrar. Eu sempre pego a mais feia, a mais burra e a mais complicada. Sempre!
A gata - Pois é, mas um dia Deus olha para a gente, e chegou o teu momento.
A raposa - Sério? Tu falou mesmo com a Luana Piovani? Ela está caída por mim?
A gata - Não, ela decidiu que iria se afastar, porque não tem como concorrer comigo. Desistiu coitadinha.
A raposa - Viu, é o tal Karma. Diz para ela que eu não pego só mulher feia. Que tu foi uma exceção. Concordo que uma exceção bem elucidativa, mas foi uma exceção.
A raposa - Luana!!!! Luana!!!!
A gata - Sim, chegamos à conclusão que este teu tempo passou. Entraste na era das Deusas, começando comigo.
A raposa - Sério?! Que bom. Agora me diz onde estão elas? As deusas? Rápido antes que alguém pegue ...
A gata - Esta que vos fala, abriu a tua temporada.
A raposa - A é? Então chama a baranga que tava falando comigo até agora que eu mesmo quero avisar para ela. Para que ela não sofra, muito ...
A gata - Palhaço!!
Ufa! Passou perto, mas prepotência não dá ... Senão imagina como a Catherine Zeta-Jones ia falar comigo?
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